Monday, June 14, 2010
Eu vou, eu vou...
Hoje foi o dia de estreia da minha nova bicicleta desdobrável nas ruas de Lisboa. Com capacete e muitas cautelas, foi tãããão bom vir a pedalar desde casa. Viva a mobilidade sustentável!
Sunday, April 25, 2010
Para ti, M., 25 de Abril sempre!
Faz hoje 36 anos, eu tinha três e meio, estava em casa da minha avó e acabou o fascismo, a guerra colonial, a censura, a discriminação legal entre sexos. E a minha mãe estava grávida da J., o nosso bebé da Revolução e da liberdade.
Sinto sempre que sou privilegiada por ter crescido nos anos 70, por ter vivido, ainda criança, os primeiros anos da liberdade, quando acreditávamos que o país só podia mudar para melhor. Para mim, é um privilégio de geração conseguir apreciar tudo de bom que veio depois, sem esquecer que as mudanças foram muitas e que o antes era muito diferente, e ter ainda muitos anos pela frente para - à minha mais do que modesta escala - ajudar a melhorar o mundo.
Aprecio imensamente viver no século XXI, num país onde posso ser quem quero, dizer o que quero, educar os meus filhos como quero. As gerações antes de mim não tiveram essa sorte (basta falar do desperdício que foi não ter dado escolaridade a milhões de pessoas fantásticas que o país teve, ou dos milhares de portugueses e africanos que morreram na guerra), nem a têm muitas mulheres noutros sítios do mundo.
Por tudo isto, e porque acredito sinceramente que há muito mais pessoas boas do que más, vale a pena continuar a tentar, a formar pessoas melhores, a lutar para que as próximas gerações - mesmo sem terem crescido nos anos 70 - sejam muito melhores do que a minha.
E, agora, a J., que já nasceu em liberdade, vai ser mãe do M. Quando ele fizer seis anos e for para a escola, chegaremos ao ponto de viragem, teremos mais anos de liberdade do que de Estado Novo. Por tudo isto, e misturando história do país com a minha, obrigada J. e R.!
Sinto sempre que sou privilegiada por ter crescido nos anos 70, por ter vivido, ainda criança, os primeiros anos da liberdade, quando acreditávamos que o país só podia mudar para melhor. Para mim, é um privilégio de geração conseguir apreciar tudo de bom que veio depois, sem esquecer que as mudanças foram muitas e que o antes era muito diferente, e ter ainda muitos anos pela frente para - à minha mais do que modesta escala - ajudar a melhorar o mundo.
Aprecio imensamente viver no século XXI, num país onde posso ser quem quero, dizer o que quero, educar os meus filhos como quero. As gerações antes de mim não tiveram essa sorte (basta falar do desperdício que foi não ter dado escolaridade a milhões de pessoas fantásticas que o país teve, ou dos milhares de portugueses e africanos que morreram na guerra), nem a têm muitas mulheres noutros sítios do mundo.
Por tudo isto, e porque acredito sinceramente que há muito mais pessoas boas do que más, vale a pena continuar a tentar, a formar pessoas melhores, a lutar para que as próximas gerações - mesmo sem terem crescido nos anos 70 - sejam muito melhores do que a minha.
E, agora, a J., que já nasceu em liberdade, vai ser mãe do M. Quando ele fizer seis anos e for para a escola, chegaremos ao ponto de viragem, teremos mais anos de liberdade do que de Estado Novo. Por tudo isto, e misturando história do país com a minha, obrigada J. e R.!
Thursday, April 15, 2010
Musicas de todo o mundo - B
Hoje, estamos na Bolívia, com um grupo Kala marka, que cruza tradicional de várias regiões do país. Muito giro.
Depois de uma busca nada fácil, fica também uma música da Bósnia e Herzegovina.
Depois de uma busca nada fácil, fica também uma música da Bósnia e Herzegovina.
Tuesday, April 13, 2010
Teodoro, não vás ao sonoro...
Hoje, estava a dizer ao J. que não sabia bem como ia fazer na sexta-feira, porque preciso de ir ao Porto. O A., que estava por aqui a brincar, disse:
- Eh, não vás. Não gosto do Porto. Vai antes ao Sporting!
- Eh, não vás. Não gosto do Porto. Vai antes ao Sporting!
Wednesday, April 7, 2010
Qual é a palavra para isto? Ah, pois é!
Hoje, fui buscar ao A. uns ténis que lhe tinham oferecido e que ainda estavam dento da caixa e troquei-os pelos usados, que estão pequenos e muito velhos. Daí a bocado, apareceu ele com a caixa a dizer: "Mamã, vais descomprar estes sapatos?"
Friday, March 19, 2010
Feliz Dia do Pai
"Pai, és divertido.
Para mim és o maior!
Gosto muito de ti.
Beijos da R."
Esta mensagem e um pequeno almoço na escola com pais, que teve direito a mesa de banquete, máquina de café e jornal, foram os bons dias que os nossos miúdos deram ao J. Há lá melhor maneira de começar o dia?
Quanto a mim, o meu pai também é divertido, também é o maior, inspirou muitas decisões boas da minha vida e, claro está, gosto muito de ti!
Para mim és o maior!
Gosto muito de ti.
Beijos da R."
Esta mensagem e um pequeno almoço na escola com pais, que teve direito a mesa de banquete, máquina de café e jornal, foram os bons dias que os nossos miúdos deram ao J. Há lá melhor maneira de começar o dia?
Quanto a mim, o meu pai também é divertido, também é o maior, inspirou muitas decisões boas da minha vida e, claro está, gosto muito de ti!
Friday, March 12, 2010
A piada do dia
Ontem, ao chegar à escola, estava um cartaz com a piada do dia. Qual era? Na visita à Gulbenkian, a monitora perguntou à sala da infantil se sabia em que continente viviam os macacos. Responde o A.:
- Os macacos não sei, mas os Ferrari vivem na Europa!
Enfim, para além de me rir, ainda fico um bocadinho contente de saber que, pelo menos, o miúdo sabe que a Europa é um continente...
- Os macacos não sei, mas os Ferrari vivem na Europa!
Enfim, para além de me rir, ainda fico um bocadinho contente de saber que, pelo menos, o miúdo sabe que a Europa é um continente...
Saturday, March 6, 2010
Dormindo com os tubarões
A noite passada, a R. e eu dormimos no Oceanário. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível, proporcionada pela festa de anos da I., em que todos se portaram muito bem. Os monitores eram excelentes e foi, a todos os níveis, uma noite mágica. Que me lembre, só hoje e outra vez, no Atlas, dormi de óculos para poder ver a paisagem mesmo, mesmo até adormecer :-).
Wednesday, March 3, 2010
Músicas de todo o mundo - B
Friday, February 26, 2010
Músicas de todo o mundo - B
Hoje é o dia do Bangladesh. A música é gira, mas o vídeo é um espectáculo. Quantos destes é que já vimos, por alturas dos mundiais de futebol?
Temos, ainda, um reggae muito fixe, dos Barbados.
Da Bielorússia, não foi nada fácil escolher. Tudo o que encontrava on-line achei de fugir. Até que encontrei esta e quem me conhece sabe que eu nunca resisto a um acordeão...
Temos, ainda, um reggae muito fixe, dos Barbados.
Da Bielorússia, não foi nada fácil escolher. Tudo o que encontrava on-line achei de fugir. Até que encontrei esta e quem me conhece sabe que eu nunca resisto a um acordeão...
Tuesday, February 23, 2010
Lisboa viva urgente
É o que diz nas placas da estação da Alameda, ligação com São Sebastião. Só me lembrei daqueles textos em que se experimentam diferentes pontuações:
Lisboa? Viva urgente!
Lisboa viva: urgente!
Lisboa? Viva urgente!
Lisboa viva: urgente!
Friday, February 19, 2010
Musicas de todo o mundo - começa o B
Saturday, February 13, 2010
Remember me - Adeus, João Martins
Foi a mensagem de despedida deixada pelo João, antes de dar os passos terríveis que iriam acabar com a sua vida, de 21 anos. Deixou em todos nós uma sensação de irrealidade e de impotência, deixou uma família estável, deixou colegas e professores que gostavam dele, deixou uma vida toda pela frente. É certo que nunca o vamos esquecer, mas gostava tanto que não fosse por esta razão! É tarde para perguntar porquê e para pensar o que poderia ter sido feito, só nos resta esperar que ele esteja em paz agora e começar a aceitar a sua partida. E esperar que, a todos os que estão a viver este momento, possa servir de sinal para que peçam ajuda, quando precisarem. Na nossa escola, onde todos se conhecem pelo nome, vai ser um segundo semestre de luto, isso é certo.
Tuesday, February 9, 2010
Músicas de todo o mundo - para terminar o A
Esta noite de folclore tirolês é uma pérola da Áustria! E, para algo completamente diferente, terminamos o A com o Azerbaijão. Vamos ver o que nos espera no B (eu nem posso esperar!)...
Friday, February 5, 2010
Músicas de todo o mundo - A
Thursday, February 4, 2010
A que é que uma mãe pode aspirar mais?
Um destes dias, disse ao A.: "És muito querido, sabias?"
Ao que ele respondeu: "Tu também não és muito chata!"
Enfim, é a verdade de quem tem 3 anos e ainda não sabe dizê-la com floreados...
Ao que ele respondeu: "Tu também não és muito chata!"
Enfim, é a verdade de quem tem 3 anos e ainda não sabe dizê-la com floreados...
Tuesday, February 2, 2010
Músicas de todo o mundo - A
Ora aqui está um momento hilariante da Arábia Saudita, cujo humor nos escapa mas contagia...
E também, um belo som da Argélia e, dedicado à B., o meu músico preferido da Argentina, que tive o enorme prazer de ver ao vivo, há uns vinte anos, em Lisboa.
E também, um belo som da Argélia e, dedicado à B., o meu músico preferido da Argentina, que tive o enorme prazer de ver ao vivo, há uns vinte anos, em Lisboa.
Monday, February 1, 2010
Musicas de todo o mundo - A
Hoje é o dia da Alemanha (com direito a serrote como instrumento) e de Andorra. Esta última é a primeira participação do país na Eurovisão (em 2004), que foi um marco, por ter sido cantada em catalão. Quem diria que a Eurovisão ainda despertava paixões?
E fica, também, uma experiência bem gira em Angola.
E fica, também, uma experiência bem gira em Angola.
Janeiras e Fevereiras
Um destes dias, estava a explicar à R. o que eram as Janeiras e a cantar algumas músicas da época. É então que ela diz:
- Eu sei uma música das Janeiras: "Venha ao Pingo Doce, de Janeiro a Janeiro"...
- Eu sei uma música das Janeiras: "Venha ao Pingo Doce, de Janeiro a Janeiro"...
Thursday, January 28, 2010
Subtilezas
Na piscina onde vamos, há um cartaz à entrada do estacionamento onde se diz que se "declina qualquer responsabilidade na ocorrência de danos ou roubos". Gosto particularmento da delicadeza que está subjacente à palavra "declina". Como que fosse algo que gostariam muito, muito de aceitar, mas não pudessem, por razões alheias à sua vontade. É muito mais simpático do que as folhas afixadas no balneário onde a expressão usada é "não se responsabiliza"...
Wednesday, January 27, 2010
Musicas de todo o mundo - A
Hoje é a vez da África do Sul e do Acrotiri e Decelia.
A primeira vez que ouvi músicas sul-africanas ao vivo foi na Expo 92, em Sevilha, e recordo-me que só passado um bom bocado é que percebemos que a música era toda cantada e não havia instrumentos!
Quanto ao Acrotiri e Decelia (dados wikipedia), a primeira vez que ouvi falar delas foi ontem... não é um estado soberano, são bases britânicas soberanas no Chipre, administradas pelo Ministério da Defesa Britânico.
A primeira vez que ouvi músicas sul-africanas ao vivo foi na Expo 92, em Sevilha, e recordo-me que só passado um bom bocado é que percebemos que a música era toda cantada e não havia instrumentos!
Quanto ao Acrotiri e Decelia (dados wikipedia), a primeira vez que ouvi falar delas foi ontem... não é um estado soberano, são bases britânicas soberanas no Chipre, administradas pelo Ministério da Defesa Britânico.
Tuesday, January 26, 2010
Músicas de todo o mundo - Inauguração oficial
Vai começar hoje, aqui mesmo no blogue, um novo projecto pessoal. Procurar uma música de cada país do mundo e colocá-la (ou ao link) aqui. A ordem vai ser alfabética e sem nenhuma preocupação, a não ser a de escolher uma música que me agrade. Estou ansiosa pela pela descoberta e espero que os meus visitantes a apreciem tanto quanto eu.
Começo pelo Afeganistão.
Começo pelo Afeganistão.
Tributo ao Haiti
Passados já tantos dias, começa a ser tempo de enterrar os mortos e cuidar dos vivos, como já se disse em Lisboa, em 1755. Se virmos as imagens do GoogleEarth do Haiti percebemos que já era um país, de certa forma, em escombros. Só nos resta esperar que desta tragédia resulte algo de maior. Aqui fica um tributo musical, na voz de Webert Sicot, um músico famoso do país.
Saturday, January 23, 2010
Em Janeiro...
uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar.
Enfim, a Primavera não está quase, mas lá chegaremos...
Enfim, a Primavera não está quase, mas lá chegaremos...
Sunday, January 17, 2010
Santo Amaro
Este fim-de-semana, foi a festa de Santo Amaro, em Alfeizerão. Encontrei aqui algumas informações sobre a vida de Santo Amaro, que também é festejado não muito longe dali, em Pombal.
Não sei qual a origem da comemoração deste santo ali, mas a festa religiosa - com a respectiva procissão - é acompanhada de vários outros usos e costumes, que estive hoje a aprender. Há sempre uma feira, onde os produtos tradicionais são os colares de pinhões e de maçãs, a fogaça da festa (vendida na capela), em forma de ferradura, as cavacas. Outros pontos altos altos da festa são a fogueira no largo, que arde vários dias e noites, o grupo de homens que vai cantando pela vila, até não poder mais (o que quer dizer até o álcool os vencer) e ainda a votação de quem será o juiz da festa do ano seguinte.
Numa época em que as tradições são transformadas em momentos turísticos e se inventam festas e festivais por todo o lado, é sempre bom ver que ainda existem momentos em que a tradição se reinventa a si própria, numa renovação constante daquilo que era.
Não sei qual a origem da comemoração deste santo ali, mas a festa religiosa - com a respectiva procissão - é acompanhada de vários outros usos e costumes, que estive hoje a aprender. Há sempre uma feira, onde os produtos tradicionais são os colares de pinhões e de maçãs, a fogaça da festa (vendida na capela), em forma de ferradura, as cavacas. Outros pontos altos altos da festa são a fogueira no largo, que arde vários dias e noites, o grupo de homens que vai cantando pela vila, até não poder mais (o que quer dizer até o álcool os vencer) e ainda a votação de quem será o juiz da festa do ano seguinte.
Numa época em que as tradições são transformadas em momentos turísticos e se inventam festas e festivais por todo o lado, é sempre bom ver que ainda existem momentos em que a tradição se reinventa a si própria, numa renovação constante daquilo que era.
Wednesday, January 13, 2010
Back to the 80's...
Pois é, a moda retro está na mesmo na moda. Em tudo. Até nas redes sociais virtuais, onde fervilham grupos de reencontro dos amigos de infância e adolescência. Graças aos e-mails e ao Facebook, no próximo Sábado tenho um almoço com os amigos do liceu. Ou seja, aquelas pessoas à volta de quem (se exceptuarmos a família e um ou outro amigo) a minha vida gravitou entre 1984 e 1989 e com os quais não mantive muito contacto depois disso, porque a vida é mesmo assim... Prevejo momentos divertidos. Apesar de não achar, como na música, que foram "the best days of my life", foram bastante bons, há que reconhecê-lo.
O meu primeiro pensamento quando soube do almoço foi, também ele, um regresso à adolescência: O que é que eu hei-de vestir? Suponho que uma permanente com popa, uns ténis Sanjo, uma camisola preta com duas riscas horizontais e um casaco com grande chumaços estão fora de questão...
O meu primeiro pensamento quando soube do almoço foi, também ele, um regresso à adolescência: O que é que eu hei-de vestir? Suponho que uma permanente com popa, uns ténis Sanjo, uma camisola preta com duas riscas horizontais e um casaco com grande chumaços estão fora de questão...
Monday, January 11, 2010
Balanços
O ano de 2009 foi, aqui em casa, um grande ano. Bem sei que temos a crise e blá, blá, e que o rendimento é sempre curto, mas agora compreendo como é que é possível algumas pessoas de mais idade acharem que os seus anos de juventude foram sempre maravilhosos - mesmo quando passavam fome, havia muito mais doenças sem cura e viviam em ditadura.
No fundo, sabemos bem que o que realmente nos afecta é o que diz respeito à nossa família e amigos chegados. Se eles estiverem bem, tudo o resto passa para segundo plano. E se pensar que, em 2009, não fui a nenhum funeral nem hospital, que as maleitas foram menores ou maiores, mas ultrapassadas, e que terminámos o ano com toda a família junta, acho que se pode dizer que foi um ano muito feliz.
E já se sabe que a felicidade não tem grande história e que gozá-la gasta tempo e energia. Ainda assim , há momentos deliciosamente partilháveis, como o A. a rezar "Beijinho da guarda, minha companhia..."
No fundo, sabemos bem que o que realmente nos afecta é o que diz respeito à nossa família e amigos chegados. Se eles estiverem bem, tudo o resto passa para segundo plano. E se pensar que, em 2009, não fui a nenhum funeral nem hospital, que as maleitas foram menores ou maiores, mas ultrapassadas, e que terminámos o ano com toda a família junta, acho que se pode dizer que foi um ano muito feliz.
E já se sabe que a felicidade não tem grande história e que gozá-la gasta tempo e energia. Ainda assim , há momentos deliciosamente partilháveis, como o A. a rezar "Beijinho da guarda, minha companhia..."
Tuesday, December 15, 2009
Ser ou estar
Há quem diga que são sinónimos, que é o mesmo verbo. Um diz destes estava a pensar na diferença entre ser feliz e estar feliz. Ora, ser feliz é um estado mais consciente, é algo que sabemos que somos. Estar feliz é um estado que não se prolonga na consciência, é uma sensação temporária. Posto isto, desejo a todos que sejam e estejam felizes no próximo Natal!
Monday, November 16, 2009
É consoante(s)...
Enquanto a R. galopa pelo mundo fascinante das consoantes, o A. canta, canta, canta pela casa, extasiado com a possibilidade de cantar sozinho melodias inteiras.
Há uma música da "Dora, a exploradora" que eles têm ouvido. Há bocado, andava ele por aí "lá, lá, lá, lálá, vou tocar baratas...". Baratas? Ah, pois, é maracas...
Há uma música da "Dora, a exploradora" que eles têm ouvido. Há bocado, andava ele por aí "lá, lá, lá, lálá, vou tocar baratas...". Baratas? Ah, pois, é maracas...
Friday, November 6, 2009
Momento Farmville
Que culturas é que tenho de plantar para poder ir de fim-de-semana descansada? Ai, ai, para o que uma pessoa está guardada...
Friday, October 30, 2009
Doçaria às escondidas
Hoje, estava a fazer uma mousse para a festa de anos do A. Já tinha o chocolate derretido e comecei a partir os ovos, deitando as gemas no chocolate. Quando estava com a batedeira a começar a misturar as gemas, o A. veio pedir para me ajudar e perguntou o que é que eu estava a fazer. Quando lhe disse que estava a fazer mousse, ele perguntou: "E estás a esconder os ovos?"
Friday, October 23, 2009
Boas ideias
O projecto my charity: water mostra como, muitas vezes, basta uma boa ideia para mudar a vida de muita gente. Bem, basta uma boa ideia, a genica e os conhecimentos técnicos e pessoais para a por em prática e a boa vontade das muitas pessoas que contribuem. Mas não deixa de ser uma boa ideia. E não deixa de mudar a vida de muita gente. E não deixo de pensar que a maior parte das coisas boas que se fazem no mundo começaram assim e que muitas vezes gastamos demasiada energia humana onde não devemos, com tanta gente por aí capaz de ter boas ideias.
Sunday, October 18, 2009
Parabéns Pai!
Passámos um óptimo fim-de-semana em São Martinho e o ponto alto foi a festa de anos do avô. Agora que temos a nossa casinha linda e arranjada, é o melhor sítio para nos lembrarmos de como somos felizes. E os 64 anos do nosso pai são uma parte fundamental desta felicidade!
Tuesday, October 13, 2009
Diz o Saramago...
...na sua A Viagem do Elefante que "Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas" (p. 223) e que "Se toda a gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor" (p. 255).
Ora, hoje a R. disse-me, enquanto o A. lhe moía a paciência, que agora é que via como devia ser bom ser filha única...
Mas, porque tenho a certezinha absoluta de que os irmãos nos fazem muito felizes e para fazer o que posso para não perder de todo esta ocasião: PARABÉNS ATRASADOS MANA!
Friday, October 2, 2009
Iniciação musical
O A. teve hoje a sua primeira aula de música na escola. Entrou no carro para ir para casa e o rádio estava ligado. Disse logo, muito contente, "Isto é um som musical?"
Monday, September 28, 2009
Suspiro de mãe!
A R. anda muito, muito contente nesta sua viagem pelo 1º ano. Um destes dias, perguntei-lhe se a professora iria ver, no dia seguinte, se os meninos tinham feito os trabalhos de casa. Ao que ela responde:
- Nããão. Se ela mandou toda a gente fez!
- Nããão. Se ela mandou toda a gente fez!
Wednesday, September 23, 2009
Por essas e por outras é que eu gosto tanto das dobragens portuguesas
O filme preferido do A., que agora vemos vezes sem conta, é o Cars. Há no filme duas personagens deliciosas, o Fillmore, uma carrinha pão-de-forma hippie e o Sarge, um Hummer todo dado à tropa, que têm uma relação de amizade assente nos mais absolutos opostos.
O meu momento preferido do filme é protagonizado por estes dois amigos. O Sarge acorda ao som de uma alvorada militar; ouve-se, em seguida, a música muito alta do Fillmore e o seguinte diálogo:
Sarge: - Desliga essa porcaria e vai ver se chove!
Fillmore: - Respeita os clássicos, man, é o Hendrix...
Está claro que estas duas frases agora servem para tudo cá em casa...
O meu momento preferido do filme é protagonizado por estes dois amigos. O Sarge acorda ao som de uma alvorada militar; ouve-se, em seguida, a música muito alta do Fillmore e o seguinte diálogo:
Sarge: - Desliga essa porcaria e vai ver se chove!
Fillmore: - Respeita os clássicos, man, é o Hendrix...
Está claro que estas duas frases agora servem para tudo cá em casa...
Monday, September 21, 2009
O factor de união
Quem anda de metro em Lisboa, conhece bem aquelas pessoas que são uma espécie de pedintes profissionais, que há muitos anos pedem diariamente no metro, na Baixa, nas estações. E há também os cauteleiros, que dizem a sua ladainha ("olha o 13, anda à roda, olha o 56), que por vezes se junta à de quem pede ("tenha a bondade de auxiliar...").
Pois hoje, estava eu no metro a ouvir o cauteleiro que, de pé atrás de mim, ia anunciando números, quando chega um cego a pedir, com as suas frases habituais. O engraçado é que, quando se cruzaram, se cumprimentaram, fizeram uma pausa e começaram a falar do jogo de hoje à noite. E está visto que ambos torcem pelo Sporting.
Pois hoje, estava eu no metro a ouvir o cauteleiro que, de pé atrás de mim, ia anunciando números, quando chega um cego a pedir, com as suas frases habituais. O engraçado é que, quando se cruzaram, se cumprimentaram, fizeram uma pausa e começaram a falar do jogo de hoje à noite. E está visto que ambos torcem pelo Sporting.
Thursday, September 17, 2009
More than words
Um dia destes, no jardim ao pé da escola (que, por sinal, é um espaço onde se passam as mais estranhas e variadas coisas) ia a passar e ouvi as seguintes palavras, vindas de uma de três mulheres sentadas num banco:
"- Ela disse que não tinha nenhuma obrigação. Eu disse-lhe, não tens a obrigação mas tens o dever."
Este esmiuçar - como se diz agora - das palavras é uma coisa que me seduz sempre. Esta frase deu-me que pensar na viagem de metro para casa. Lembrei-me que, antigamente, se chamava "deveres" àquilo a que hoje se chama "trabalhos", como se fazê-los não fosse obrigatório, como se valorizássemos mais a execução de uma tarefa do que o imperativo moral de a fazer. Afinal, que satisfação podemos tirar de um trabalho? Não é melhor ter um dever cumprido?
E esta diferença entre obrigação e dever é interessante. Podem parecer sinónimos mas não são. Porque eu posso mesmo não ser obrigada a fazer uma coisa, ter a opção de me borrifar e virar costas, mas ainda assim ter o dever (moral, social) de a fazer. E, pelo menos segundo esta senhora (e eu inclino-me a concordar com ela), é muito mais grave fugir a um dever do que a uma obrigação.
"- Ela disse que não tinha nenhuma obrigação. Eu disse-lhe, não tens a obrigação mas tens o dever."
Este esmiuçar - como se diz agora - das palavras é uma coisa que me seduz sempre. Esta frase deu-me que pensar na viagem de metro para casa. Lembrei-me que, antigamente, se chamava "deveres" àquilo a que hoje se chama "trabalhos", como se fazê-los não fosse obrigatório, como se valorizássemos mais a execução de uma tarefa do que o imperativo moral de a fazer. Afinal, que satisfação podemos tirar de um trabalho? Não é melhor ter um dever cumprido?
E esta diferença entre obrigação e dever é interessante. Podem parecer sinónimos mas não são. Porque eu posso mesmo não ser obrigada a fazer uma coisa, ter a opção de me borrifar e virar costas, mas ainda assim ter o dever (moral, social) de a fazer. E, pelo menos segundo esta senhora (e eu inclino-me a concordar com ela), é muito mais grave fugir a um dever do que a uma obrigação.
Tuesday, June 30, 2009
Esmeros...
Estava a tomar café numa pastelaria aqui do bairro, quando reparo na frase impressa no papel com que embrulham os bolos: "Esmerado serviço de pastelaria".
Fiquei cá comigo a pensar que esta é uma palavra que está em desuso e que nos faz imensa falta. Queremos ser competitivos, competentes, produtivos, modernizados, motivados e sei lá mais o quê, mas o que é feito do esmero? Daquele esmero que está associado ao esforço de fazermos o melhor que sabemos, mesmo sem estarmos a ser competitivos (e eu acredito que, quando se faz o melhor que se sabe, isso acaba por acontecer)?
E deixo bem claro que não estou a falar do esmero de ter uma caligrafia perfeita, a custo de reguada, mas de uma coisa meio obscura chamada brio pessoal...
Fiquei cá comigo a pensar que esta é uma palavra que está em desuso e que nos faz imensa falta. Queremos ser competitivos, competentes, produtivos, modernizados, motivados e sei lá mais o quê, mas o que é feito do esmero? Daquele esmero que está associado ao esforço de fazermos o melhor que sabemos, mesmo sem estarmos a ser competitivos (e eu acredito que, quando se faz o melhor que se sabe, isso acaba por acontecer)?
E deixo bem claro que não estou a falar do esmero de ter uma caligrafia perfeita, a custo de reguada, mas de uma coisa meio obscura chamada brio pessoal...
Wednesday, June 24, 2009
Surfistas e havaianas
É sempre com alguma alegria, misturada de incredulidade, que vejo chegar a silly season. Este ano, vimo-la chegar via festa de fim de ano da escola da R. Não é que o programa inclui a eleição do Surfista 2009 e da Miss Havaiana, a par com uma Beach Dance e com um dress code de "Roupa de verão gira e havaianas"?
Thursday, June 18, 2009
Chicken a la carte
Segundo diz neste pequeno filme, trata-se de uma história real. Ainda que seja encenada, dá muito que pensar, porque há por aí muitas histórias reais bem mais cruéis que a ficção.
É muito impressionante e muiot bem feito.
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte
É muito impressionante e muiot bem feito.
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte
Sunday, June 7, 2009
Flor de Jacarandá
Quando chega o mês de Maio, entrando depois por Junho, estas árvores que parecem invisíveis durante o resto do ano surpreendem-nos em cantos e recantos de Lisboa, dando pinceladas de roxo à nossa vida. E eu não consigo ver uma que não me lembre da música do Vitorino. Isso quer dizer que passo o mês a cantarolar
"Flor do jacarandá
Cai, leve no passeio
Céu d´outro mar sonhado
Chão de anilado estio.
A florir, lá no mês de sonho tapete de voar
Nas luas de zefiro Estrada de santiago
Manda a... chuva de estrelinha, azul pavão
Brilha na noite V
ou de namorada, mão na mão
Perdi a escada para o céu Dos pardalinhos
Na ilusão da boa fada Toco na varinha de condão
Durmo na rua onde a..."
"Flor do jacarandá
Cai, leve no passeio
Céu d´outro mar sonhado
Chão de anilado estio.
A florir, lá no mês de sonho tapete de voar
Nas luas de zefiro Estrada de santiago
Manda a... chuva de estrelinha, azul pavão
Brilha na noite V
ou de namorada, mão na mão
Perdi a escada para o céu Dos pardalinhos
Na ilusão da boa fada Toco na varinha de condão
Durmo na rua onde a..."
Wednesday, May 13, 2009
Enriqueça o seu vocabulário
Ontem, vinha com a R. da escola e ela vinha a contar-me a aula de ginástica:
- No jogo com as bolas, batíamos a bola com a mão dominante...
- O que é a mão dominante?
- É aquela que dá mais jeito. Tu não sabes palavras nenhumas...
Monday, May 11, 2009
Para que é que eu perguntei?
Descobri recentemente uma maneira de tomar café sem tirar os miúdos do carro, que é passar no McDrive e pedir a minha meiinha de leite na janelita. Já sei que é americanice e tal, mas não me interessa, eu nem sequer ando de carro, por isso de vez em quando, quando estou com pressa, dá imenso jeito.
Foi o que fizemos um dia destes e lá pedimos um café e uma meia de leite na janela. Quando chegámos à frente para recolher as bebidas, ouvi uma McRapariga dizer qualquer coisa para outra e perguntei ao J. o que é que ela tinha dito. Responde ele:
"Ó estúpida, não é assim que se faz uma meia de leite"
Foi o que fizemos um dia destes e lá pedimos um café e uma meia de leite na janela. Quando chegámos à frente para recolher as bebidas, ouvi uma McRapariga dizer qualquer coisa para outra e perguntei ao J. o que é que ela tinha dito. Responde ele:
"Ó estúpida, não é assim que se faz uma meia de leite"
Thursday, May 7, 2009
Se podemos comunicar com o corpo
...para que é que precisamos de falar?
Foi o que a R. me perguntou hoje, quando vínhamos da Feira do Livro. E o que é que eu respondi? Sei lá, lá me desembrulhei com uma história sobre a evolução do homem e tal, ao que ela me respondeu "Ah, o G. (o primo) já rasteja, por isso é como o macaco a evoluir para o homem". Grande gargalhada que eu dei no metro!
Foi o que a R. me perguntou hoje, quando vínhamos da Feira do Livro. E o que é que eu respondi? Sei lá, lá me desembrulhei com uma história sobre a evolução do homem e tal, ao que ela me respondeu "Ah, o G. (o primo) já rasteja, por isso é como o macaco a evoluir para o homem". Grande gargalhada que eu dei no metro!
Wednesday, May 6, 2009
Fame!
Hoje, para promover o NósPedalamos, estive com a madrinha da iniciativa (a Mafalda Arnauth) na Antena 3, a gravar uma parte do programa Nuno e Nando, com o Nuno Markl e o Fernando Alvim. Claro que a entrevistada era ela, eu só fornecia alguns pormenores técnicos, mas foi uma experiência muito gira. Já tenho representado o GEOTA na rádio e na televisão a falar de várias coisas, mas nunca num programa deste género, apresentado por pessoas da minha geração, cujo trabalho e carreira eu conheço bastante bem. E de quem gosto bastante, aliás.
O que foi mais estranho foi pensar que estavam ali duas pessoas que nunca me tinham visto, possivelmente nunca mais me vão ver, mas das quais eu sei imensas coisas. Suponho que é um bocado isso que define o que é ser famoso. Fiquei a achar que deve ser difícil lidar com o facto de se andar na rua e haver muita gente que conhece a nossa vida quotidiana. E daí, não sei, talvez seja reconfortante, como estar sempre numa rua de bairro...
O que foi mais estranho foi pensar que estavam ali duas pessoas que nunca me tinham visto, possivelmente nunca mais me vão ver, mas das quais eu sei imensas coisas. Suponho que é um bocado isso que define o que é ser famoso. Fiquei a achar que deve ser difícil lidar com o facto de se andar na rua e haver muita gente que conhece a nossa vida quotidiana. E daí, não sei, talvez seja reconfortante, como estar sempre numa rua de bairro...
Tuesday, May 5, 2009
Deve ser uma nova geração que anda aí...
Hoje fiz uns dez minutos de caminho a pé, mais ou menos lado a lado com dois rapazes (sendo que, tal como acontece com a minha idade, aquilo a que chamamos rapazes atinge uma faixa etária que vai esticando...) que iam para o emprego, algures no Parque das Nações.
E sobre que era a conversa? Sobre a hora de chegar ao trabalho, fulano chega a esta hora, beltrano chega à outra e sobre a roupa que se leva para ir trabalhar. Hoje está calor, trago camisa, ontem não estava, trazia não sei o quê... como parecia que eram colegas que até se conheciam bem e a conversa era tão de deitar fora, fiquei a pensar cá para mim: já não se fala de gajas nem de futebol?
E sobre que era a conversa? Sobre a hora de chegar ao trabalho, fulano chega a esta hora, beltrano chega à outra e sobre a roupa que se leva para ir trabalhar. Hoje está calor, trago camisa, ontem não estava, trazia não sei o quê... como parecia que eram colegas que até se conheciam bem e a conversa era tão de deitar fora, fiquei a pensar cá para mim: já não se fala de gajas nem de futebol?
Friday, April 24, 2009
25 de Abril, sempre!
Hoje estava a pensar no 25 de Abril e lembrei-me deste poema, que digo muitas vezes ao A. e à R. E pensei na liberdade de podermos ser cada um de nós e dizer sempre o que pensamos sem pressões de patrões, sem religiões, sem partidos - independentemente de podermos ser funcionários, religiosos ou filiados, se quisermos e pudermos. Pensei na liberdade de podermos ser verdadeiramente independentes. E acho que ainda não chegámos lá.
______________
Impressão Digital, António Gedeão
Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
______________
Impressão Digital, António Gedeão
Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
Friday, April 17, 2009
Provas destas é que a PJ precisava
Nem de propósito, tinha eu acabado de escrever o último post e já o A. me tinha pintado a porta da cozinha com o marcador verde. Vai daí, pu-lo de castigo na cama. Fui para a cozinha lavar a porta e aparece a R.:
- Mamã, o A. saiu da cama!
- Saiu? Como é que ele saiu?
- Não sei, mas está aqui ele para provar!
- Mamã, o A. saiu da cama!
- Saiu? Como é que ele saiu?
- Não sei, mas está aqui ele para provar!
Tenho um anjinho da guarda e dou-lhe muito trabalho
Frase dedicada ao A. e à R., depois de a ter ouvido numa música hoje.
Friday, March 27, 2009
Para a Tânia, que nos deixou hoje
CÃO
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...Sai depressa, ó cão, deste poema!
Alexandre O'NeillPoesias Completas. 1951-1986Lisboa, INCM, 1990 (3ª ed.)
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...Sai depressa, ó cão, deste poema!
Alexandre O'NeillPoesias Completas. 1951-1986Lisboa, INCM, 1990 (3ª ed.)
Sunday, March 15, 2009
Coisas difíceis...
Hoje o jantar foi lombo de porco assado. Diz a R.: "Ah, esta é daquela carne que se mastiga, mastiga e nunca mais se dissolve..."
Wednesday, March 11, 2009
Mentirinhas - o vencedor é...
Venho então apresentar os resultados:
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
Mentira! Parti uma taça de sobremesa, que andava por lá há anos, já toda esbeirada e não desaparecia... cães de louça nunca por lá houve.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
Verdade! Tinha aí uns dez anos. Apesar de os meus primos me dizerem para fugir, eu apresentei-me ao dono e disse que tinha sido eu e que pagava o arranjo. Mas depois ele disse que tinham sido 2000 escudos e eu pedi-lhe a factura como prova. Como ele não apresentou, nao paguei...
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
Mentira! Não tenho óptimo ouvido, nem nunca quis tocar harpa. Mas queria um piano e a minha mãe dizia, realmente, que se entrasse um piano, eu tinha de sair porque já nã tínhamos espaço.
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
Verdade! Foi uma actuação e tanto.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
Verdade! Adoro andar de teleférico, acho fabuloso subir e descer montanhas.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
Verdade! Um castanho e um verde. Só dei por isso a meio da manhã.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
Mentira! Cada vez gosto menos de falar ao telefone.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
Verdade! Mas acho que o que me fascinava era a ideia de andar no campo, de um lado para o outro e não os animais, dos quais nem sequer gosto muito.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
Mentira! Na verdade, quando era miúda, gostava do nome, mas a R., se fosse rapaz, teria sido Gil.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
Verdade! Foi tão lindo!
A verncedora é a Billy. E agora, o que faço com o livro? Mando para Buenos Aires?
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
Mentira! Parti uma taça de sobremesa, que andava por lá há anos, já toda esbeirada e não desaparecia... cães de louça nunca por lá houve.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
Verdade! Tinha aí uns dez anos. Apesar de os meus primos me dizerem para fugir, eu apresentei-me ao dono e disse que tinha sido eu e que pagava o arranjo. Mas depois ele disse que tinham sido 2000 escudos e eu pedi-lhe a factura como prova. Como ele não apresentou, nao paguei...
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
Mentira! Não tenho óptimo ouvido, nem nunca quis tocar harpa. Mas queria um piano e a minha mãe dizia, realmente, que se entrasse um piano, eu tinha de sair porque já nã tínhamos espaço.
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
Verdade! Foi uma actuação e tanto.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
Verdade! Adoro andar de teleférico, acho fabuloso subir e descer montanhas.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
Verdade! Um castanho e um verde. Só dei por isso a meio da manhã.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
Mentira! Cada vez gosto menos de falar ao telefone.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
Verdade! Mas acho que o que me fascinava era a ideia de andar no campo, de um lado para o outro e não os animais, dos quais nem sequer gosto muito.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
Mentira! Na verdade, quando era miúda, gostava do nome, mas a R., se fosse rapaz, teria sido Gil.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
Verdade! Foi tão lindo!
A verncedora é a Billy. E agora, o que faço com o livro? Mando para Buenos Aires?
Tuesday, March 10, 2009
O condoninho da Renata
É um espectáculo este link, onde podemos acompanhar, em directo, a vida de um casal de cegonhas no ninho. Eu sei que é um pouco voyeurismo e que pode parecer enfadonho, mas experimentem e vejam como vale a pena.
Friday, March 6, 2009
Verdade ou consequência?
Bem, respondendo então ao desafio que veio de Buenos Aires, cá ficam 10 afirmações sobre a minha pessoa, 4 falsas e 6 verdadeiras. Quais são quais? Vá, opiniem!!! O prémio para o vencedor será... um livro registado no BookCrossing, que o vencedor terá de ler e partilhar.
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
Thursday, March 5, 2009
O mundo aqui ao lado
Ao morrer, na semana passada, com 66 anos, José Mégre conhecia todos os países do mundo, à excepção do Iraque, no qual não lhe deram visto para entrar.
Este é o meu mapa-mundi, bem mais modesto, claro está:

visited 21 states (9.33%)
Create your own visited map of The World or website vertaling duits?
Este é o meu mapa-mundi, bem mais modesto, claro está:
visited 21 states (9.33%)
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Monday, March 2, 2009
Uauaua, obrigada J. e R.!
Onde é eu estive no Sábado passado, adivinhem lá? Estive a gozar a prenda de Natal dos meus queridos irmã e cunhado, no Opium day spa. Comecei por um Duche Vichy, que ADOREI. Haverá alguma coisa melhor do que estar deitada, com jactos de aguinha quente a percorrer o corpo (e os pés!), enquanto nos massajam? Se houver, só se for a massagem Hot stones, para onde me encaminhei logo de seguida, que se pode descrever como uma hora de conforto e prazer e relaxamento e... na realidade, acho que não se consegue muito bem descrever, só mesmo sentindo.
O spa era longe, no fim do IC19, mas valia muito a pena, porque as instalações são novas e impecáveis e o atendimento de grande simpatia e qualidade. Foram duas horinhas muito bem passadas, lá isso foram. Muito obrigada, meus queridos, Deus vos pague e abençoe.
O spa era longe, no fim do IC19, mas valia muito a pena, porque as instalações são novas e impecáveis e o atendimento de grande simpatia e qualidade. Foram duas horinhas muito bem passadas, lá isso foram. Muito obrigada, meus queridos, Deus vos pague e abençoe.
Monday, January 26, 2009
Ele há coisas...
Hoje, na escola da R. levantou-se um enorme mistério, tão grande que ela e as colegas tiveram de chamar a educadora para o resolver: como é que a fada dos dentinhos descobriu que tinha caído um dente à R. e lhe pôs o livro da Bruxa Esbrenhuxa debaixo da almofada se ela engoliu o dente e não tinha nada para lá pôr?
O que vale é que a São tem muuuitos anos de experiência e arranjou logo ali uma solução mágica, que até metia radiografias e tudo! Viva a fada dos dentinhos (e a São)!
O que vale é que a São tem muuuitos anos de experiência e arranjou logo ali uma solução mágica, que até metia radiografias e tudo! Viva a fada dos dentinhos (e a São)!
Wednesday, January 21, 2009
Portugal continua nos melhores do mundo
No que diz respeito à taxa de mortalidade infantil, Portugal está hoje entre os melhores países do mundo, com 4 mortes por mil nascimentos, que é o segundo melhor número, a seguir a um grupo de seis países que têm 3 em mil. Se pensarmos que, em 1960, esse número era de 77,5 mortes em mil, acho que temos muito de que nos orgulhar. Agora, tal como diz neste artigo, há ainda que humanizar um pouco mais os hospitais. Não podia concordar mais com o que é dito quanto aos partos em casa, não acho que seja por aí o caminho. Como ja ouvi dizer, há países "civilizados", como o Reino Unido, que os incentivam, porque o Estado poupa com isso (e que têm mortalidades infantis superiores à nossa). Eu prefiro que, pelo menos nisto, não se poupe.
O relatório da UNICEF de 2009 está aqui. Claro que é impossível lê-lo sem ver os números terríveis dos países africanos ou de sítios como o Afeganistão. Eu acho especialmente triste ver os dados dos países de expressão portuguesa, porque mostram muito bem que a herança que deixámos não foi das melhores e que, enquanto nós por aqui melhoramos a olhos vistos, eles nem por isso. Dirão que a responsabilidade já não é nossa. Não? Não sei...
De qualquer forma, os números da UNICEF, a nível mundial, são encorajadores. Ainda bem, mas há tanto por fazer ainda...
Wednesday, January 14, 2009
A última flor, de James Thurber
Ao ouvir a notícias de Gaza, nas últimas semanas, mais uma vez lembrei-me deste livro, que os meus pais tinham (e que eu surripiei quando vim para minha casa - juntamente com a Obra Poética do David Mourão Ferreira, e o Pavarotti a cantar o Ave Maria de Schubert; há coisas que devem andar sempre connosco). Finalmente, alguém o pôs no youtube. Está aqui.
Wednesday, January 7, 2009
Se todos desejarmos um bocadinho, quem sabe...
Umas das poucas pessoas que conheço pessoalmente do Bookcrossing é a Tânia, a Snowshoee. A Tânia sofre de uma insuficiência cardíaca, que se tem vindo a agravar, e está neste momento à espera de um transplante de coração, com muita, muita urgência.
Porque tem 26 anos, porque a vida nem sempre é justa, porque tem sido muito corajosa, porque é uma situação que nenhum de nós pode imaginar, a onda de solidariedade que se gerou, quer em Portugal, quer nos bookcrossers do mundo inteiro é enorme.
Há, neste momento, velas reais e virtuais, preces e desejos em todo o mundo, como podemos ver neste blogue. A sensação de impotência perante tamanha tragédia pessoal é enorme, neste mundo onde parece que tudo pode ter solução, desde que haja vontade. Mas, neste caso, parece realmente não haver nada a fazer, a não ser esperar um milagre. Assim fazemos.
Porque tem 26 anos, porque a vida nem sempre é justa, porque tem sido muito corajosa, porque é uma situação que nenhum de nós pode imaginar, a onda de solidariedade que se gerou, quer em Portugal, quer nos bookcrossers do mundo inteiro é enorme.
Há, neste momento, velas reais e virtuais, preces e desejos em todo o mundo, como podemos ver neste blogue. A sensação de impotência perante tamanha tragédia pessoal é enorme, neste mundo onde parece que tudo pode ter solução, desde que haja vontade. Mas, neste caso, parece realmente não haver nada a fazer, a não ser esperar um milagre. Assim fazemos.
Monday, January 5, 2009
Sunday, January 4, 2009
Planisfério pessoal, de Gonçalo Cadilhe
Tal como os livros anteriores do Gonçalo Cadilhe que tinha lido (A lua pode esperar e, sobretudo, África acima) este livro causou-me uma impressão muito forte e vários tipos de sentimentos.
Tal como os anteriores, li-o de uma assentada, perdendo horas de sono, o que quer dizer que dei a volta ao mundo numa noite (o que talvez não agradasse muito ao autor, assim como facto de o ter lido através do bookcrossing, que ele - que não consegue cortar o cordão umbilical com os seus livros - considera "uma promiscuidade irresponsável").
Comecei a gostar do livro ainda antes de o ler, porque acho o título muito bonito. A palavra pessoal (como no programa da TSF Pessoal e Transmissível e não como em "Vou beber um copo ao Bairro Alto, com o pessoal") lembra-me que todos somos únicos, mas não necessariamente individualistas. Depois, entrei na vertigem de uma volta ao mundo que o autor traçou pelos caminhos menos convencionais, atravessando alguns dos países mais pobres e mais miseráveis do mundo (porque ser pobre e ser miserável não é bem a mesma coisa, e o fundo da escada é quando as duas coisas se fundem) não procurando necessariamente os pontos turísticos, mas sem fugir deliberadamente deles.
E aqui dividem-se a minhas emoções. Se a aventura me seduz (consigo mesmo, por vezes, encontrar alguns paralelismos com o meu próprio planisfério pessoal, que, não tendo qualquer comparação com o do Gonçalo Cadilhe, tem alguns momentos interessantes, como uma viagem nocturna de comboio entre Moscovo e São Petesburgo), deprime-me sempre imaginar aldeias em que as crianças fabricam armas e cultivam ópio depois da escola.
Roubar dignidade à infância e à velhice são infâmias que não devíamos permitir (penso nisto enquanto a R. se pendura no meu pescoço durante um momento mais assustador d'"A Bela e o Mostro", que longe que está o mundo daqui de casa).
Mas por isso, também, gosto dos livros de Gonçalo Cadilhe e gostava que ele escrevesse mesmo livros, e não apenas publicações das crónicas semanais, que deixam tanto por dizer; gosto porque ele vai ao encontro de pessoas que semeiam projectos de esperança, como a escola informal na Nicarágua ou o hotel que alimenta crianças, no Peru.
E tudo isto está tão longe e , ao mesmo tempo, tão perto das multidões de turistas que coleccionam carimbos de passaporte, experiências pré-fabricada, a ver por ver, sem ver.
Recordei-me do choque que senti ao chegar ao Mont Saint-Michel ou ao Sacré Coeur, onde hordas de turistas de acotovelavam e do prazer que era estar na Fraguinha, ou na pousada de juventude no ponto onde a Noruega, a Finlândia e a Suécia se encontram e, realmente, a escolha é fácil (embora todas sejam experiências ricas).
E, já agora, Gonçalo Cadilhe, eu acho que o tal trekking, ou wanderung, se pode muito bem dizer em português "caminhar", que é um verbo que por cá anda há bastante tempo. A forma de o fazer é diferente, realmente, porque - entre nós - só há pouco tempo caminhar é associado ao lazer e à saúde. Até há uns anos atrás, a maior parte dos portugueses não fazia outra coisa: caminhava para o trabalho (a muitos quilómetros, por vezes), para a escola, para casa. E caminhar era sinónimo de pobreza, de não ter outro meio de transporte, que poucos tinham (e esses não caminhavam, passeavam, no jardim, ao Domingo). Agora, que - para o bem e para o mal - o transporte individual se democratizou, já podemos voltar a caminhar tranquilos.
Ena, onde eu cheguei neste planisfério...
Tal como os anteriores, li-o de uma assentada, perdendo horas de sono, o que quer dizer que dei a volta ao mundo numa noite (o que talvez não agradasse muito ao autor, assim como facto de o ter lido através do bookcrossing, que ele - que não consegue cortar o cordão umbilical com os seus livros - considera "uma promiscuidade irresponsável").
Comecei a gostar do livro ainda antes de o ler, porque acho o título muito bonito. A palavra pessoal (como no programa da TSF Pessoal e Transmissível e não como em "Vou beber um copo ao Bairro Alto, com o pessoal") lembra-me que todos somos únicos, mas não necessariamente individualistas. Depois, entrei na vertigem de uma volta ao mundo que o autor traçou pelos caminhos menos convencionais, atravessando alguns dos países mais pobres e mais miseráveis do mundo (porque ser pobre e ser miserável não é bem a mesma coisa, e o fundo da escada é quando as duas coisas se fundem) não procurando necessariamente os pontos turísticos, mas sem fugir deliberadamente deles.
E aqui dividem-se a minhas emoções. Se a aventura me seduz (consigo mesmo, por vezes, encontrar alguns paralelismos com o meu próprio planisfério pessoal, que, não tendo qualquer comparação com o do Gonçalo Cadilhe, tem alguns momentos interessantes, como uma viagem nocturna de comboio entre Moscovo e São Petesburgo), deprime-me sempre imaginar aldeias em que as crianças fabricam armas e cultivam ópio depois da escola.
Roubar dignidade à infância e à velhice são infâmias que não devíamos permitir (penso nisto enquanto a R. se pendura no meu pescoço durante um momento mais assustador d'"A Bela e o Mostro", que longe que está o mundo daqui de casa).
Mas por isso, também, gosto dos livros de Gonçalo Cadilhe e gostava que ele escrevesse mesmo livros, e não apenas publicações das crónicas semanais, que deixam tanto por dizer; gosto porque ele vai ao encontro de pessoas que semeiam projectos de esperança, como a escola informal na Nicarágua ou o hotel que alimenta crianças, no Peru.
E tudo isto está tão longe e , ao mesmo tempo, tão perto das multidões de turistas que coleccionam carimbos de passaporte, experiências pré-fabricada, a ver por ver, sem ver.
Recordei-me do choque que senti ao chegar ao Mont Saint-Michel ou ao Sacré Coeur, onde hordas de turistas de acotovelavam e do prazer que era estar na Fraguinha, ou na pousada de juventude no ponto onde a Noruega, a Finlândia e a Suécia se encontram e, realmente, a escolha é fácil (embora todas sejam experiências ricas).
E, já agora, Gonçalo Cadilhe, eu acho que o tal trekking, ou wanderung, se pode muito bem dizer em português "caminhar", que é um verbo que por cá anda há bastante tempo. A forma de o fazer é diferente, realmente, porque - entre nós - só há pouco tempo caminhar é associado ao lazer e à saúde. Até há uns anos atrás, a maior parte dos portugueses não fazia outra coisa: caminhava para o trabalho (a muitos quilómetros, por vezes), para a escola, para casa. E caminhar era sinónimo de pobreza, de não ter outro meio de transporte, que poucos tinham (e esses não caminhavam, passeavam, no jardim, ao Domingo). Agora, que - para o bem e para o mal - o transporte individual se democratizou, já podemos voltar a caminhar tranquilos.
Ena, onde eu cheguei neste planisfério...
Tuesday, December 30, 2008
Pessoal dos 70's, tudo a ligar o som
Toca a clicar e a pôr na música "Os amigos". Quem é amiga, quem é? Vi esta pérola no blogue do Nuno Markl e não resisti a pôr aqui.
Monday, December 29, 2008
Estamos mesmo em época de remakes e adaptações
Eis a nova versão do "Anjo da guarda", que a R. rezava um destes dias:
Fadinha da guarda
minha companhia
dá-me magia
de noite e de dia.
Fadinha da guarda
minha companhia
dá-me magia
de noite e de dia.
Tuesday, December 16, 2008
O povo unido
Pois, é verdade. Os trabalhadores a recibos verdes vão ter oportunidade de regularizar as declarações anuais que tinham em falta (as tais que nem os funcionários das finanças sabiam que tinham de ser preenchidas) sem estar sujeitos a multa. Era realmente irónico que se anunciassem tantas medidas de combate ao desemprego, programas disto e daquilo e, em simultâneo, se fizesse uma caça à multa tão vergonhosa.
E a suspensão da multa consegui-se porque houve um enorme movimento que chamou a atenção para a situação. Foi espantosa a capacidade de mobilização de uma "classe" que é invisível, que não tem quaisquer regalias e que não tem quem a represente junto do Estado. O papel do FERVE foi importante, mas também o papel individual de todos aqueles que - sobretudo via net - fizeram passar a mensagem e conseguiram que se corrigisse uma injustiça.
E a suspensão da multa consegui-se porque houve um enorme movimento que chamou a atenção para a situação. Foi espantosa a capacidade de mobilização de uma "classe" que é invisível, que não tem quaisquer regalias e que não tem quem a represente junto do Estado. O papel do FERVE foi importante, mas também o papel individual de todos aqueles que - sobretudo via net - fizeram passar a mensagem e conseguiram que se corrigisse uma injustiça.
Sunday, December 14, 2008
Salvem os ricos
Depois da partida de Carnaval na época errada que as Finanças me estão a pregar, este sktech do'Os Contemporâneos vem mesmo, mesmo a calhar.
Tuesday, December 2, 2008
Fim de semana em cheio
Foi mesmo bom passar este fim-de-semana grande com um grande grupo (nove crianças, todas com menos de 8 anos, e 11 adultos), em Castro Marim. Ao contrário do resto do país, estava um tempo fantástico, fizemos passeios a pé, fomos à praia, lançámos papagaios, estivemos na piscina (quentinha...), descansámos imenso e todos - grandes e pequenos - nos portámos muito bem.
Para mim, vai ficar também na memória o momento em que o A. disse, pela primeira vez na sua vida, "Mamã, eu gosto de tu."
Para mim, vai ficar também na memória o momento em que o A. disse, pela primeira vez na sua vida, "Mamã, eu gosto de tu."
Tuesday, November 25, 2008
Poema para Galileo
Gosto muito do António Gedeão, porque acho que ele conseguia aquilo que é mesmo difícil: escrever sobre temas tão banais quanto fundamentais com beleza, melodia e simplicidade. Não conhecia este poema, que acho inspirador nestes dias de desânimo que por aí andam. E gostei especialmente de o ouvir lido por 35 investigadores portugueses. Obrigada, Marcenda, pela divulgação.
Tuesday, November 18, 2008
Chegou o Chico!

Hoje, aqui, vem uma crónica que li há anos no Expresso e da qual, nem sei bem porquê, me lembro muitas vezes. Um grande bem-haja às Palavras por este serviço público de republicação de memórias do baú.
Fez-me lembrar, também, uma cena a que assistimos quando estivemos, em Setembro, nas festas da Charneca (aqui ao lado). Havia animadores pelas ruas, revivendo cenas e personagens de outros tempos. Num tanque improvisado, jovens vestidas à lavadeira de Caneças (da Charneca, neste caso), fingiam lavar roupa à mão, enquanto cá fora, as mulheres da vila diziam "Ó rapariga, isso não é assim que se faz!".
Monday, November 17, 2008
O futuro chegou!
Quando era miúda, tínhamos aquela ideia de que o progresso tecnológico ia fazer coisas tão fabulosas como inúteis, tais como máquinas falantes. Desde que uso diariamente um elevador que fala comigo ("Fecho de portas", "Primeiro piso", "Atenção", "Boa viagem") que sei que esse futuro está mesmo aqui, à minha beira - embora, cá para mim, aquele conversa toda seja só para nos distrair da lentíssima velocidade a que a dita máquina cumpre a sua função ascendente e descendente...
Também havia o Kit, aquele carro d'O Justiceiro, com quem o Michael Knight comunicava via relógio ("Kit, Kit, vem me buscar"). Mas esse foi outro mito que caiu, no dia em que estava à porta de uma discoteca e um conhecido trazia com ele um carro falante. Falava pouco, é certo, mas com clareza: "You're too close to the car. Please step back".
Mas a semana passada vi algo realmente diferente: um eléctrico falante (ou um carro-eléctrico falante, como diria a minha avó). Ia eu, ordeiramente, a atravessar uma passadeira no sinalito verde, quando ouço uma buzina e uma voz metálica dizer MUITO ALTO qualquer coisa como "Deves estar é pitosga!". Primeiro, apanhei um susto. Depois pensei "Que gravação estranha". E, finalmente, percebi que não, infelizmente ainda não era a máquina a falar, era só mesmo o condutor a usar a tecnologia para insultar um transeunte menos cumpridor das passadeiras do que eu... o que vale é que o eléctrico é fechado e ainda não se inventou uma mãozinha mecânica para insultar o pessoal com gestos...
Também havia o Kit, aquele carro d'O Justiceiro, com quem o Michael Knight comunicava via relógio ("Kit, Kit, vem me buscar"). Mas esse foi outro mito que caiu, no dia em que estava à porta de uma discoteca e um conhecido trazia com ele um carro falante. Falava pouco, é certo, mas com clareza: "You're too close to the car. Please step back".
Mas a semana passada vi algo realmente diferente: um eléctrico falante (ou um carro-eléctrico falante, como diria a minha avó). Ia eu, ordeiramente, a atravessar uma passadeira no sinalito verde, quando ouço uma buzina e uma voz metálica dizer MUITO ALTO qualquer coisa como "Deves estar é pitosga!". Primeiro, apanhei um susto. Depois pensei "Que gravação estranha". E, finalmente, percebi que não, infelizmente ainda não era a máquina a falar, era só mesmo o condutor a usar a tecnologia para insultar um transeunte menos cumpridor das passadeiras do que eu... o que vale é que o eléctrico é fechado e ainda não se inventou uma mãozinha mecânica para insultar o pessoal com gestos...
Wednesday, November 12, 2008
Lugares onde vivemos
Este site é absolutamente fabuloso http://theplaceswelive.com/
Mostra como vivem muitos de nós, neste planeta de desigualdades, mas sem explorar a miséria alheia, ao estilo TVI. As imagens e os testemunhos das pessoas são muito, muito belos. Fico a pensar no absurdo que é alguém poder achar-se infeliz quando tem um tecto e alguém que goste de si. Impressionaram-me muitissimo as "casas" da Indonésia, em especial a da mãe com o bebé que vivem num banco. Curiosamente, todos os testemunhos têm sementes de esperança.
Mostra como vivem muitos de nós, neste planeta de desigualdades, mas sem explorar a miséria alheia, ao estilo TVI. As imagens e os testemunhos das pessoas são muito, muito belos. Fico a pensar no absurdo que é alguém poder achar-se infeliz quando tem um tecto e alguém que goste de si. Impressionaram-me muitissimo as "casas" da Indonésia, em especial a da mãe com o bebé que vivem num banco. Curiosamente, todos os testemunhos têm sementes de esperança.
Friday, October 31, 2008
Bruxas à portuguesa
Acabadinho de chegar da escola da R.:
Numa casa muito estranha
toda feita de chocolate,
vivia uma bruxa castanha
que adorava o disparate.
Punha os copos no fogão,
as panelas na banheira,
os sapatos nas gavetas,
as meias na frigideira.
Escrevia com fios de água,
dormia sempre de pé.
Cozinhava numa cama
e comia no bidé.
António Mota
Numa casa muito estranha
toda feita de chocolate,
vivia uma bruxa castanha
que adorava o disparate.
Punha os copos no fogão,
as panelas na banheira,
os sapatos nas gavetas,
as meias na frigideira.
Escrevia com fios de água,
dormia sempre de pé.
Cozinhava numa cama
e comia no bidé.
António Mota
Wednesday, October 29, 2008
Mundos dentro de mundos
Como é sabido, ando quase sempre a pé e se há coisa de que gosto é de andar pelos vários cantos da cidade, passeando com objectivo. Ou seja, gosto de ir passando pelas ruas, ir reparando neste ou naquele pormenor, levando um rumo definido em direcção ao qual me vou mais ou menos desviando.
Passo muitas vezes num jardim, que tem um parque infantil. Como quase não há crianças nas redondezas, quem ocupa o parque são os jovens de uma escola profissional na vizinhaça, que andam de baloiço com os portáteis no colo. Hoje, o parque estava apinhado de jovens, no intervalo do almoço. E eu, sempre de passagem, ia reparando na impressionante diversidade daquele espaço. Num banco do jardim estava um idoso, talvez sem-abrigo, com um ar mal arranjado e olhar no infinito. Noutro, uma rapariga de sotaque brasileiro lia cartas de tarot a dois jovens. Apressados, passavam (passeavam) outros. Como eu. Cada um de nós com o seu ritmo e a sua história.
Passo muitas vezes num jardim, que tem um parque infantil. Como quase não há crianças nas redondezas, quem ocupa o parque são os jovens de uma escola profissional na vizinhaça, que andam de baloiço com os portáteis no colo. Hoje, o parque estava apinhado de jovens, no intervalo do almoço. E eu, sempre de passagem, ia reparando na impressionante diversidade daquele espaço. Num banco do jardim estava um idoso, talvez sem-abrigo, com um ar mal arranjado e olhar no infinito. Noutro, uma rapariga de sotaque brasileiro lia cartas de tarot a dois jovens. Apressados, passavam (passeavam) outros. Como eu. Cada um de nós com o seu ritmo e a sua história.
Friday, October 24, 2008
Muito engraçado...
...foi o episódio de ontem de Os contemporâneos. O melhor até hoje, na minha opinião. O humor em Portugal tem evoluído muito nos últimos anos, em inteligência, versatilidade e irreverência.
O musical Casa Pia é fabuloso - http://br.youtube.com/watch?v=lD8VkaAysCc -. Consegue pegar num tema trágico e fazer humor corrosivo, sem ter mau gosto. O guião para novela da TVI, onde todos bebem sumos de frutos tropicais ao pequeno almoço, servidos de criadas fardadas também teve muita graça. E a minha frase preferida foi a da comemoração dos dez anos da invenção do Viagra: "Desde que apareceu o viagra é cada mais difícil arranjar quatro velhotes para jogar às cartas num parque."
O musical Casa Pia é fabuloso - http://br.youtube.com/watch?v=lD8VkaAysCc -. Consegue pegar num tema trágico e fazer humor corrosivo, sem ter mau gosto. O guião para novela da TVI, onde todos bebem sumos de frutos tropicais ao pequeno almoço, servidos de criadas fardadas também teve muita graça. E a minha frase preferida foi a da comemoração dos dez anos da invenção do Viagra: "Desde que apareceu o viagra é cada mais difícil arranjar quatro velhotes para jogar às cartas num parque."
Bem, brincar é mesmo brincar
A R. e o A. estão neste momento a arrumar o quarto e a brincar às casinhas, enquanto eu trabalho. Ouvi a R., com os seus cinco anos, a dizer ao A., que ainda não tem dois: "Vá, vamos brincar. Eu era a filha mais velha e tu o pai. Tu ias trabalhar e eu estava aqui a brincar"!
Wednesday, October 22, 2008
É oficial:
Chegou o Outono. E como é que isso se vê? Não é quando o calendário marca, quando há casacos nas montras, quando há vendedores de castanhas, nem sequer quando muda a hora. O Outono está de facto (como se diz agora) implementado no primeiro diz em que saio à rua e não vejo ninguém de sapatos abertos. Foi hoje.
Friday, October 17, 2008
E se o resto do mundo pudesse votar...
...nas eleições americanas? É o que este blogue propõe que se veja: http://iftheworldcouldvote08.blogspot.com/
Parabéns Pai!
Um bom dia e votos de continuação de uma vida tranquila e com a boa disposição que te conhecemos!
Cenas
Como quem me conhece sabe, eu não gosto de conduzir e, felizmente, preciso pouco de fazê-lo. Como ando quase sempre de transportes, há uma fatia da realidade (composta por filas de trânsito e comportamentos automobilisticos, músicas e programas de rádio) que me escapa.
Ora, hoje que passei mais de um quarto de hora na fila da Praça de Espanha, vi duas coisas que me puseram de boca aberta: a primeira, um rapaz (sendo que, para mim, "rapaz" já pode ser um homem de 40 anos..) de bicicleta NA CONTRAMÃO. E não, não era um puto com uma daquelas binas maradas, a desafiar o destino. Era um tipo de fato, de capacete, com ar de quem ia trabalhar.
A segunda foi o passageiro do carro à minha frente ter saído do carro, e ir acompanhando a fila a pé, cá fora, enquanto fumava um cigarro. Só me lembrava das histórias que contavam do combóio do Tua, que dava para sair, apanhar uvas, comê-las e depois apanhar de novo o combóio, em lento andamento.
Enfim, cenas.
Ora, hoje que passei mais de um quarto de hora na fila da Praça de Espanha, vi duas coisas que me puseram de boca aberta: a primeira, um rapaz (sendo que, para mim, "rapaz" já pode ser um homem de 40 anos..) de bicicleta NA CONTRAMÃO. E não, não era um puto com uma daquelas binas maradas, a desafiar o destino. Era um tipo de fato, de capacete, com ar de quem ia trabalhar.
A segunda foi o passageiro do carro à minha frente ter saído do carro, e ir acompanhando a fila a pé, cá fora, enquanto fumava um cigarro. Só me lembrava das histórias que contavam do combóio do Tua, que dava para sair, apanhar uvas, comê-las e depois apanhar de novo o combóio, em lento andamento.
Enfim, cenas.
Wednesday, October 15, 2008
Frases (mais ou menos) famosas
"Quando se tem um filho, é-se pai. Quando se tem dois, é-se árbitro."
Grande, grande verdade esta, que me contaram ontem.
Grande, grande verdade esta, que me contaram ontem.
Saturday, October 11, 2008
11 de Outubro de 1974
...foi o dia em que passei a ser irmã de alguém.
De alguém para quem eu escolhi o nome (e lindo, por sinal...). Tem sido muito fácil ser irmã, nestes 34 anos.
Posso dizer que é mais simples ser irmã do que filha ou mãe.
Tem sido, também, muito divertido.
Com muita, muita cumplicidade.
Por isso, obrigada e parabéns, J.!
De alguém para quem eu escolhi o nome (e lindo, por sinal...). Tem sido muito fácil ser irmã, nestes 34 anos.
Posso dizer que é mais simples ser irmã do que filha ou mãe.
Tem sido, também, muito divertido.
Com muita, muita cumplicidade.
Por isso, obrigada e parabéns, J.!
Voltamos às xerovias
Apanhei um programa de televisão que falava sobre o Festival da Xerovia, que se está a realizar este fim-de-semana. Explicaram tudo: o que são xerovias, onde existem, como se preparam e se comem, mostraram uma senhora a fazer e mais uns senhores a comer as ditas. Como não apanhei do princípio, faltou-me o essencial, que não consegui resolver com várias buscar na net - onde é que afinal está a ser o festival? Fica uma pessoa aqui de água na boca, caramba. Dão-se, pois, alvíssaras (já que não posso dar xerovias) a quem descobrir a localidade, talvez dê para lá dar um salto para a próxima vez.
Wednesday, October 8, 2008
Viva os séniores!
Hoje dei uma aula numa universidade da 3ª idade e foi uma experiência muito interessante. Era uma turma bastante diversificada, quer em termos de idade que de habilitações, mas era exigente, atenta e participativa. E tolerante com as opiniões alheias. Enfim, foi um prazer. Para a semana vamos fazer trabalho de campo numa visita, estou cheia de expectativas!
Friday, October 3, 2008
Bem, agora é que eu não passo sem ver o filme
"Ensaio sobre a cegueira" é, para mim, um dos melhores livros de Saramago (é sabido que gosto muito do autor e que fiquei muito feliz por ser um "nobelizado" seja lá o que isso implica). Saber que o Meirelles ia realizar o filme foi uma óptima notícia e estava com imensa curiosidade de saber como ele iria fazê-lo. E agora leio esta notícia:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1344571
Por estas e por outras é que depois as associações ficam desacreditadas. Como é que é possível?
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1344571
Por estas e por outras é que depois as associações ficam desacreditadas. Como é que é possível?
Tuesday, September 30, 2008
Música para todos
Ultimamente, nos transportes colectivos, tenho-me apercebido de um novo fenómeno (pelo menos para mim). Estava habituada à presença de jovens, com auscultadores que parece que têm aumentado de diâmetro nos últimos anos. Ou seja, no tempo em que eu era da idade deles, quanto mais micro mais caro e mais cobiçado. Hoje, vejo-os com uns monos que parecem uns auscultadores anti-ruído que o meu pai tinha lá em casa, daqueles que se usava nas fábricas (e que os bonecos dos sinais a avisar a presença de obras têm).
E talvez porque aquilo não deve dar jeito nenhum (embora, deva ter um grande som...) há agora por aí muito pessoal que deixou de usar auscultadores e ouve música ao natural. Ou seja, usa o telemóvel em alta voz e vai dando música alegremente a todos os que partilham a viagem.
A primeira vez pensei que fosse o rádio do autocarro, que totó que eu sou...
E talvez porque aquilo não deve dar jeito nenhum (embora, deva ter um grande som...) há agora por aí muito pessoal que deixou de usar auscultadores e ouve música ao natural. Ou seja, usa o telemóvel em alta voz e vai dando música alegremente a todos os que partilham a viagem.
A primeira vez pensei que fosse o rádio do autocarro, que totó que eu sou...
Tuesday, September 23, 2008
Informática para miúdos
Na escola da R. há a opção de informática. A mim, parece-me ridículo pagar para eles brincarem com o computador, até porque é uma coisa bem gira para fazermos com eles nos dias de chuva...
Aqui ficam os links, para descarregar os programas ou ir à net brincar com eles (são todos gratuitos) dos que usam lá na escola e de mais uns que cá em casa fazem furor:
Programas
Gcompris http://gcompris.net/-pt-br
Pysycache http://www.pysycache.org/
Tux paint http://www.tuxpaint.org/
Sites
Poisson rouge http://www.poissonrouge.com/
Site junior http://www.junior.te.pt
Aqui ficam os links, para descarregar os programas ou ir à net brincar com eles (são todos gratuitos) dos que usam lá na escola e de mais uns que cá em casa fazem furor:
Programas
Gcompris http://gcompris.net/-pt-br
Pysycache http://www.pysycache.org/
Tux paint http://www.tuxpaint.org/
Sites
Poisson rouge http://www.poissonrouge.com/
Site junior http://www.junior.te.pt
Monday, September 22, 2008
Vão ver e é já!
Vão, vão, não percam. É uma benção de gente linda, talentosa e de boa disposição.
http://www.mammamiamovie.com/
http://www.mammamiamovie.com/
Conversa, conversa, conversa
A forma deliciosamente engraçada de falar das crianças de um ou dois anos é muito difícil de reproduzir, como aqueles momentos hilariantes que só a quem os viveu parecem engraçados. Mesmo assim, vou deixar aqui algumas das expressões do A. que nos têm deliciado nos últimos tempos:
"- Vamos acima abaixo" (vamos lá para baixo)
"- Papá, anda cá ver o rato" (aos gritos de manhã na cama - era para ver uma caixa do puzzle do Ratatui)
"Carromineta" e "Carromião", juntamente com muitos "Camóios" e autocarros.
E a pérola de hoje, estar a espreitar pelas portas do portátil a chamar o avô, que costuma estar no Skype!
"- Vamos acima abaixo" (vamos lá para baixo)
"- Papá, anda cá ver o rato" (aos gritos de manhã na cama - era para ver uma caixa do puzzle do Ratatui)
"Carromineta" e "Carromião", juntamente com muitos "Camóios" e autocarros.
E a pérola de hoje, estar a espreitar pelas portas do portátil a chamar o avô, que costuma estar no Skype!
Friday, September 12, 2008
Férias: antes, durante e depois
O meu avô Zé costumava contar uma história:
"Numa viagem de comboio ia um homem que não parava de dizer «Estou cheio de sede». Os outros passageiros, já fartos de o ouvir, ficaram aliviados quando - na estação seguinte - o homem bebeu um cântaro de água. Quando a viagem retomou, o homem recostou-se e começou a dizer «Vinha cheio de sede»"...
As férias são tal e qual. Passamos as últimas semanas a dizer que precisamos delas, quando as gozamos passa sempre a correr e depois voltamos ao princípio.
Pelo meio, fica a satisafação do que gozámos e do que os miúdos aprenderam. Como ontem, quando o A. disse, ao ver uma ambulância, "É meio-dia!", em lembrança à sirene dos bombeiros das férias.
"Numa viagem de comboio ia um homem que não parava de dizer «Estou cheio de sede». Os outros passageiros, já fartos de o ouvir, ficaram aliviados quando - na estação seguinte - o homem bebeu um cântaro de água. Quando a viagem retomou, o homem recostou-se e começou a dizer «Vinha cheio de sede»"...
As férias são tal e qual. Passamos as últimas semanas a dizer que precisamos delas, quando as gozamos passa sempre a correr e depois voltamos ao princípio.
Pelo meio, fica a satisafação do que gozámos e do que os miúdos aprenderam. Como ontem, quando o A. disse, ao ver uma ambulância, "É meio-dia!", em lembrança à sirene dos bombeiros das férias.
Wednesday, July 30, 2008
Jonas Adoption Journey: Gotcha day!!
Jonas Adoption Journey: Gotcha day!!
Temos uma nova prima! Desejo as maiores felicidades para ela e para os pais e irmãos, capazes deste acto de generosidade e coração aberto que trouxe a Tess para a família. Um grande beijinho para ela.
Temos uma nova prima! Desejo as maiores felicidades para ela e para os pais e irmãos, capazes deste acto de generosidade e coração aberto que trouxe a Tess para a família. Um grande beijinho para ela.
Friday, July 25, 2008
Asas, amigos, Bookcrossing e a minha vida
Como todos os que me conhecem sabem, faço parte, desde Fevereiro de 2005, de uma comunidade virtual de partilha de livros que se chama Bookcrossing. Ouvi falar do conceito num programa da SIC Mulher, o "Elas em Marte", onde três bookcrossers - a Cokas, a nninoca e o Sossap - explicavam um pouco a história do movimento (que nasceu nos Estados Unidos) e a forma como é vivido em Portugal.
Achei a ideia de partilhar os nossos livros fantástica e, no dia seguinte, registei-me no site (sou a fungaga) e por lá ando, ainda hoje. Ao princípio, ainda tentei passar a mensagem a alguns amigos e familiares, mais amantes da leitura, mas - por uma razão ou outra - só uma amiga (a Maio) aderiu.
O que é que aconteceu nestes três anos e meio? Li, li, li. Sempre foi algo que fiz, mas - graças ao BC - conheci novos autores, li livros em que nunca teria pegado numa livraria, gostei de uns, adorei outros, não gostei de alguns... li sobretudo bookrings, que são empréstimos, que circulam, pelo correio, entre vários leitores. Como existe um fórum de discussão português, passo também por lá algum tempo; dependendo do tempo que tenho livre, participo mais ou menos, mas nunca vou à net que não passe por lá. Conheci, também, algumas pessoas ao vivo e fiz alguns amigos que prezo muito.
O que mais me impressionou nesta comunidade foi, desde sempre, a generosidade que todos demonstram. Aquilo que faz muita confusão à maior parte das pessoas ("Mas emprestas os teus livros a desconhecidos? E se os perdes?"), é a primeira ilusão que cai por terra. Ainda que algum livro meu se perca (até hoje, dos que emprestei, estão dois sem retorno) tudo o que já ganhei (desde leituras, livros, prendas, amigos, botinhas de lã para a R. e para o A.) vale muitíssimo mais do que dois livros perdidos.
E porque é que eu escrevo aqui, hoje, tudo isto? Porque, a semana passada, a equipa que gere o BC (sim, porque tudo isto assenta num site de acesso gratuito, mas que tem por trás uma empresa) decidiu implementar algumas alterações, nomeadamente restringir a participação de quem não contribui financeiramente. Foi uma semana de emoções ao rubro, carregada de reclamações e conflitos que terminou - para já - em bem (ou seja, voltou tudo ao que era). E porque hoje de manhã, acordei "com asas" (sou membro com todos os direitos...), ganhas num sorteio (obrigada Marcenda), mais uma das fantásticas iniciativas que se organizam através do BC.
Tudo isto me dá que pensar. Os laços que se criam com pessoas que não se conhece, a forma como milhares de pessoas em todo o mundo se uniram para combater mudanças que consideraram injustas, a alegria que sentimos por um par de asas virtuais.
Podia daqui tirar muitas conclusões, mas só quero dizer que - de muitas formas - tem sido uma experiência que aumenta a minha fé e confiança na bondade e generosidade humanas. Obrigada a todos!
Monday, July 21, 2008
Olha, não querem ver que aqui agora somos ilustres
É uma honra. Aqui o estaminé é o "Ilustre blogue da semana" aqui. E nós tão despenteados, que é como quem diz, com este design pobrezinho que um dia destes há-de ser melhorado.
Sabedoria popular no seu expoente máximo
Ontem foi dia de Pizza. O que, na minha família, quer dizer que houve uma festa com sessenta ou setenta pessoas a comer mais do que aquilo que se serve em qualquer Pizza Hut durante um fim-de-semana inteiro.
Mas o melhor, claro está, não é comer. É estar na cozinha, a fazer a massa, a esticá-la, a preparar e pôr os ingredientes. É um grande momento anual de aprendizagem pessoal e colectiva.
Ora vejamos: ontem aprendi que 1) Não sei lavar pimentos; 2) Faço a massa muito grossa; 3) Faço a massa muito fina; 4) Faço a massa muito grossa.
Isto mostra algumas coisas giras. Primeiro que, ainda que nós tenhamos cinquenta anos, filhos e netos, para as primas e tias mais velhas somos sempre uns miúdos, que não percebem nada disto. Segundo, que não há nada mais verdadeiro que o provérbio "Cada cabeça sua sentença".
A cena é assim: está tudo ao molho, cheios de rolos da massa e farinha, cada um a falar mais alto que o outro e chega uma tia: "Estás a cortar mal os cogumelos, cortam-se ao alto." Ai é? Eu sempre fiz assim, mas pronto... depois, chega uma prima: "Olha, os cogumelos assim não prestam, tens de cortar em hexágonos e muito fininhos". Ai é? Eu sempre fiz assim...
Na prática, cada um faz mais ou menos como bem entende e como sempre fez e, no fim, nunca sobra nada... e o melhor de tudo é que nos fica sempre uma sensação de união, de que "a família é mesmo assim" e são momentos de enorme boa disposição. Chegamos ao fim do dia cansados, felizes e cheios até mais não.
Mas o melhor, claro está, não é comer. É estar na cozinha, a fazer a massa, a esticá-la, a preparar e pôr os ingredientes. É um grande momento anual de aprendizagem pessoal e colectiva.
Ora vejamos: ontem aprendi que 1) Não sei lavar pimentos; 2) Faço a massa muito grossa; 3) Faço a massa muito fina; 4) Faço a massa muito grossa.
Isto mostra algumas coisas giras. Primeiro que, ainda que nós tenhamos cinquenta anos, filhos e netos, para as primas e tias mais velhas somos sempre uns miúdos, que não percebem nada disto. Segundo, que não há nada mais verdadeiro que o provérbio "Cada cabeça sua sentença".
A cena é assim: está tudo ao molho, cheios de rolos da massa e farinha, cada um a falar mais alto que o outro e chega uma tia: "Estás a cortar mal os cogumelos, cortam-se ao alto." Ai é? Eu sempre fiz assim, mas pronto... depois, chega uma prima: "Olha, os cogumelos assim não prestam, tens de cortar em hexágonos e muito fininhos". Ai é? Eu sempre fiz assim...
Na prática, cada um faz mais ou menos como bem entende e como sempre fez e, no fim, nunca sobra nada... e o melhor de tudo é que nos fica sempre uma sensação de união, de que "a família é mesmo assim" e são momentos de enorme boa disposição. Chegamos ao fim do dia cansados, felizes e cheios até mais não.
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