Monday, April 16, 2012

Mudam-se os tempos...

Dois jovens namorados, aí de 20 anos, no metro. E diz ele:

- A minha avó é que anda a fazer umas coisas muito giras. São uma coisas para os guardanapos, em crochet. Ela, agora, já não consegue andar, mas as mãos estão boas. Por isso, faz imenso crochet, e tem feito umas coisas muito giras. Fez um branco e amarelo... queres que te faça um porta-chaves como aquele que tu tinhas, com um coração? Eu já lhe disse que, quando for para o Algarve, levo os que ela fizer e vendo lá numa banca, a dois euros. Muito giras as coisas que ela faz.

Este diálogo, garanto-vos, era altamente improvável quando eu tinha 20 anos, impossível quando a minha mãe tinha 20 anos e motivo de internamento quando a minha avó tinha 20 anos. E gostei de presenciar esta mudança :-).

Wednesday, March 21, 2012

Sou portuguesa, aqui

Sou portuguesa aqui, como tão bem disse o José Fanha.

Sou portuguesa de esquerda, sempre fui. Dou um imenso valor a ter crescido neste país e neste tempo, a ser mulher e poder escolher a minha profissão, andar na universidade, sair do país se quiser (sem autorização escrita do marido) e educar os meus filhos para dizerem sempre o que pensam.

Lembro muitas vezes o meu avô Z., que - com políticas ou sem elas - dizia sempre o que pensava. E o meu avô Q., que até aos 94 anos, viveu a vida segundo princípios de compreensão, calma e tolerância. Ambos nasceram e cresceram num Portugal que, felizmente, já não existe. E, também eles, foram portugueses aqui.

Sou portuguesa aqui, num aqui que - há que ser justa - me tem sempre sorrido. Em parte por sorte, em parte porque para isso me esforço muito, em parte porque lhe sorrio sempre de volta.

Como todos os portugueses de aqui, tenho hoje motivos de revolta, de preocupação, de gestão do dinheiro para sobreviver. Como (quase) todos quero uma justiça melhor, mais igualdade de oportunidades, menos tachos e menos escândalos políticos e financeiros. E não quero o FMI, os rankings e outros países a mandar na minha vida.

Mas não acredito que fazer greve amanhã ajude a resolver qualquer um destes problemas. Para mim, uma greve faz-se para negociar algo concreto e não para mostrar insatisfação. Mas isto é para mim. Respeito todos aqueles que não pensam como eu e que acham que esta ainda pode ser uma forma de luta.

Agora o que já me parece inadmissível é que haja cartazes espalhados pela cidade a incitar veladamente à violência, ao piquete para impedir quem decide livremente trabalhar de o fazer. Ainda por cima, cartazes supostamente "de esquerda". Onde está esta esquerda nos dias de eleições?

O meu Portugal e a minha liberdade não são estas. Desejo por isso um óptimo dia de greve a quem decidir fazê-la e um óptimo dia de trabalho a quem decidir não se calar trabalhando.

Monday, March 19, 2012

Dia do pai

Pai só há um. E o meu (nosso) é único e especial.
E tem-nos ensinado muitas coisas, desde sempre.
Tantas que não cabem num post de blogue.
Mas a música em baixo relembra-nos de três das mais importantes:

Que cada qual é que escolhe o seu caminho.
Que é melhor termos um nosso do que andar à deriva da maré.
E que, se perdermos a direcção, podemos sempre contar contigo e
com tudo aquilo que nos ensinas.

Obrigada, pai.


Senta-te aí (para ouvir aqui)

Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira
Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado.
Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer
Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade

Rio Grande (letra de João Monge)

Thursday, March 8, 2012

Alegrias :-)

Ontem, estava prestes a começar uma reunião de trabalho, esperava enquanto a pessoa que eu ia reunir terminasse um telefonema, quando toca o meu telemóvel. Era a R. E o que me queria? Dizer que a sua filha, de 9 anos, me tinha escolhido para madrinha. Na realidade, ela tinha pensado noutra pessoa, uma amiga de longa data que seria a madrinha das duas filhas. Mas eis que ela pergunta se não posso ser eu.

E foi assim que ganhei uma afilhada e comecei o dia com uma alegria interior que só visto :-).

Friday, February 24, 2012

É uma boa pergunta...

a que se faz nesta TED Talk. Se fossemos nós a escrever o livro da nossa vida, que capítulos escreveríamos? Pela parte que me toca, eu prefiro não ler nem escrever muito para a frente. Chega-me gostar de reler os capítulos que estão para trás e ir escrevendo os próximos, à medida que vou avançando na história. É que durante a nossa vida vamos também lendo outras histórias, nas quais nos inspiramos para ir escrevendo a nossa :-). E se é certo que algumas decisões do enredo parecem estar nas nossas mãos, muitas outras são (boas ou más) surpresas, escritas por outras mãos, às quais a nossa história tem de se adaptar.

Bom fim-de-semana!

Thursday, February 16, 2012

+ partilha, - dinheiro, + felicidade, - stress

Ora aqui está uma experiência muito interessante. Claro que é apenas um caso isolado, de uma pessoa que mora sozinha, e que talvez não possa ser transponível na sua totalidade para a vida de todos nós. No entanto, partilho firmemente do princípio. Já está provado que trabalhar cada vez mais e ter cada vez menos disponibilidade para os outros (e para nós) não é a receita para a felicidade. Dar e receber, como dizia o Variações, devia ser a nossa forma de viver. E, ainda que não me pareça uma solução mágica para todos os problemas, pode ser uma possibilidade para resolver alguns. Curiosamente, nos últimos meses tenho feito algumas experiências de trocas bem engraçadas, e é muito giro ver o retorno que elas nos trazem.

Friday, February 10, 2012

Muros e diques que nos prendem

Nunca gostei muito desta música quando era cantada pelos seus autores Pink Floyd, mas hoje ao ouvir a versão dos Pearl Jam, de repente, fez-se um sentido qualquer tortuoso na minha mente, misturado com o "Ai Portugal, Portugal", do Jorge Palma. Estamos com medo de quê, afinal? Precisamos assim tanto de um país que nos proteja? Não seria melhor um que nos preparasse para o que desse e viesse e nos ajudasse a ir à luta? Será que é desta que rompemos o ciclo?

Enfim, é sexta-feira :-)

Thursday, February 9, 2012

Grande dia e dia em grande

Hoje foi um óptimo dia. Começou com inquéritos de rua, em bela companhia, com solinho e transeuntes muito simpáticos. Continuou com um encontro com o Miguel e a Mariana, que só me deram boas notícias e tinham um brilhozinho nos olhos de quem tem 20 anos e está apaixonado. E terminou com uma entrevista ao Arq. Manuel Vicente, um privilégio, um prazer e uma alegria de ouvir a experiência de uma vida, aliada a uma eloquência invejável e a um inconformismo crítico e refrescante.

Muito obrigada!

Friday, February 3, 2012

A febre das notícias da noite

Ex.mos senhores jornalistas,
Serve este post para vos recordar que estas temperaturas são normais no Inverno. Sobretudo porque parece que até só vão durar dois dias e depois regressaremos aos 15 graus de máxima, em Lisboa, o que é - pode dizer-se - uma maravilhosa temperatura para esta estação.
Desta forma, agradecemos que não subam a temperatura das notícias sobre o tempo, porque não vale mesmo a pena.
Atentamente,
fungaga

Wednesday, February 1, 2012

Discriminações...

A minha amiga Billy, neste estaminé aqui ao lado tem contado algumas histórias panamenhas de novos e velhos estilos de discriminar quem tenta levar a vida para a frente o melhor que pode.

Ora, nem de propósito, um destes dias passava eu por uma escola profissional que fica para os meus lados, quando ouço a seguinte frase vinda da boca de um dos jovens alunos "é que se vais à pneumologia e dizes que és fumador, és logo discriminado!".

E pronto, já não se pode ter um vício tão salutar como fumar que se é logo tratado como tendo um vício pouco salutar, no preciso sítio onde se tratam pessoas que ficam doentes (ou pior) por causa dele... estes sim, deviam ir em elevadores separados, para verem o que é bom para a tosse (ou catarro, neste caso).





Friday, December 9, 2011

"Há dias que nem de manhã nem de tarde se pode sair à noite..."

Pois, é como diz a música, há dias... e parece que, para quem anda a pé e de transportes pela cidade há muitos desses dias. A maior parte das vezes, esses dias divertem-me bastante, porque o insólito mora mesmo aqui ao lado.

Esta semana, ia eu calmamente de metro, fora da hora de ponta de passageiros. Que é a hora de ponta dos pedintes profissionais. E entraram dois tipos a tocar um acordeão e um teclado (por acaso, um bocado mal tocados). Eram novos na linha. De sequida, entra um dos cegos habitués, com a ladainha "quem quer ter a bondade de auxiliar..." Até aqui, nada de novo. Só que, desta vez, a ladainha é interrompida com uma enxurrada de insultos. E o que dizia? Que quem tem olhos na cara tem mas é de deixar a música e ir trabalhar! E, logo de seguida, "quem tem a bondade de auxiliar..."

Há dias...

Sunday, November 27, 2011

A cerejeira e a lua

Hoje fomos ver esta peça, e é linda, maravilhosa. Repito, LINDA E MARAVILHOSA! Ide ver. Está aqui.

Monday, November 21, 2011

There's a battle outside, and it's ragin'

Uma homenagem aos meus alunos, que começam a mudar os tempos.

Tuesday, November 15, 2011

Oficina de Artes Plásticas

No Sábado passado, o A. esteve numa oficina com o pessoal do ateliermob, que começou na arquitectura de espaços públicos e terminou a fazer chapéus.

Ora vejam aqui o resultado! Que gira ficou a sombra do chapéu dele. Obrigada, Andreia e Tiago!

Tuesday, October 4, 2011

Verdade gandes em bocas pequenas

O que é ser amigo a valer? - perguntava-se num TPC da R.

-É dar importância aos outros - respondeu ela.

Monday, September 19, 2011

Enquanto houver estrada para andar

Estava aqui a ler este post da minha amiga Leonor e lembrei-me de que hoje, por um emaranhado de coincidências que são o pão nosso de cada dia neste país minúsculo, fiquei a saber que um aluno de há quatro anos ainda fala de um trabalho que fez na minha cadeira como uma boa experiência. Saber que vale a pena trabalhar dá-me uma mistura de orgulho, ternura e coração quentinho, por poder ser uma pequenina boa influência da vida de alguém.

E, apesar de tudo e de todos, como diz o Palma, enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar...

Wednesday, September 14, 2011

Novas profissões do pré-escolar

Com o regresso às aulas, estava a perguntar ao A. se havia meninos novos na escola. Disse-me que o irmão do Rodrigo agora também lá estava.
- E como se chama ele? - perguntei.
- Não sei, mas chamam-lhe Salvador.
- Então é esse o nome dele...
- Não é nada! Nadador-salvador?!

Monday, July 11, 2011

Ora aqui está uma forma original de agradecer

Muito bonito, este vídeo. É muito refrescante ver momentos em que as pessoas, em vez de se queixarem, param para agradecer ao mundo :-).

Tuesday, May 31, 2011

Um momento solene

Tendo em conta que cheguei ao meio da minha vida (pelo menos simbólico, já que espero passar para lá dos 80 - de preferência enxuta e com a cabeça a conseguir juntar a sabedoria da idade e a espontaneidade dos verdes anos...) impõe-se uma espécie de brinde, que ainda não tinha feito aqui. Tenho grandes expectativas para os quarenta anos, já que cada uma das décadas passadas tem sido melhor do que a anterior. Sou uma pessoa muito feliz e cheia de sorte. E a culpa é de todos vós, que sabem muito bem quem são :-). Obrigada.

Saturday, May 28, 2011

Uma letrinha apenas...

Com um crisma, um baptizado e um casamento à vista na família, o A. estava a fazer-me uma série de perguntas sobre o que eram as várias celebrações. Estava a explicar-lhe o que era o baptismo e lá lhe falei de Jesus e da sua vida. Quando ele me perguntou se Jesus tinha morrido muito velhinho, acabei por lhe contar que não, que tinha sido morto. Quis saber quem o tinha morto.

Passado um grande bocado, perguntou-me:
- Mas como é que o polvo saiu da água para matar Jesus?

É que eu tinha dito que o "povo" não o tinha salvo... mas o polvo também dava uma boa história.

Wednesday, May 18, 2011

Tuesday, May 17, 2011

O Oleiro

É um filme maravilhoso este. Que serve para muitas reflexões sobre as coisas simples da vida, que ao mesmo tempo são tão difíceis.

Vi-o com a R. e perguntei-lhe que personagem é que ela achava que era. Respondeu-me:
- O miúdo, porque eu ainda não ensino ninguém. A não ser que seja o barro destravado...

Fiquei surpresa e babada com tanta eloquência infantil.

Wednesday, May 11, 2011

Caramba, se o mundo fosse assim tão simples

Ontem, como todos os anos, comprei o bonequito do Pirilampo Mágico, que faz parte da campanha, que existe desde 1987, de angariação anual de fundos para a Cerci. Quando cheguei a casa, dei o boneco ao A. e tentei explicar-lhe de que se tratava. Que havia meninos que não conseguiam falar, que pensavam mais devagarinho, e que o pirilampo é uma forma de os ajudar. Pergunta ele:

"- Porque é que é mágico? Eles ficam a falar?"

Friday, May 6, 2011

Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil

Obrigada à Ana, por esta pérola. Completamente sem comentários.

Tuesday, May 3, 2011

Valeu a pena, não valeu a pena?...

Acabei agorinha mesmo de receber uma boa notícia. Um projecto no qual trabalhei e investi muito foi aprovado. E se aqui o ponho, é porque acho mesmo que vale a pena trabalhar aqui, neste rectângulo esquisito e pequenino que se fez um país. Não é enterrar a cabeça na areia, é apenas achar que não devemos desistir de lutar por coisas melhores.

Ao fim ao cabo, a República, o 25 de Abril, foram isso mesmo: circunstâncias adversas que levaram as pessoas a achar que valia a pena lutar por algo melhor. Ouvi no Domingo uma entrevista com a Felícia Cabrita, que terminou com ela a dizer que o futuro da filha ia ser estudar no estrangeiro. Acho muitíssimo deprimente que haja uma classe que está a empurrar os filhos para fora do país desta forma, a desistir assim de tudo aquilo por que têm lutado. Se os filhos quiserem ir, muito bem. Agora, isso ser projecto de vida dos país já é outra coisa.

Não gostamos de uma parte do país que temos? Pois não. Eu gostava, por exemplo, que a justiça fosse melhor e mais cega. Mas há também muitas coisas aqui de que gosto. Reconheço que há muito a mudar, mas também muito já mudou. E tenho para mim que vale a pena.

Friday, April 29, 2011

Bons princípios

Hoje saí cedinho para uma reunião, mas a R. já estava sentada no sofá a tomar o pequeno-almoço e a ver desenhos animados. Perguntou-me:
- Onde é que vais com essa camisola?!

A camisola em questão é uma t-shirt nova que a minha irmã me ofereceu às riscas, manga curta em folhos, que achei fresca e original. Pensei: "Mau, não me digas que já estamos nesta de criticar a roupa que a mãe leva..." E respondi, já na defensiva:

- Para a escola. Porquê?
- Porque essa camisola é tãããão gira.

E assim se lava a alma de uma mãe logo pela manhã :-)!

Tuesday, April 19, 2011

Dantes era o São Pedro...

Ontem, vínhamos na estrada e começámos a apanhar mau tempo. Começam os relâmpagos e diz o A.:
- É o Picachu, ele é que manda relâmpagos!

Thursday, April 14, 2011

A fantasia e a realidade confundem-se...

Hoje tive uma aula particularmente difícil com os meus alunos, em especial com um grupo de meninas que não há meio de se interessar por nada. Depois de vários momentos de conversas paralelas, que chegaram ao ponto de uma estar a mostrar a outra uma roupinha que tinha comprado, em vez de estar a fazer o trabalho que estava a decorrer, tive uma fúria e dei-lhes um sermão gigante. Que, felizmente, surtiu efeito.

Quando vinha para casa, liguei à R., que está a passar estes dias em casa da avó. Perguntei-lhe o que tinha estado a fazer e quando ela me disse que tinha estado a dar uma aula aos peluches, respondi-lhe. "Olha, R., também eu..."

Friday, April 8, 2011

Fora com os pandas...

Ontem, foi dia de trazer da escola os dossiers do 2º período. Estava a ver o do A., que andou a trabalhar os meios de comunicação. Um dos trabalhinhos tinha uma televisão, onde eles tinham de dizer uma frase e desenhar o seu programa favorito. Qual era a frase? "O que eu gosto mais de ver são as notícias"...

Monday, April 4, 2011

Lógicas irredutíveis

O A. tem andado intrigado com tudo o que tem a ver com a morte. O facto de adorar dinossauros e de estes estarem extintos e só restarem ossos e fósseis ainda aumenta mais a pressão sobre o tema. Um destes dias, enquanto eu lhe dizia que tinha de comer para crescer, ele respondeu:

- Eu não quero crescer, porque depois fico velhinho e morro.

Confesso que fiquei sem grandes palavras e estava à procura de uma resposta adequada, quando ele acrescenta:

- Mas, se não comer, morro à fome, não é?

Lá está.

Wednesday, March 30, 2011

E agora, Portugal?

Na segunda-feira, este era o título do Prós e Contras. O debate foi interessante e houve duas coisas que me chamaram a atenção: a primeira foi a intervenção da Lídia Jorge, que falou dos "dois países" que existem em Portugal. Aquele que todos desprezamos, e do qual estamos cansados, e um outro, que também conhecemos muito bem, de pessoas anónimas que trabalham, que fazem coisas fantásticas, inovadoras, tenazes. Porque será que não conseguimos por todo esse potencial mais à vista? A segunda foi que é engraçado que, para estas discussões, se chamem precisamente aqueles que não são chamados para ajudar a encontrar soluções no "mundo real": as pessoas das humanidades. Ora, por um lado, isto é um pouco injusto para o pessoal das engenharias, que também é capaz de ter qualquer coisita a dizer sobre o futuro. Mas espelha uma outra realidade, que tem a ver com o facto de a crise a que chegámos ser também resultado da progressiva desvalorização daquilo que é mais importante - as pessoas e os seus méritos e valores. Tenho para mim que enquanto o que interessar for apenas o PIB, o juro, o IVA, não vamos muito longe. Porque esse sistema (do consumo, do individualismo, da competição cega) foi o que nos trouxe para onde estamos...

Monday, January 31, 2011

Que parva que eu sou

É o título da última música do projecto Deolinda, lançada no fantástico concerto da semana passada. Vale a pena ouvi-la e pensar um bocadinho no mundo parvo que estamos a construir. Fica aqui: http://www.youtube.com/watch?v=UtXZaVHAoPQ

Monday, December 6, 2010

66 anos em comum

66 anos é muito tempo, mais do que a vida de alguns, muito mais do que uma vida de trabalho, são muitas alegrias, algumas tristezas, dias felizes, dias menos bons, dois séculos diferentes, o mundo a mudar, a mudar, a mudar...

Um ENORME beijinho aos meus (nossos) avós, que casaram em 1944, quando a 2ª guerra mundial ainda não tinha acabado e que ainda cá estão hoje para fazer a festa connosco.

Monday, November 8, 2010

Heróis à moda de Lisboa

No Sábado, foi o lançamento do livro para o qual dei uma contribuição de algumas páginas, com um conto em que a personagem é Santo António. Foi um evento muito concorrido e muito animado, no Museu da Cidade. O tempo estava fantástico, e tudo correu muitíssimo bem.

Estava muito curiosa para ler os outros contos. Ainda não li todos, mas os que li não me desiludiram. Por isso, ide comprar o livro, que está à venda nas livrarias nacionais. Vamos pô-lo no top?

E um grande, grande obrigada a todos (vocês sabem quem são).

Tuesday, October 19, 2010

Será a educação que os torna estúpidos?

Um dia, uma professora de matemática do secundário há décadas, ao conversar com a R. e espantada com a sua eloquência de 2 anos, disse-me: os miúdos agora são tão espertos, quando é que será que eles ficam burrinhos como nós os vemos na escola?

Esta conferência animada, de Ken Robinson, dá-nos muito que pensar sobre o que andamos a fazer nas nossas escolas. Muitas vezes vejo miúdos sedentos de aprender na primária que se desinteressam progressivamente, tornando-se adultos apáticos, e desejo sempre que não tenha sido a escola que os pôs assim. Julgo que não será completamente verdade, que há muito mais por onde pegar (a família, a vida acelerada do séc. XXI, a dispersão de informação e a sua progressiva perda de qualidade, a conjuntura de emprego), mas há realmente muita gente desmotivada e isso é preocupante, para não dizer deprimente.

Pessoalmente, a escola foi uma experiência rica e gratificante e esforçamo-nos imenso para que para a R. e o A. também seja. Aquilo que tentamos é que eles gostem de aprender e aprendam bem as bases (ler, escrever, contar, pensar...). Não há nada como gostar de aprender! O modelo de Robinson, quanto a mim, podia resumir-se a isso mesmo - aquilo que se aprende e forma como se aprende pode ir mudando ao longo da vida, mas é fundamental que não se perca esse prazer.

Monday, October 18, 2010

De boas ideias é que precisamos

E de bons princípios também. A conferência TED da Isabel Allende, está aqui e comove. Não podia estar mais de acordo com ela, não há nada mais repugnante do que quando o nosso mundo pensa que avança a espezinhar os mais fracos. É um belo, inspirador e bem humorado discurso.

Wednesday, October 6, 2010

Heróis à moda de Lisboa

Bem, agora já é oficial. Tem lançamento marcado e tudo. Podem ver aqui de que estamos a falar.

Mais um texto dos apontamentos - São Martinho cidade-jardim

Descobri, há uns tempos, este texto: uma comunicação proferida por Álvaro de Oliveira, no 1º Congresso Nacional de Turismo, em 1936. Visto hoje, parece um megalómano delírio fascista, especialmente se pensarmos como era São Martinho do Porto em 1936. À época, quem sabe?



"...uma avenida marginal se estende em sentido oposto, como dois braços que se curvam, segue a encontrar-se vis-a-vis junto à estrada da barra, semelhando no seu conjunto à baía de San Sebastian, em Espanha, onde surpreendente efeito de luz, quando à noite a sua iluminação se encontra em plena voltagem, tal qual o colar de pérolas que circunda a praia de Botafogo da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Em frente à barra, à vista do Oceano, levanta-se uma majestosa esplanada, centro irradial de tôda a sua circulação arterial, praça monumental - vestíbulo sumtuoso - destinada a servir a sua sala de visitas, tornando-se o logradouro de maior área e o seu principal centro.

Maravilha da jardinagem e arquitectura, esta esplanada tem na face voltada para a baía sôbre um pedestal em granito e mármore trabalhado, que representa a ponta do promontório de Sagres, batida pela espuma alvacenta do Atlântico, a estátua do Infante D. Henrique, - figura sonhadora olhando o mar - tal como a criou a obra magistral do escultor Francisco Franco.

Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, no centro de dois parques ajardinados, ladeiam o Infante das Descobertas.

Na face voltada para Alfeizerão, a estátua de D. Afonso Henriques, ladeada pelas do Mestre de Aviz e D. Nuno Álvares Pereira, atesta a Independência Lusitana

Uma alameda, correndo entre a linha do Oeste, corta perpendicularmente a esplanada.

Tomando a linha do fundo, a Avenida Central, de uma alameda e dois arruamentos, corre imponente, como exacto prolongamento do seu eixo, até à praça da Basílica, em primoroso estilo manuelino, erecta à Imaculada Conceição, antiga Padroeira de Portugal. Integrada está, desta arte, esta principal via na sua função de corredor nobre.

Outras avenidas, ruas e alamedas, praças e relvados.

Blocos de construção moderna, edifícios de altura uniforma, modernos hoteis, restaurantes, terraços, escolas, cinemas, campos de jogos, mercados, estabelecimentos comerciais de linhas modernas e alegres e cheios de luz.

Correios, telegrafos, telefones, repartições públicas, serviços de águas, esgôtos e saneamento, iluminação moderna numa pavimentação das mais perfeitas e recomendadas.

Aproveitamento das suas águas termais e sua esplendida praia, pontes de acêsso ao alto do Facho, ermida de Santa Ana e Santo António, cujo primeiro môrro é o mais alto da costa portuguesa.

Interêsse maior oferece o sistema adoptado para as edificações das zonas residenciais onde o problema da habitação encontrou solução interessante e justa.

Eis o meu projecto levemente esboçado nas suas linhas gerais."

Monday, September 27, 2010

E tu, distigues o céu do inferno?

Hoje é dia de vir trabalhar de bicicleta. Eu sempre andei de bicicleta fora de Lisboa, em momentos de liberdade e vento na cara, e uma coisa que fazia muitas vezes era cantar enquanto pedalava. A prova de que já me estou a habituar a circular pela cidade, é que já me apanho a trautear, normalmente para os lados do Jardim do Campo Grande, que deve ser quando meu subconsciente acha que está no campo.
Hoje de manhã, vinha a relembrar a letra do Wish you were here, dos Pink Floyd:
So, so you think you can tell
heaven from hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field
from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
Did they get you to trade
your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
a walk on part in a war
for a lead role in a cage?
E, mesmo antes de chegar ao refrão, dei comigo a (re)pensar o significado das palavras, uma coisa que às vezes acontece com frases que sabemos de cor há tantos anos e que subitamente ganham novos entendimentos.
E, enquanto punha o cadeado na bicla, fiz ali - num instante - uma introspecção sobre esta metade de vida que já levo. Gosto de acreditar que não perdi rumo à diferença entre o que interessa e não interessa e que ainda não me acomodei. Só gostava era de conseguir, mais e mais vezes, estender a consciência do que se quer fazer às acções que se praticam. Mas, enfim, para manhã de segunda-feira não foi mau...

Sunday, September 26, 2010

Afinal, para que servem os blogues?

Em 1997, eu trabalhava na Hemeroteca Municipal de Lisboa. Para quem não sabe o que é uma hemeroteca, ou para aqueles que lhe chamavam "aquela teca onde tu trabalhas", fica a nota de que se trata de uma biblioteca dedicada a periódicos, ou seja jornais e revistas.

No trabalho que fazia, passaram-me pelas mãos muitas coisas engraçadas. De algumas tomei nota. Na sexta-feira, estava a arrumar papéis, daqueles que já vieram de casa dos meus pais, e descobri alguns dessa altura. Já os tinha deitado para a reciclagem, quando pensei: "Espera, vou mas é por no blogue!"

Poderia dizer que são textos preciosos e que de outra forma se iriam perder. Ou que são tão interessantes que merecem vir para a blogosfera. Mas, na realidade, pô-los aqui é uma forma de eu não ter pena de os mandar para o lixo. Mantenho a linha sentimental que me une a eles e arranjo mais espaço cá em casa.

Cá fica, então, uma dessas maravilhas. Da Gazeta dos Caminhos de Ferro, ano 15, n.º 357, pág. 327, 1 de Novembro de 1902:

"Recebemos a seguinte carta:

Sr. Redactor
Banco do Conde Barão, 31

Meu caro senhor: Eu acredito nos jornais como num breviário.
Ora a semana passada li nas «Novidades e outras folhas» que desde o dia 17 havia carros eléctricos de vintém para o Intendente. Nesse dia, tendo que ir aos Anjos tratar d'um negócio de certa urgência, disse comigo - calha bem; vou nos tais carros novos, em que poupo 10 reis. E vim para este largo esperar. Eram oito da manhã.

Esperei, esperei, e os carros não apareciam. O dia foi-se adiantando, a fome apertava e eu não queria sair daqui para não perder o carro. Resolvi-me a mandar a casa buscar o almoço, que devorei aqui, sobre o banco, esperando sempre ver surgir o cumprimento da promessa da companhia Carris.

E eles sem aparecerem. Cá me conservei, chegou a noite, e mandei buscar o jantar, sempre de olho à mira para os lados da Esperança. Nada!

Fez-se noite, noite amena, de atmosfera limpa e temperatura agradável. E pela noite talvez eles comecem, dizia eu; e esperei mais até que adormeci.

Acordei ao despontar do dia ao toque da primeira badalada d'um eléctrico, e olhei-o sobressaltado. Era para o Intendente.

Perguntei se era dos especiais a vintém e o condutor respondeu-me delicadamente que fosse para o inferno e chamou-me qualquer coisa.

Resolvi então esperar, sempre confiado em ver aparecer o prometido carro, seguindo o mesmo processo da véspera, passou-se todo o dia e a noite, e ontem, e hoje cá estou ainda.

Mas senhor redactor, os dias vão passando e o que não passa é o maldito eléctrico de vintém! E eu não posso mais; por isso lhe peço me diga se a companhia engoliu a promessa, ou se fui eu que engoli a peta. Ou finalmente em dia começa o tal novo serviço, porque amanhã é sábado e eu preciso de ir a casa mudar de roupa, o que não posso fazer aqui. E tenho de is aos Anjos onde continua a esperar-me o negócio de certa urgência.

O que lhe posso assegurar é que eles ainda não passaram e espero que V. dê todo o crédito a esta minha afirmação, porque lhe escrevo d'um banco, que me tem servido de sofá, mesa de jantar e leito há cinco dias.

Seu constante leitor,
Francisco Ingénuo

Não sabendo que responder ao nosso estimável e paciente leitor, remetemos o seu pedido às «Novidades» que foi o primeiro jornal que deu a notícia. Este nosso estimado colega talvez lhe responda."

Thursday, September 16, 2010

Gentes e lugares - Maria da Conceição, em Sobreda do Bouro


Chegámos à casa que tínhamos marcado ao fim da tarde. Não foi fácil encontrar o socalco minhoto onde a quinta ficava e quem nos deu a indicação definitiva foi um homem num tractor, que tinha acabado de lá deixar a mulher, que - segundo nos disse - ali trabalhava.

Caminho encontrado, quem nos recebeu foi a D. Conceição ("Conceição ou Maria chamem-me o nome que quiserem, eles são os dois meus"). A simpatia que transmitiu foi tão contagiante que, de imediato, nos rendemos à sua pronúncia minhota, carregada de expressões para nós diferentes e até pitorescas, às suas iguarias culinárias (o leite creme que, segundo disse, lhe saiu mal, estava de chorar por mais) e à franqueza com que se pôs, e à casa, à disposição.

Mostrou-nos a casa, deu-nos ordem para a explorarmos à nossa vontade e foi tão cordial e compreensiva com os miúdos que eles se comportaram maravilhosamente e conversaram à volta dos rojões e das batatas fritas como gente graúda.

Na manhã seguinte, D. Conceição foi buscar dois póneis e ajudou os miúdos a montar, sempre sorridente, disponível e a fugir da máquina fotográfica.

Sem dúvida que, de tudo de bom que tem a Quinta do Sorilhal, o melhor é a presença alegre e afectuosa de D. Conceição.

Friday, July 30, 2010

Quem diria?

Quando chegamos aos dias de calor, é inevitável que, mais tarde ou mais cedo, dê por mim a trautear James Taylor, numa memória longínqua de um Sábado em que fui buscar a P. a um exame da Lusíada e rumámos a um agradável fim-de-semana de festa lá para Sesimbra, ouvindo uma cassete da J.

Este ano, o dia chegou hoje (já vem um bocado tarde, mas a memória tem caminhos longos e tortuosos...), à hora do almoço. De maneira que, quando voltei ao computador, lá fui ao YouTube procurar uma música de fundo a condizer.

E não é que descobri que, nos idos anos 70, o James Taylor tinha cabelo? E comprido!

Aqui fica a prova, em sons de Verão: http://www.youtube.com/watch?v=v2EZUw2mvjs&feature=fvst

Tuesday, July 20, 2010

Bem-vindo ao mundo, M.!

O dia de hoje é igual, mas é diferente.
Estamos mais ricos e mais felizes.

__ __ __ __

Pequeno poema - Sebastião da Gama

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,nem houve
Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Tuesday, July 13, 2010

Bem, o Mundial ainda agora acabou, deve ser isso...



Anteontem, no carro, falávamos com o A. de como seria quando ele fosse mais crescido, para que sala iria na escola, etc., e eu perguntei-lhe:
- E vais ser bom aluno, quando fores crescido?
- Vou é ser bom jogador. Os mais crescidos trazem sempre bola!

Depois, para me por contente, disse que ia ser bom a fazer contas e que ia ler histórias de dinossauros, mas o essencial já estava dito...

Monday, July 12, 2010

La maison Channel

Um destes dias, falava-se, já não sei a propósito de quê, da Coco Channel. Diz o A.: Cocó chinelo? Pois...

Na cartografia portuguesa, qual a diferença entre mapa e carta?

A resposta mais simples e ainda assim verdadeira era: nenhuma. Uma das que obtive foi que mapa é a representação da terra e carta é uma forma escrita de correspondência. Há muito tempo que uma cotação 0 não me arrancava uma gargalhada tão grande.

Thursday, July 8, 2010

Um dos pensamentos que me atormentam é mesmo este

Diz, numa entrevista ao Público, Alberto Manguel:

"Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?

O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.

Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual."

Monday, June 14, 2010

Eu vou, eu vou...

Hoje foi o dia de estreia da minha nova bicicleta desdobrável nas ruas de Lisboa. Com capacete e muitas cautelas, foi tãããão bom vir a pedalar desde casa. Viva a mobilidade sustentável!

Sunday, April 25, 2010

Para ti, M., 25 de Abril sempre!

Faz hoje 36 anos, eu tinha três e meio, estava em casa da minha avó e acabou o fascismo, a guerra colonial, a censura, a discriminação legal entre sexos. E a minha mãe estava grávida da J., o nosso bebé da Revolução e da liberdade.

Sinto sempre que sou privilegiada por ter crescido nos anos 70, por ter vivido, ainda criança, os primeiros anos da liberdade, quando acreditávamos que o país só podia mudar para melhor. Para mim, é um privilégio de geração conseguir apreciar tudo de bom que veio depois, sem esquecer que as mudanças foram muitas e que o antes era muito diferente, e ter ainda muitos anos pela frente para - à minha mais do que modesta escala - ajudar a melhorar o mundo.

Aprecio imensamente viver no século XXI, num país onde posso ser quem quero, dizer o que quero, educar os meus filhos como quero. As gerações antes de mim não tiveram essa sorte (basta falar do desperdício que foi não ter dado escolaridade a milhões de pessoas fantásticas que o país teve, ou dos milhares de portugueses e africanos que morreram na guerra), nem a têm muitas mulheres noutros sítios do mundo.

Por tudo isto, e porque acredito sinceramente que há muito mais pessoas boas do que más, vale a pena continuar a tentar, a formar pessoas melhores, a lutar para que as próximas gerações - mesmo sem terem crescido nos anos 70 - sejam muito melhores do que a minha.

E, agora, a J., que já nasceu em liberdade, vai ser mãe do M. Quando ele fizer seis anos e for para a escola, chegaremos ao ponto de viragem, teremos mais anos de liberdade do que de Estado Novo. Por tudo isto, e misturando história do país com a minha, obrigada J. e R.!

Thursday, April 15, 2010

Musicas de todo o mundo - B

Hoje, estamos na Bolívia, com um grupo Kala marka, que cruza tradicional de várias regiões do país. Muito giro.

Depois de uma busca nada fácil, fica também uma música da Bósnia e Herzegovina.

Tuesday, April 13, 2010

Teodoro, não vás ao sonoro...

Hoje, estava a dizer ao J. que não sabia bem como ia fazer na sexta-feira, porque preciso de ir ao Porto. O A., que estava por aqui a brincar, disse:
- Eh, não vás. Não gosto do Porto. Vai antes ao Sporting!

Wednesday, April 7, 2010

Qual é a palavra para isto? Ah, pois é!

Hoje, fui buscar ao A. uns ténis que lhe tinham oferecido e que ainda estavam dento da caixa e troquei-os pelos usados, que estão pequenos e muito velhos. Daí a bocado, apareceu ele com a caixa a dizer: "Mamã, vais descomprar estes sapatos?"

Friday, March 19, 2010

Feliz Dia do Pai

"Pai, és divertido.
Para mim és o maior!
Gosto muito de ti.
Beijos da R."

Esta mensagem e um pequeno almoço na escola com pais, que teve direito a mesa de banquete, máquina de café e jornal, foram os bons dias que os nossos miúdos deram ao J. Há lá melhor maneira de começar o dia?

Quanto a mim, o meu pai também é divertido, também é o maior, inspirou muitas decisões boas da minha vida e, claro está, gosto muito de ti!

Friday, March 12, 2010

A piada do dia

Ontem, ao chegar à escola, estava um cartaz com a piada do dia. Qual era? Na visita à Gulbenkian, a monitora perguntou à sala da infantil se sabia em que continente viviam os macacos. Responde o A.:
- Os macacos não sei, mas os Ferrari vivem na Europa!

Enfim, para além de me rir, ainda fico um bocadinho contente de saber que, pelo menos, o miúdo sabe que a Europa é um continente...

Saturday, March 6, 2010

Dormindo com os tubarões

A noite passada, a R. e eu dormimos no Oceanário. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível, proporcionada pela festa de anos da I., em que todos se portaram muito bem. Os monitores eram excelentes e foi, a todos os níveis, uma noite mágica. Que me lembre, só hoje e outra vez, no Atlas, dormi de óculos para poder ver a paisagem mesmo, mesmo até adormecer :-).

Wednesday, March 3, 2010

Músicas de todo o mundo - B

Da Bélgica, fica um grupo que toca música maravilhosa da Arménia.

Esta música do Belize, é bonita mas vale também pelo filme, quase etnográfico sobre o povo Garifuna, descendentes de índios Caraíbas e Arawak e escravos africanos.

E vejam só esta maravilha, do Benim.

Friday, February 26, 2010

Músicas de todo o mundo - B

Hoje é o dia do Bangladesh. A música é gira, mas o vídeo é um espectáculo. Quantos destes é que já vimos, por alturas dos mundiais de futebol?

Temos, ainda, um reggae muito fixe, dos Barbados.

Da Bielorússia, não foi nada fácil escolher. Tudo o que encontrava on-line achei de fugir. Até que encontrei esta e quem me conhece sabe que eu nunca resisto a um acordeão...

Tuesday, February 23, 2010

Lisboa viva urgente

É o que diz nas placas da estação da Alameda, ligação com São Sebastião. Só me lembrei daqueles textos em que se experimentam diferentes pontuações:

Lisboa? Viva urgente!
Lisboa viva: urgente!

Friday, February 19, 2010

Musicas de todo o mundo - começa o B

Aqui fica uma música originária das Bahamas, popularizada pela Joan Baez, e uma de que gostei muito, do Bahrein.

Saturday, February 13, 2010

Remember me - Adeus, João Martins

Foi a mensagem de despedida deixada pelo João, antes de dar os passos terríveis que iriam acabar com a sua vida, de 21 anos. Deixou em todos nós uma sensação de irrealidade e de impotência, deixou uma família estável, deixou colegas e professores que gostavam dele, deixou uma vida toda pela frente. É certo que nunca o vamos esquecer, mas gostava tanto que não fosse por esta razão! É tarde para perguntar porquê e para pensar o que poderia ter sido feito, só nos resta esperar que ele esteja em paz agora e começar a aceitar a sua partida. E esperar que, a todos os que estão a viver este momento, possa servir de sinal para que peçam ajuda, quando precisarem. Na nossa escola, onde todos se conhecem pelo nome, vai ser um segundo semestre de luto, isso é certo.

Tuesday, February 9, 2010

Músicas de todo o mundo - para terminar o A

Esta noite de folclore tirolês é uma pérola da Áustria! E, para algo completamente diferente, terminamos o A com o Azerbaijão. Vamos ver o que nos espera no B (eu nem posso esperar!)...

Friday, February 5, 2010

Músicas de todo o mundo - A

Que gira é esta música da Arménia!

E esta, descoberta no Aboriginal Rock Music Festival da Austrália, vai com os meus votos de um bom fim-de-semana!

Thursday, February 4, 2010

A que é que uma mãe pode aspirar mais?

Um destes dias, disse ao A.: "És muito querido, sabias?"

Ao que ele respondeu: "Tu também não és muito chata!"

Enfim, é a verdade de quem tem 3 anos e ainda não sabe dizê-la com floreados...

Tuesday, February 2, 2010

Músicas de todo o mundo - A

Ora aqui está um momento hilariante da Arábia Saudita, cujo humor nos escapa mas contagia...

E também, um belo som da Argélia e, dedicado à B., o meu músico preferido da Argentina, que tive o enorme prazer de ver ao vivo, há uns vinte anos, em Lisboa.

Monday, February 1, 2010

Musicas de todo o mundo - A

Aqui fica Antigua e Barbuda.

Musicas de todo o mundo - A

Hoje é o dia da Alemanha (com direito a serrote como instrumento) e de Andorra. Esta última é a primeira participação do país na Eurovisão (em 2004), que foi um marco, por ter sido cantada em catalão. Quem diria que a Eurovisão ainda despertava paixões?

E fica, também, uma experiência bem gira em Angola.

Janeiras e Fevereiras

Um destes dias, estava a explicar à R. o que eram as Janeiras e a cantar algumas músicas da época. É então que ela diz:

- Eu sei uma música das Janeiras: "Venha ao Pingo Doce, de Janeiro a Janeiro"...

Thursday, January 28, 2010

Subtilezas

Na piscina onde vamos, há um cartaz à entrada do estacionamento onde se diz que se "declina qualquer responsabilidade na ocorrência de danos ou roubos". Gosto particularmento da delicadeza que está subjacente à palavra "declina". Como que fosse algo que gostariam muito, muito de aceitar, mas não pudessem, por razões alheias à sua vontade. É muito mais simpático do que as folhas afixadas no balneário onde a expressão usada é "não se responsabiliza"...

Wednesday, January 27, 2010

Músicas de todo o mundo - A

Albânia, no equivalente a uma noite de fado vadio (digo eu...)

Musicas de todo o mundo - A

Hoje é a vez da África do Sul e do Acrotiri e Decelia.

A primeira vez que ouvi músicas sul-africanas ao vivo foi na Expo 92, em Sevilha, e recordo-me que só passado um bom bocado é que percebemos que a música era toda cantada e não havia instrumentos!

Quanto ao Acrotiri e Decelia (dados wikipedia), a primeira vez que ouvi falar delas foi ontem... não é um estado soberano, são bases britânicas soberanas no Chipre, administradas pelo Ministério da Defesa Britânico.

Tuesday, January 26, 2010

Músicas de todo o mundo - Inauguração oficial

Vai começar hoje, aqui mesmo no blogue, um novo projecto pessoal. Procurar uma música de cada país do mundo e colocá-la (ou ao link) aqui. A ordem vai ser alfabética e sem nenhuma preocupação, a não ser a de escolher uma música que me agrade. Estou ansiosa pela pela descoberta e espero que os meus visitantes a apreciem tanto quanto eu.

Começo pelo Afeganistão.

Tributo ao Haiti

Passados já tantos dias, começa a ser tempo de enterrar os mortos e cuidar dos vivos, como já se disse em Lisboa, em 1755. Se virmos as imagens do GoogleEarth do Haiti percebemos que já era um país, de certa forma, em escombros. Só nos resta esperar que desta tragédia resulte algo de maior. Aqui fica um tributo musical, na voz de Webert Sicot, um músico famoso do país.

Saturday, January 23, 2010

Em Janeiro...

uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar.


Enfim, a Primavera não está quase, mas lá chegaremos...

Sunday, January 17, 2010

Santo Amaro

Este fim-de-semana, foi a festa de Santo Amaro, em Alfeizerão. Encontrei aqui algumas informações sobre a vida de Santo Amaro, que também é festejado não muito longe dali, em Pombal.

Não sei qual a origem da comemoração deste santo ali, mas a festa religiosa - com a respectiva procissão - é acompanhada de vários outros usos e costumes, que estive hoje a aprender. Há sempre uma feira, onde os produtos tradicionais são os colares de pinhões e de maçãs, a fogaça da festa (vendida na capela), em forma de ferradura, as cavacas. Outros pontos altos altos da festa são a fogueira no largo, que arde vários dias e noites, o grupo de homens que vai cantando pela vila, até não poder mais (o que quer dizer até o álcool os vencer) e ainda a votação de quem será o juiz da festa do ano seguinte.

Numa época em que as tradições são transformadas em momentos turísticos e se inventam festas e festivais por todo o lado, é sempre bom ver que ainda existem momentos em que a tradição se reinventa a si própria, numa renovação constante daquilo que era.

Wednesday, January 13, 2010

Back to the 80's...

Pois é, a moda retro está na mesmo na moda. Em tudo. Até nas redes sociais virtuais, onde fervilham grupos de reencontro dos amigos de infância e adolescência. Graças aos e-mails e ao Facebook, no próximo Sábado tenho um almoço com os amigos do liceu. Ou seja, aquelas pessoas à volta de quem (se exceptuarmos a família e um ou outro amigo) a minha vida gravitou entre 1984 e 1989 e com os quais não mantive muito contacto depois disso, porque a vida é mesmo assim... Prevejo momentos divertidos. Apesar de não achar, como na música, que foram "the best days of my life", foram bastante bons, há que reconhecê-lo.

O meu primeiro pensamento quando soube do almoço foi, também ele, um regresso à adolescência: O que é que eu hei-de vestir? Suponho que uma permanente com popa, uns ténis Sanjo, uma camisola preta com duas riscas horizontais e um casaco com grande chumaços estão fora de questão...

Monday, January 11, 2010

Balanços

O ano de 2009 foi, aqui em casa, um grande ano. Bem sei que temos a crise e blá, blá, e que o rendimento é sempre curto, mas agora compreendo como é que é possível algumas pessoas de mais idade acharem que os seus anos de juventude foram sempre maravilhosos - mesmo quando passavam fome, havia muito mais doenças sem cura e viviam em ditadura.

No fundo, sabemos bem que o que realmente nos afecta é o que diz respeito à nossa família e amigos chegados. Se eles estiverem bem, tudo o resto passa para segundo plano. E se pensar que, em 2009, não fui a nenhum funeral nem hospital, que as maleitas foram menores ou maiores, mas ultrapassadas, e que terminámos o ano com toda a família junta, acho que se pode dizer que foi um ano muito feliz.

E já se sabe que a felicidade não tem grande história e que gozá-la gasta tempo e energia. Ainda assim , há momentos deliciosamente partilháveis, como o A. a rezar "Beijinho da guarda, minha companhia..."

Tuesday, December 15, 2009

Ser ou estar

Há quem diga que são sinónimos, que é o mesmo verbo. Um diz destes estava a pensar na diferença entre ser feliz e estar feliz. Ora, ser feliz é um estado mais consciente, é algo que sabemos que somos. Estar feliz é um estado que não se prolonga na consciência, é uma sensação temporária. Posto isto, desejo a todos que sejam e estejam felizes no próximo Natal!

Monday, November 16, 2009

É consoante(s)...

Enquanto a R. galopa pelo mundo fascinante das consoantes, o A. canta, canta, canta pela casa, extasiado com a possibilidade de cantar sozinho melodias inteiras.

Há uma música da "Dora, a exploradora" que eles têm ouvido. Há bocado, andava ele por aí "lá, lá, lá, lálá, vou tocar baratas...". Baratas? Ah, pois, é maracas...

Friday, November 6, 2009

Momento Farmville

Que culturas é que tenho de plantar para poder ir de fim-de-semana descansada? Ai, ai, para o que uma pessoa está guardada...

Friday, October 30, 2009

Doçaria às escondidas

Hoje, estava a fazer uma mousse para a festa de anos do A. Já tinha o chocolate derretido e comecei a partir os ovos, deitando as gemas no chocolate. Quando estava com a batedeira a começar a misturar as gemas, o A. veio pedir para me ajudar e perguntou o que é que eu estava a fazer. Quando lhe disse que estava a fazer mousse, ele perguntou: "E estás a esconder os ovos?"

Friday, October 23, 2009

Boas ideias

O projecto my charity: water mostra como, muitas vezes, basta uma boa ideia para mudar a vida de muita gente. Bem, basta uma boa ideia, a genica e os conhecimentos técnicos e pessoais para a por em prática e a boa vontade das muitas pessoas que contribuem. Mas não deixa de ser uma boa ideia. E não deixa de mudar a vida de muita gente. E não deixo de pensar que a maior parte das coisas boas que se fazem no mundo começaram assim e que muitas vezes gastamos demasiada energia humana onde não devemos, com tanta gente por aí capaz de ter boas ideias.

Sunday, October 18, 2009

Parabéns Pai!

Passámos um óptimo fim-de-semana em São Martinho e o ponto alto foi a festa de anos do avô. Agora que temos a nossa casinha linda e arranjada, é o melhor sítio para nos lembrarmos de como somos felizes. E os 64 anos do nosso pai são uma parte fundamental desta felicidade!

Tuesday, October 13, 2009

Diz o Saramago...


...na sua A Viagem do Elefante que "Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas" (p. 223) e que "Se toda a gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor" (p. 255).

Ora, hoje a R. disse-me, enquanto o A. lhe moía a paciência, que agora é que via como devia ser bom ser filha única...

Mas, porque tenho a certezinha absoluta de que os irmãos nos fazem muito felizes e para fazer o que posso para não perder de todo esta ocasião: PARABÉNS ATRASADOS MANA!

Friday, October 2, 2009

Iniciação musical

O A. teve hoje a sua primeira aula de música na escola. Entrou no carro para ir para casa e o rádio estava ligado. Disse logo, muito contente, "Isto é um som musical?"

Monday, September 28, 2009

Suspiro de mãe!

A R. anda muito, muito contente nesta sua viagem pelo 1º ano. Um destes dias, perguntei-lhe se a professora iria ver, no dia seguinte, se os meninos tinham feito os trabalhos de casa. Ao que ela responde:

- Nããão. Se ela mandou toda a gente fez!

Wednesday, September 23, 2009

Por essas e por outras é que eu gosto tanto das dobragens portuguesas

O filme preferido do A., que agora vemos vezes sem conta, é o Cars. Há no filme duas personagens deliciosas, o Fillmore, uma carrinha pão-de-forma hippie e o Sarge, um Hummer todo dado à tropa, que têm uma relação de amizade assente nos mais absolutos opostos.

O meu momento preferido do filme é protagonizado por estes dois amigos. O Sarge acorda ao som de uma alvorada militar; ouve-se, em seguida, a música muito alta do Fillmore e o seguinte diálogo:

Sarge: - Desliga essa porcaria e vai ver se chove!
Fillmore: - Respeita os clássicos, man, é o Hendrix...

Está claro que estas duas frases agora servem para tudo cá em casa...

Monday, September 21, 2009

O factor de união

Quem anda de metro em Lisboa, conhece bem aquelas pessoas que são uma espécie de pedintes profissionais, que há muitos anos pedem diariamente no metro, na Baixa, nas estações. E há também os cauteleiros, que dizem a sua ladainha ("olha o 13, anda à roda, olha o 56), que por vezes se junta à de quem pede ("tenha a bondade de auxiliar...").

Pois hoje, estava eu no metro a ouvir o cauteleiro que, de pé atrás de mim, ia anunciando números, quando chega um cego a pedir, com as suas frases habituais. O engraçado é que, quando se cruzaram, se cumprimentaram, fizeram uma pausa e começaram a falar do jogo de hoje à noite. E está visto que ambos torcem pelo Sporting.

Thursday, September 17, 2009

Parabéns, Mãe!

E muito, muito, muito obrigada por existires e seres nossa mãe.

More than words

Um dia destes, no jardim ao pé da escola (que, por sinal, é um espaço onde se passam as mais estranhas e variadas coisas) ia a passar e ouvi as seguintes palavras, vindas de uma de três mulheres sentadas num banco:

"- Ela disse que não tinha nenhuma obrigação. Eu disse-lhe, não tens a obrigação mas tens o dever."

Este esmiuçar - como se diz agora - das palavras é uma coisa que me seduz sempre. Esta frase deu-me que pensar na viagem de metro para casa. Lembrei-me que, antigamente, se chamava "deveres" àquilo a que hoje se chama "trabalhos", como se fazê-los não fosse obrigatório, como se valorizássemos mais a execução de uma tarefa do que o imperativo moral de a fazer. Afinal, que satisfação podemos tirar de um trabalho? Não é melhor ter um dever cumprido?

E esta diferença entre obrigação e dever é interessante. Podem parecer sinónimos mas não são. Porque eu posso mesmo não ser obrigada a fazer uma coisa, ter a opção de me borrifar e virar costas, mas ainda assim ter o dever (moral, social) de a fazer. E, pelo menos segundo esta senhora (e eu inclino-me a concordar com ela), é muito mais grave fugir a um dever do que a uma obrigação.

Tuesday, June 30, 2009

Esmeros...

Estava a tomar café numa pastelaria aqui do bairro, quando reparo na frase impressa no papel com que embrulham os bolos: "Esmerado serviço de pastelaria".

Fiquei cá comigo a pensar que esta é uma palavra que está em desuso e que nos faz imensa falta. Queremos ser competitivos, competentes, produtivos, modernizados, motivados e sei lá mais o quê, mas o que é feito do esmero? Daquele esmero que está associado ao esforço de fazermos o melhor que sabemos, mesmo sem estarmos a ser competitivos (e eu acredito que, quando se faz o melhor que se sabe, isso acaba por acontecer)?

E deixo bem claro que não estou a falar do esmero de ter uma caligrafia perfeita, a custo de reguada, mas de uma coisa meio obscura chamada brio pessoal...

Wednesday, June 24, 2009

Surfistas e havaianas

É sempre com alguma alegria, misturada de incredulidade, que vejo chegar a silly season. Este ano, vimo-la chegar via festa de fim de ano da escola da R. Não é que o programa inclui a eleição do Surfista 2009 e da Miss Havaiana, a par com uma Beach Dance e com um dress code de "Roupa de verão gira e havaianas"?

Thursday, June 18, 2009

Chicken a la carte

Segundo diz neste pequeno filme, trata-se de uma história real. Ainda que seja encenada, dá muito que pensar, porque há por aí muitas histórias reais bem mais cruéis que a ficção.

É muito impressionante e muiot bem feito.
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte

Sunday, June 7, 2009

Flor de Jacarandá

Quando chega o mês de Maio, entrando depois por Junho, estas árvores que parecem invisíveis durante o resto do ano surpreendem-nos em cantos e recantos de Lisboa, dando pinceladas de roxo à nossa vida. E eu não consigo ver uma que não me lembre da música do Vitorino. Isso quer dizer que passo o mês a cantarolar

"Flor do jacarandá
Cai, leve no passeio
Céu d´outro mar sonhado
Chão de anilado estio.
A florir, lá no mês de sonho tapete de voar
Nas luas de zefiro Estrada de santiago
Manda a... chuva de estrelinha, azul pavão
Brilha na noite V
ou de namorada, mão na mão
Perdi a escada para o céu Dos pardalinhos
Na ilusão da boa fada Toco na varinha de condão
Durmo na rua onde a..."

Wednesday, May 13, 2009

Enriqueça o seu vocabulário


Ontem, vinha com a R. da escola e ela vinha a contar-me a aula de ginástica:
- No jogo com as bolas, batíamos a bola com a mão dominante...
- O que é a mão dominante?
- É aquela que dá mais jeito. Tu não sabes palavras nenhumas...

Monday, May 11, 2009

Para que é que eu perguntei?

Descobri recentemente uma maneira de tomar café sem tirar os miúdos do carro, que é passar no McDrive e pedir a minha meiinha de leite na janelita. Já sei que é americanice e tal, mas não me interessa, eu nem sequer ando de carro, por isso de vez em quando, quando estou com pressa, dá imenso jeito.

Foi o que fizemos um dia destes e lá pedimos um café e uma meia de leite na janela. Quando chegámos à frente para recolher as bebidas, ouvi uma McRapariga dizer qualquer coisa para outra e perguntei ao J. o que é que ela tinha dito. Responde ele:

"Ó estúpida, não é assim que se faz uma meia de leite"

Thursday, May 7, 2009

Se podemos comunicar com o corpo

...para que é que precisamos de falar?

Foi o que a R. me perguntou hoje, quando vínhamos da Feira do Livro. E o que é que eu respondi? Sei lá, lá me desembrulhei com uma história sobre a evolução do homem e tal, ao que ela me respondeu "Ah, o G. (o primo) já rasteja, por isso é como o macaco a evoluir para o homem". Grande gargalhada que eu dei no metro!

Wednesday, May 6, 2009

Fame!

Hoje, para promover o NósPedalamos, estive com a madrinha da iniciativa (a Mafalda Arnauth) na Antena 3, a gravar uma parte do programa Nuno e Nando, com o Nuno Markl e o Fernando Alvim. Claro que a entrevistada era ela, eu só fornecia alguns pormenores técnicos, mas foi uma experiência muito gira. Já tenho representado o GEOTA na rádio e na televisão a falar de várias coisas, mas nunca num programa deste género, apresentado por pessoas da minha geração, cujo trabalho e carreira eu conheço bastante bem. E de quem gosto bastante, aliás.

O que foi mais estranho foi pensar que estavam ali duas pessoas que nunca me tinham visto, possivelmente nunca mais me vão ver, mas das quais eu sei imensas coisas. Suponho que é um bocado isso que define o que é ser famoso. Fiquei a achar que deve ser difícil lidar com o facto de se andar na rua e haver muita gente que conhece a nossa vida quotidiana. E daí, não sei, talvez seja reconfortante, como estar sempre numa rua de bairro...

Tuesday, May 5, 2009

Deve ser uma nova geração que anda aí...

Hoje fiz uns dez minutos de caminho a pé, mais ou menos lado a lado com dois rapazes (sendo que, tal como acontece com a minha idade, aquilo a que chamamos rapazes atinge uma faixa etária que vai esticando...) que iam para o emprego, algures no Parque das Nações.

E sobre que era a conversa? Sobre a hora de chegar ao trabalho, fulano chega a esta hora, beltrano chega à outra e sobre a roupa que se leva para ir trabalhar. Hoje está calor, trago camisa, ontem não estava, trazia não sei o quê... como parecia que eram colegas que até se conheciam bem e a conversa era tão de deitar fora, fiquei a pensar cá para mim: já não se fala de gajas nem de futebol?

Friday, April 24, 2009

25 de Abril, sempre!

Hoje estava a pensar no 25 de Abril e lembrei-me deste poema, que digo muitas vezes ao A. e à R. E pensei na liberdade de podermos ser cada um de nós e dizer sempre o que pensamos sem pressões de patrões, sem religiões, sem partidos - independentemente de podermos ser funcionários, religiosos ou filiados, se quisermos e pudermos. Pensei na liberdade de podermos ser verdadeiramente independentes. E acho que ainda não chegámos lá.

______________

Impressão Digital, António Gedeão

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

Friday, April 17, 2009

Provas destas é que a PJ precisava

Nem de propósito, tinha eu acabado de escrever o último post e já o A. me tinha pintado a porta da cozinha com o marcador verde. Vai daí, pu-lo de castigo na cama. Fui para a cozinha lavar a porta e aparece a R.:
- Mamã, o A. saiu da cama!
- Saiu? Como é que ele saiu?
- Não sei, mas está aqui ele para provar!