É um filme maravilhoso este. Que serve para muitas reflexões sobre as coisas simples da vida, que ao mesmo tempo são tão difíceis.
Vi-o com a R. e perguntei-lhe que personagem é que ela achava que era. Respondeu-me:
- O miúdo, porque eu ainda não ensino ninguém. A não ser que seja o barro destravado...
Fiquei surpresa e babada com tanta eloquência infantil.
Tuesday, May 17, 2011
Wednesday, May 11, 2011
Caramba, se o mundo fosse assim tão simples
Ontem, como todos os anos, comprei o bonequito do Pirilampo Mágico, que faz parte da campanha, que existe desde 1987, de angariação anual de fundos para a Cerci. Quando cheguei a casa, dei o boneco ao A. e tentei explicar-lhe de que se tratava. Que havia meninos que não conseguiam falar, que pensavam mais devagarinho, e que o pirilampo é uma forma de os ajudar. Pergunta ele:
"- Porque é que é mágico? Eles ficam a falar?"
"- Porque é que é mágico? Eles ficam a falar?"
Friday, May 6, 2011
Tuesday, May 3, 2011
Valeu a pena, não valeu a pena?...
Acabei agorinha mesmo de receber uma boa notícia. Um projecto no qual trabalhei e investi muito foi aprovado. E se aqui o ponho, é porque acho mesmo que vale a pena trabalhar aqui, neste rectângulo esquisito e pequenino que se fez um país. Não é enterrar a cabeça na areia, é apenas achar que não devemos desistir de lutar por coisas melhores.
Ao fim ao cabo, a República, o 25 de Abril, foram isso mesmo: circunstâncias adversas que levaram as pessoas a achar que valia a pena lutar por algo melhor. Ouvi no Domingo uma entrevista com a Felícia Cabrita, que terminou com ela a dizer que o futuro da filha ia ser estudar no estrangeiro. Acho muitíssimo deprimente que haja uma classe que está a empurrar os filhos para fora do país desta forma, a desistir assim de tudo aquilo por que têm lutado. Se os filhos quiserem ir, muito bem. Agora, isso ser projecto de vida dos país já é outra coisa.
Não gostamos de uma parte do país que temos? Pois não. Eu gostava, por exemplo, que a justiça fosse melhor e mais cega. Mas há também muitas coisas aqui de que gosto. Reconheço que há muito a mudar, mas também muito já mudou. E tenho para mim que vale a pena.
Ao fim ao cabo, a República, o 25 de Abril, foram isso mesmo: circunstâncias adversas que levaram as pessoas a achar que valia a pena lutar por algo melhor. Ouvi no Domingo uma entrevista com a Felícia Cabrita, que terminou com ela a dizer que o futuro da filha ia ser estudar no estrangeiro. Acho muitíssimo deprimente que haja uma classe que está a empurrar os filhos para fora do país desta forma, a desistir assim de tudo aquilo por que têm lutado. Se os filhos quiserem ir, muito bem. Agora, isso ser projecto de vida dos país já é outra coisa.
Não gostamos de uma parte do país que temos? Pois não. Eu gostava, por exemplo, que a justiça fosse melhor e mais cega. Mas há também muitas coisas aqui de que gosto. Reconheço que há muito a mudar, mas também muito já mudou. E tenho para mim que vale a pena.
Friday, April 29, 2011
Bons princípios
Hoje saí cedinho para uma reunião, mas a R. já estava sentada no sofá a tomar o pequeno-almoço e a ver desenhos animados. Perguntou-me:
- Onde é que vais com essa camisola?!
A camisola em questão é uma t-shirt nova que a minha irmã me ofereceu às riscas, manga curta em folhos, que achei fresca e original. Pensei: "Mau, não me digas que já estamos nesta de criticar a roupa que a mãe leva..." E respondi, já na defensiva:
- Para a escola. Porquê?
- Porque essa camisola é tãããão gira.
E assim se lava a alma de uma mãe logo pela manhã :-)!
- Onde é que vais com essa camisola?!
A camisola em questão é uma t-shirt nova que a minha irmã me ofereceu às riscas, manga curta em folhos, que achei fresca e original. Pensei: "Mau, não me digas que já estamos nesta de criticar a roupa que a mãe leva..." E respondi, já na defensiva:
- Para a escola. Porquê?
- Porque essa camisola é tãããão gira.
E assim se lava a alma de uma mãe logo pela manhã :-)!
Tuesday, April 19, 2011
Dantes era o São Pedro...
Ontem, vínhamos na estrada e começámos a apanhar mau tempo. Começam os relâmpagos e diz o A.:
- É o Picachu, ele é que manda relâmpagos!
- É o Picachu, ele é que manda relâmpagos!
Thursday, April 14, 2011
A fantasia e a realidade confundem-se...
Hoje tive uma aula particularmente difícil com os meus alunos, em especial com um grupo de meninas que não há meio de se interessar por nada. Depois de vários momentos de conversas paralelas, que chegaram ao ponto de uma estar a mostrar a outra uma roupinha que tinha comprado, em vez de estar a fazer o trabalho que estava a decorrer, tive uma fúria e dei-lhes um sermão gigante. Que, felizmente, surtiu efeito.
Quando vinha para casa, liguei à R., que está a passar estes dias em casa da avó. Perguntei-lhe o que tinha estado a fazer e quando ela me disse que tinha estado a dar uma aula aos peluches, respondi-lhe. "Olha, R., também eu..."
Quando vinha para casa, liguei à R., que está a passar estes dias em casa da avó. Perguntei-lhe o que tinha estado a fazer e quando ela me disse que tinha estado a dar uma aula aos peluches, respondi-lhe. "Olha, R., também eu..."
Friday, April 8, 2011
Fora com os pandas...
Ontem, foi dia de trazer da escola os dossiers do 2º período. Estava a ver o do A., que andou a trabalhar os meios de comunicação. Um dos trabalhinhos tinha uma televisão, onde eles tinham de dizer uma frase e desenhar o seu programa favorito. Qual era a frase? "O que eu gosto mais de ver são as notícias"...
Monday, April 4, 2011
Lógicas irredutíveis
O A. tem andado intrigado com tudo o que tem a ver com a morte. O facto de adorar dinossauros e de estes estarem extintos e só restarem ossos e fósseis ainda aumenta mais a pressão sobre o tema. Um destes dias, enquanto eu lhe dizia que tinha de comer para crescer, ele respondeu:
- Eu não quero crescer, porque depois fico velhinho e morro.
Confesso que fiquei sem grandes palavras e estava à procura de uma resposta adequada, quando ele acrescenta:
- Mas, se não comer, morro à fome, não é?
Lá está.
- Eu não quero crescer, porque depois fico velhinho e morro.
Confesso que fiquei sem grandes palavras e estava à procura de uma resposta adequada, quando ele acrescenta:
- Mas, se não comer, morro à fome, não é?
Lá está.
Wednesday, March 30, 2011
E agora, Portugal?
Na segunda-feira, este era o título do Prós e Contras. O debate foi interessante e houve duas coisas que me chamaram a atenção: a primeira foi a intervenção da Lídia Jorge, que falou dos "dois países" que existem em Portugal. Aquele que todos desprezamos, e do qual estamos cansados, e um outro, que também conhecemos muito bem, de pessoas anónimas que trabalham, que fazem coisas fantásticas, inovadoras, tenazes. Porque será que não conseguimos por todo esse potencial mais à vista? A segunda foi que é engraçado que, para estas discussões, se chamem precisamente aqueles que não são chamados para ajudar a encontrar soluções no "mundo real": as pessoas das humanidades. Ora, por um lado, isto é um pouco injusto para o pessoal das engenharias, que também é capaz de ter qualquer coisita a dizer sobre o futuro. Mas espelha uma outra realidade, que tem a ver com o facto de a crise a que chegámos ser também resultado da progressiva desvalorização daquilo que é mais importante - as pessoas e os seus méritos e valores. Tenho para mim que enquanto o que interessar for apenas o PIB, o juro, o IVA, não vamos muito longe. Porque esse sistema (do consumo, do individualismo, da competição cega) foi o que nos trouxe para onde estamos...
Monday, January 31, 2011
Que parva que eu sou
É o título da última música do projecto Deolinda, lançada no fantástico concerto da semana passada. Vale a pena ouvi-la e pensar um bocadinho no mundo parvo que estamos a construir. Fica aqui: http://www.youtube.com/watch?v=UtXZaVHAoPQ
Monday, December 6, 2010
66 anos em comum
66 anos é muito tempo, mais do que a vida de alguns, muito mais do que uma vida de trabalho, são muitas alegrias, algumas tristezas, dias felizes, dias menos bons, dois séculos diferentes, o mundo a mudar, a mudar, a mudar...
Um ENORME beijinho aos meus (nossos) avós, que casaram em 1944, quando a 2ª guerra mundial ainda não tinha acabado e que ainda cá estão hoje para fazer a festa connosco.
Um ENORME beijinho aos meus (nossos) avós, que casaram em 1944, quando a 2ª guerra mundial ainda não tinha acabado e que ainda cá estão hoje para fazer a festa connosco.
Monday, November 8, 2010
Heróis à moda de Lisboa
No Sábado, foi o lançamento do livro para o qual dei uma contribuição de algumas páginas, com um conto em que a personagem é Santo António. Foi um evento muito concorrido e muito animado, no Museu da Cidade. O tempo estava fantástico, e tudo correu muitíssimo bem.
Estava muito curiosa para ler os outros contos. Ainda não li todos, mas os que li não me desiludiram. Por isso, ide comprar o livro, que está à venda nas livrarias nacionais. Vamos pô-lo no top?
E um grande, grande obrigada a todos (vocês sabem quem são).
Estava muito curiosa para ler os outros contos. Ainda não li todos, mas os que li não me desiludiram. Por isso, ide comprar o livro, que está à venda nas livrarias nacionais. Vamos pô-lo no top?
E um grande, grande obrigada a todos (vocês sabem quem são).
Tuesday, October 19, 2010
Será a educação que os torna estúpidos?
Um dia, uma professora de matemática do secundário há décadas, ao conversar com a R. e espantada com a sua eloquência de 2 anos, disse-me: os miúdos agora são tão espertos, quando é que será que eles ficam burrinhos como nós os vemos na escola?
Esta conferência animada, de Ken Robinson, dá-nos muito que pensar sobre o que andamos a fazer nas nossas escolas. Muitas vezes vejo miúdos sedentos de aprender na primária que se desinteressam progressivamente, tornando-se adultos apáticos, e desejo sempre que não tenha sido a escola que os pôs assim. Julgo que não será completamente verdade, que há muito mais por onde pegar (a família, a vida acelerada do séc. XXI, a dispersão de informação e a sua progressiva perda de qualidade, a conjuntura de emprego), mas há realmente muita gente desmotivada e isso é preocupante, para não dizer deprimente.
Pessoalmente, a escola foi uma experiência rica e gratificante e esforçamo-nos imenso para que para a R. e o A. também seja. Aquilo que tentamos é que eles gostem de aprender e aprendam bem as bases (ler, escrever, contar, pensar...). Não há nada como gostar de aprender! O modelo de Robinson, quanto a mim, podia resumir-se a isso mesmo - aquilo que se aprende e forma como se aprende pode ir mudando ao longo da vida, mas é fundamental que não se perca esse prazer.
Esta conferência animada, de Ken Robinson, dá-nos muito que pensar sobre o que andamos a fazer nas nossas escolas. Muitas vezes vejo miúdos sedentos de aprender na primária que se desinteressam progressivamente, tornando-se adultos apáticos, e desejo sempre que não tenha sido a escola que os pôs assim. Julgo que não será completamente verdade, que há muito mais por onde pegar (a família, a vida acelerada do séc. XXI, a dispersão de informação e a sua progressiva perda de qualidade, a conjuntura de emprego), mas há realmente muita gente desmotivada e isso é preocupante, para não dizer deprimente.
Pessoalmente, a escola foi uma experiência rica e gratificante e esforçamo-nos imenso para que para a R. e o A. também seja. Aquilo que tentamos é que eles gostem de aprender e aprendam bem as bases (ler, escrever, contar, pensar...). Não há nada como gostar de aprender! O modelo de Robinson, quanto a mim, podia resumir-se a isso mesmo - aquilo que se aprende e forma como se aprende pode ir mudando ao longo da vida, mas é fundamental que não se perca esse prazer.
Monday, October 18, 2010
De boas ideias é que precisamos
E de bons princípios também. A conferência TED da Isabel Allende, está aqui e comove. Não podia estar mais de acordo com ela, não há nada mais repugnante do que quando o nosso mundo pensa que avança a espezinhar os mais fracos. É um belo, inspirador e bem humorado discurso.
Wednesday, October 6, 2010
Heróis à moda de Lisboa
Bem, agora já é oficial. Tem lançamento marcado e tudo. Podem ver aqui de que estamos a falar.
Mais um texto dos apontamentos - São Martinho cidade-jardim
Descobri, há uns tempos, este texto: uma comunicação proferida por Álvaro de Oliveira, no 1º Congresso Nacional de Turismo, em 1936. Visto hoje, parece um megalómano delírio fascista, especialmente se pensarmos como era São Martinho do Porto em 1936. À época, quem sabe?
"...uma avenida marginal se estende em sentido oposto, como dois braços que se curvam, segue a encontrar-se vis-a-vis junto à estrada da barra, semelhando no seu conjunto à baía de San Sebastian, em Espanha, onde surpreendente efeito de luz, quando à noite a sua iluminação se encontra em plena voltagem, tal qual o colar de pérolas que circunda a praia de Botafogo da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Em frente à barra, à vista do Oceano, levanta-se uma majestosa esplanada, centro irradial de tôda a sua circulação arterial, praça monumental - vestíbulo sumtuoso - destinada a servir a sua sala de visitas, tornando-se o logradouro de maior área e o seu principal centro.
Maravilha da jardinagem e arquitectura, esta esplanada tem na face voltada para a baía sôbre um pedestal em granito e mármore trabalhado, que representa a ponta do promontório de Sagres, batida pela espuma alvacenta do Atlântico, a estátua do Infante D. Henrique, - figura sonhadora olhando o mar - tal como a criou a obra magistral do escultor Francisco Franco.
Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, no centro de dois parques ajardinados, ladeiam o Infante das Descobertas.
Na face voltada para Alfeizerão, a estátua de D. Afonso Henriques, ladeada pelas do Mestre de Aviz e D. Nuno Álvares Pereira, atesta a Independência Lusitana
Uma alameda, correndo entre a linha do Oeste, corta perpendicularmente a esplanada.
Tomando a linha do fundo, a Avenida Central, de uma alameda e dois arruamentos, corre imponente, como exacto prolongamento do seu eixo, até à praça da Basílica, em primoroso estilo manuelino, erecta à Imaculada Conceição, antiga Padroeira de Portugal. Integrada está, desta arte, esta principal via na sua função de corredor nobre.
Outras avenidas, ruas e alamedas, praças e relvados.
Blocos de construção moderna, edifícios de altura uniforma, modernos hoteis, restaurantes, terraços, escolas, cinemas, campos de jogos, mercados, estabelecimentos comerciais de linhas modernas e alegres e cheios de luz.
Correios, telegrafos, telefones, repartições públicas, serviços de águas, esgôtos e saneamento, iluminação moderna numa pavimentação das mais perfeitas e recomendadas.
Aproveitamento das suas águas termais e sua esplendida praia, pontes de acêsso ao alto do Facho, ermida de Santa Ana e Santo António, cujo primeiro môrro é o mais alto da costa portuguesa.
Interêsse maior oferece o sistema adoptado para as edificações das zonas residenciais onde o problema da habitação encontrou solução interessante e justa.
Eis o meu projecto levemente esboçado nas suas linhas gerais."
"...uma avenida marginal se estende em sentido oposto, como dois braços que se curvam, segue a encontrar-se vis-a-vis junto à estrada da barra, semelhando no seu conjunto à baía de San Sebastian, em Espanha, onde surpreendente efeito de luz, quando à noite a sua iluminação se encontra em plena voltagem, tal qual o colar de pérolas que circunda a praia de Botafogo da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Em frente à barra, à vista do Oceano, levanta-se uma majestosa esplanada, centro irradial de tôda a sua circulação arterial, praça monumental - vestíbulo sumtuoso - destinada a servir a sua sala de visitas, tornando-se o logradouro de maior área e o seu principal centro.
Maravilha da jardinagem e arquitectura, esta esplanada tem na face voltada para a baía sôbre um pedestal em granito e mármore trabalhado, que representa a ponta do promontório de Sagres, batida pela espuma alvacenta do Atlântico, a estátua do Infante D. Henrique, - figura sonhadora olhando o mar - tal como a criou a obra magistral do escultor Francisco Franco.
Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, no centro de dois parques ajardinados, ladeiam o Infante das Descobertas.
Na face voltada para Alfeizerão, a estátua de D. Afonso Henriques, ladeada pelas do Mestre de Aviz e D. Nuno Álvares Pereira, atesta a Independência Lusitana
Uma alameda, correndo entre a linha do Oeste, corta perpendicularmente a esplanada.
Tomando a linha do fundo, a Avenida Central, de uma alameda e dois arruamentos, corre imponente, como exacto prolongamento do seu eixo, até à praça da Basílica, em primoroso estilo manuelino, erecta à Imaculada Conceição, antiga Padroeira de Portugal. Integrada está, desta arte, esta principal via na sua função de corredor nobre.
Outras avenidas, ruas e alamedas, praças e relvados.
Blocos de construção moderna, edifícios de altura uniforma, modernos hoteis, restaurantes, terraços, escolas, cinemas, campos de jogos, mercados, estabelecimentos comerciais de linhas modernas e alegres e cheios de luz.
Correios, telegrafos, telefones, repartições públicas, serviços de águas, esgôtos e saneamento, iluminação moderna numa pavimentação das mais perfeitas e recomendadas.
Aproveitamento das suas águas termais e sua esplendida praia, pontes de acêsso ao alto do Facho, ermida de Santa Ana e Santo António, cujo primeiro môrro é o mais alto da costa portuguesa.
Interêsse maior oferece o sistema adoptado para as edificações das zonas residenciais onde o problema da habitação encontrou solução interessante e justa.
Eis o meu projecto levemente esboçado nas suas linhas gerais."
Monday, September 27, 2010
E tu, distigues o céu do inferno?
Hoje é dia de vir trabalhar de bicicleta. Eu sempre andei de bicicleta fora de Lisboa, em momentos de liberdade e vento na cara, e uma coisa que fazia muitas vezes era cantar enquanto pedalava. A prova de que já me estou a habituar a circular pela cidade, é que já me apanho a trautear, normalmente para os lados do Jardim do Campo Grande, que deve ser quando meu subconsciente acha que está no campo.
Hoje de manhã, vinha a relembrar a letra do Wish you were here, dos Pink Floyd:
So, so you think you can tell
heaven from hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field
from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
Did they get you to trade
your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
a walk on part in a war
for a lead role in a cage?
E, mesmo antes de chegar ao refrão, dei comigo a (re)pensar o significado das palavras, uma coisa que às vezes acontece com frases que sabemos de cor há tantos anos e que subitamente ganham novos entendimentos.
E, enquanto punha o cadeado na bicla, fiz ali - num instante - uma introspecção sobre esta metade de vida que já levo. Gosto de acreditar que não perdi rumo à diferença entre o que interessa e não interessa e que ainda não me acomodei. Só gostava era de conseguir, mais e mais vezes, estender a consciência do que se quer fazer às acções que se praticam. Mas, enfim, para manhã de segunda-feira não foi mau...
Sunday, September 26, 2010
Afinal, para que servem os blogues?
Em 1997, eu trabalhava na Hemeroteca Municipal de Lisboa. Para quem não sabe o que é uma hemeroteca, ou para aqueles que lhe chamavam "aquela teca onde tu trabalhas", fica a nota de que se trata de uma biblioteca dedicada a periódicos, ou seja jornais e revistas.
No trabalho que fazia, passaram-me pelas mãos muitas coisas engraçadas. De algumas tomei nota. Na sexta-feira, estava a arrumar papéis, daqueles que já vieram de casa dos meus pais, e descobri alguns dessa altura. Já os tinha deitado para a reciclagem, quando pensei: "Espera, vou mas é por no blogue!"
Poderia dizer que são textos preciosos e que de outra forma se iriam perder. Ou que são tão interessantes que merecem vir para a blogosfera. Mas, na realidade, pô-los aqui é uma forma de eu não ter pena de os mandar para o lixo. Mantenho a linha sentimental que me une a eles e arranjo mais espaço cá em casa.
Cá fica, então, uma dessas maravilhas. Da Gazeta dos Caminhos de Ferro, ano 15, n.º 357, pág. 327, 1 de Novembro de 1902:
"Recebemos a seguinte carta:
Sr. Redactor
Banco do Conde Barão, 31
Meu caro senhor: Eu acredito nos jornais como num breviário.
Ora a semana passada li nas «Novidades e outras folhas» que desde o dia 17 havia carros eléctricos de vintém para o Intendente. Nesse dia, tendo que ir aos Anjos tratar d'um negócio de certa urgência, disse comigo - calha bem; vou nos tais carros novos, em que poupo 10 reis. E vim para este largo esperar. Eram oito da manhã.
Esperei, esperei, e os carros não apareciam. O dia foi-se adiantando, a fome apertava e eu não queria sair daqui para não perder o carro. Resolvi-me a mandar a casa buscar o almoço, que devorei aqui, sobre o banco, esperando sempre ver surgir o cumprimento da promessa da companhia Carris.
E eles sem aparecerem. Cá me conservei, chegou a noite, e mandei buscar o jantar, sempre de olho à mira para os lados da Esperança. Nada!
Fez-se noite, noite amena, de atmosfera limpa e temperatura agradável. E pela noite talvez eles comecem, dizia eu; e esperei mais até que adormeci.
Acordei ao despontar do dia ao toque da primeira badalada d'um eléctrico, e olhei-o sobressaltado. Era para o Intendente.
Perguntei se era dos especiais a vintém e o condutor respondeu-me delicadamente que fosse para o inferno e chamou-me qualquer coisa.
Resolvi então esperar, sempre confiado em ver aparecer o prometido carro, seguindo o mesmo processo da véspera, passou-se todo o dia e a noite, e ontem, e hoje cá estou ainda.
Mas senhor redactor, os dias vão passando e o que não passa é o maldito eléctrico de vintém! E eu não posso mais; por isso lhe peço me diga se a companhia engoliu a promessa, ou se fui eu que engoli a peta. Ou finalmente em dia começa o tal novo serviço, porque amanhã é sábado e eu preciso de ir a casa mudar de roupa, o que não posso fazer aqui. E tenho de is aos Anjos onde continua a esperar-me o negócio de certa urgência.
O que lhe posso assegurar é que eles ainda não passaram e espero que V. dê todo o crédito a esta minha afirmação, porque lhe escrevo d'um banco, que me tem servido de sofá, mesa de jantar e leito há cinco dias.
Seu constante leitor,
Francisco Ingénuo
Não sabendo que responder ao nosso estimável e paciente leitor, remetemos o seu pedido às «Novidades» que foi o primeiro jornal que deu a notícia. Este nosso estimado colega talvez lhe responda."
No trabalho que fazia, passaram-me pelas mãos muitas coisas engraçadas. De algumas tomei nota. Na sexta-feira, estava a arrumar papéis, daqueles que já vieram de casa dos meus pais, e descobri alguns dessa altura. Já os tinha deitado para a reciclagem, quando pensei: "Espera, vou mas é por no blogue!"
Poderia dizer que são textos preciosos e que de outra forma se iriam perder. Ou que são tão interessantes que merecem vir para a blogosfera. Mas, na realidade, pô-los aqui é uma forma de eu não ter pena de os mandar para o lixo. Mantenho a linha sentimental que me une a eles e arranjo mais espaço cá em casa.
Cá fica, então, uma dessas maravilhas. Da Gazeta dos Caminhos de Ferro, ano 15, n.º 357, pág. 327, 1 de Novembro de 1902:
"Recebemos a seguinte carta:
Sr. Redactor
Banco do Conde Barão, 31
Meu caro senhor: Eu acredito nos jornais como num breviário.
Ora a semana passada li nas «Novidades e outras folhas» que desde o dia 17 havia carros eléctricos de vintém para o Intendente. Nesse dia, tendo que ir aos Anjos tratar d'um negócio de certa urgência, disse comigo - calha bem; vou nos tais carros novos, em que poupo 10 reis. E vim para este largo esperar. Eram oito da manhã.
Esperei, esperei, e os carros não apareciam. O dia foi-se adiantando, a fome apertava e eu não queria sair daqui para não perder o carro. Resolvi-me a mandar a casa buscar o almoço, que devorei aqui, sobre o banco, esperando sempre ver surgir o cumprimento da promessa da companhia Carris.
E eles sem aparecerem. Cá me conservei, chegou a noite, e mandei buscar o jantar, sempre de olho à mira para os lados da Esperança. Nada!
Fez-se noite, noite amena, de atmosfera limpa e temperatura agradável. E pela noite talvez eles comecem, dizia eu; e esperei mais até que adormeci.
Acordei ao despontar do dia ao toque da primeira badalada d'um eléctrico, e olhei-o sobressaltado. Era para o Intendente.
Perguntei se era dos especiais a vintém e o condutor respondeu-me delicadamente que fosse para o inferno e chamou-me qualquer coisa.
Resolvi então esperar, sempre confiado em ver aparecer o prometido carro, seguindo o mesmo processo da véspera, passou-se todo o dia e a noite, e ontem, e hoje cá estou ainda.
Mas senhor redactor, os dias vão passando e o que não passa é o maldito eléctrico de vintém! E eu não posso mais; por isso lhe peço me diga se a companhia engoliu a promessa, ou se fui eu que engoli a peta. Ou finalmente em dia começa o tal novo serviço, porque amanhã é sábado e eu preciso de ir a casa mudar de roupa, o que não posso fazer aqui. E tenho de is aos Anjos onde continua a esperar-me o negócio de certa urgência.
O que lhe posso assegurar é que eles ainda não passaram e espero que V. dê todo o crédito a esta minha afirmação, porque lhe escrevo d'um banco, que me tem servido de sofá, mesa de jantar e leito há cinco dias.
Seu constante leitor,
Francisco Ingénuo
Não sabendo que responder ao nosso estimável e paciente leitor, remetemos o seu pedido às «Novidades» que foi o primeiro jornal que deu a notícia. Este nosso estimado colega talvez lhe responda."
Thursday, September 16, 2010
Gentes e lugares - Maria da Conceição, em Sobreda do Bouro
Chegámos à casa que tínhamos marcado ao fim da tarde. Não foi fácil encontrar o socalco minhoto onde a quinta ficava e quem nos deu a indicação definitiva foi um homem num tractor, que tinha acabado de lá deixar a mulher, que - segundo nos disse - ali trabalhava.
Caminho encontrado, quem nos recebeu foi a D. Conceição ("Conceição ou Maria chamem-me o nome que quiserem, eles são os dois meus"). A simpatia que transmitiu foi tão contagiante que, de imediato, nos rendemos à sua pronúncia minhota, carregada de expressões para nós diferentes e até pitorescas, às suas iguarias culinárias (o leite creme que, segundo disse, lhe saiu mal, estava de chorar por mais) e à franqueza com que se pôs, e à casa, à disposição.
Mostrou-nos a casa, deu-nos ordem para a explorarmos à nossa vontade e foi tão cordial e compreensiva com os miúdos que eles se comportaram maravilhosamente e conversaram à volta dos rojões e das batatas fritas como gente graúda.
Na manhã seguinte, D. Conceição foi buscar dois póneis e ajudou os miúdos a montar, sempre sorridente, disponível e a fugir da máquina fotográfica.
Sem dúvida que, de tudo de bom que tem a Quinta do Sorilhal, o melhor é a presença alegre e afectuosa de D. Conceição.
Friday, July 30, 2010
Quem diria?
Quando chegamos aos dias de calor, é inevitável que, mais tarde ou mais cedo, dê por mim a trautear James Taylor, numa memória longínqua de um Sábado em que fui buscar a P. a um exame da Lusíada e rumámos a um agradável fim-de-semana de festa lá para Sesimbra, ouvindo uma cassete da J.
Este ano, o dia chegou hoje (já vem um bocado tarde, mas a memória tem caminhos longos e tortuosos...), à hora do almoço. De maneira que, quando voltei ao computador, lá fui ao YouTube procurar uma música de fundo a condizer.
E não é que descobri que, nos idos anos 70, o James Taylor tinha cabelo? E comprido!
Aqui fica a prova, em sons de Verão: http://www.youtube.com/watch?v=v2EZUw2mvjs&feature=fvst
Este ano, o dia chegou hoje (já vem um bocado tarde, mas a memória tem caminhos longos e tortuosos...), à hora do almoço. De maneira que, quando voltei ao computador, lá fui ao YouTube procurar uma música de fundo a condizer.
E não é que descobri que, nos idos anos 70, o James Taylor tinha cabelo? E comprido!
Aqui fica a prova, em sons de Verão: http://www.youtube.com/watch?v=v2EZUw2mvjs&feature=fvst
Tuesday, July 20, 2010
Bem-vindo ao mundo, M.!
O dia de hoje é igual, mas é diferente.
Estamos mais ricos e mais felizes.
__ __ __ __
Pequeno poema - Sebastião da Gama
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,nem houve
Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Estamos mais ricos e mais felizes.
__ __ __ __
Pequeno poema - Sebastião da Gama
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,nem houve
Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Tuesday, July 13, 2010
Bem, o Mundial ainda agora acabou, deve ser isso...
Anteontem, no carro, falávamos com o A. de como seria quando ele fosse mais crescido, para que sala iria na escola, etc., e eu perguntei-lhe:
- E vais ser bom aluno, quando fores crescido?
- Vou é ser bom jogador. Os mais crescidos trazem sempre bola!
Depois, para me por contente, disse que ia ser bom a fazer contas e que ia ler histórias de dinossauros, mas o essencial já estava dito...
Monday, July 12, 2010
La maison Channel
Um destes dias, falava-se, já não sei a propósito de quê, da Coco Channel. Diz o A.: Cocó chinelo? Pois...
Na cartografia portuguesa, qual a diferença entre mapa e carta?
A resposta mais simples e ainda assim verdadeira era: nenhuma. Uma das que obtive foi que mapa é a representação da terra e carta é uma forma escrita de correspondência. Há muito tempo que uma cotação 0 não me arrancava uma gargalhada tão grande.
Thursday, July 8, 2010
Um dos pensamentos que me atormentam é mesmo este
Diz, numa entrevista ao Público, Alberto Manguel:
"Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?
O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.
Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual."
"Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?
O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.
Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual."
Monday, June 14, 2010
Eu vou, eu vou...
Hoje foi o dia de estreia da minha nova bicicleta desdobrável nas ruas de Lisboa. Com capacete e muitas cautelas, foi tãããão bom vir a pedalar desde casa. Viva a mobilidade sustentável!
Sunday, April 25, 2010
Para ti, M., 25 de Abril sempre!
Faz hoje 36 anos, eu tinha três e meio, estava em casa da minha avó e acabou o fascismo, a guerra colonial, a censura, a discriminação legal entre sexos. E a minha mãe estava grávida da J., o nosso bebé da Revolução e da liberdade.
Sinto sempre que sou privilegiada por ter crescido nos anos 70, por ter vivido, ainda criança, os primeiros anos da liberdade, quando acreditávamos que o país só podia mudar para melhor. Para mim, é um privilégio de geração conseguir apreciar tudo de bom que veio depois, sem esquecer que as mudanças foram muitas e que o antes era muito diferente, e ter ainda muitos anos pela frente para - à minha mais do que modesta escala - ajudar a melhorar o mundo.
Aprecio imensamente viver no século XXI, num país onde posso ser quem quero, dizer o que quero, educar os meus filhos como quero. As gerações antes de mim não tiveram essa sorte (basta falar do desperdício que foi não ter dado escolaridade a milhões de pessoas fantásticas que o país teve, ou dos milhares de portugueses e africanos que morreram na guerra), nem a têm muitas mulheres noutros sítios do mundo.
Por tudo isto, e porque acredito sinceramente que há muito mais pessoas boas do que más, vale a pena continuar a tentar, a formar pessoas melhores, a lutar para que as próximas gerações - mesmo sem terem crescido nos anos 70 - sejam muito melhores do que a minha.
E, agora, a J., que já nasceu em liberdade, vai ser mãe do M. Quando ele fizer seis anos e for para a escola, chegaremos ao ponto de viragem, teremos mais anos de liberdade do que de Estado Novo. Por tudo isto, e misturando história do país com a minha, obrigada J. e R.!
Sinto sempre que sou privilegiada por ter crescido nos anos 70, por ter vivido, ainda criança, os primeiros anos da liberdade, quando acreditávamos que o país só podia mudar para melhor. Para mim, é um privilégio de geração conseguir apreciar tudo de bom que veio depois, sem esquecer que as mudanças foram muitas e que o antes era muito diferente, e ter ainda muitos anos pela frente para - à minha mais do que modesta escala - ajudar a melhorar o mundo.
Aprecio imensamente viver no século XXI, num país onde posso ser quem quero, dizer o que quero, educar os meus filhos como quero. As gerações antes de mim não tiveram essa sorte (basta falar do desperdício que foi não ter dado escolaridade a milhões de pessoas fantásticas que o país teve, ou dos milhares de portugueses e africanos que morreram na guerra), nem a têm muitas mulheres noutros sítios do mundo.
Por tudo isto, e porque acredito sinceramente que há muito mais pessoas boas do que más, vale a pena continuar a tentar, a formar pessoas melhores, a lutar para que as próximas gerações - mesmo sem terem crescido nos anos 70 - sejam muito melhores do que a minha.
E, agora, a J., que já nasceu em liberdade, vai ser mãe do M. Quando ele fizer seis anos e for para a escola, chegaremos ao ponto de viragem, teremos mais anos de liberdade do que de Estado Novo. Por tudo isto, e misturando história do país com a minha, obrigada J. e R.!
Thursday, April 15, 2010
Musicas de todo o mundo - B
Hoje, estamos na Bolívia, com um grupo Kala marka, que cruza tradicional de várias regiões do país. Muito giro.
Depois de uma busca nada fácil, fica também uma música da Bósnia e Herzegovina.
Depois de uma busca nada fácil, fica também uma música da Bósnia e Herzegovina.
Tuesday, April 13, 2010
Teodoro, não vás ao sonoro...
Hoje, estava a dizer ao J. que não sabia bem como ia fazer na sexta-feira, porque preciso de ir ao Porto. O A., que estava por aqui a brincar, disse:
- Eh, não vás. Não gosto do Porto. Vai antes ao Sporting!
- Eh, não vás. Não gosto do Porto. Vai antes ao Sporting!
Wednesday, April 7, 2010
Qual é a palavra para isto? Ah, pois é!
Hoje, fui buscar ao A. uns ténis que lhe tinham oferecido e que ainda estavam dento da caixa e troquei-os pelos usados, que estão pequenos e muito velhos. Daí a bocado, apareceu ele com a caixa a dizer: "Mamã, vais descomprar estes sapatos?"
Friday, March 19, 2010
Feliz Dia do Pai
"Pai, és divertido.
Para mim és o maior!
Gosto muito de ti.
Beijos da R."
Esta mensagem e um pequeno almoço na escola com pais, que teve direito a mesa de banquete, máquina de café e jornal, foram os bons dias que os nossos miúdos deram ao J. Há lá melhor maneira de começar o dia?
Quanto a mim, o meu pai também é divertido, também é o maior, inspirou muitas decisões boas da minha vida e, claro está, gosto muito de ti!
Para mim és o maior!
Gosto muito de ti.
Beijos da R."
Esta mensagem e um pequeno almoço na escola com pais, que teve direito a mesa de banquete, máquina de café e jornal, foram os bons dias que os nossos miúdos deram ao J. Há lá melhor maneira de começar o dia?
Quanto a mim, o meu pai também é divertido, também é o maior, inspirou muitas decisões boas da minha vida e, claro está, gosto muito de ti!
Friday, March 12, 2010
A piada do dia
Ontem, ao chegar à escola, estava um cartaz com a piada do dia. Qual era? Na visita à Gulbenkian, a monitora perguntou à sala da infantil se sabia em que continente viviam os macacos. Responde o A.:
- Os macacos não sei, mas os Ferrari vivem na Europa!
Enfim, para além de me rir, ainda fico um bocadinho contente de saber que, pelo menos, o miúdo sabe que a Europa é um continente...
- Os macacos não sei, mas os Ferrari vivem na Europa!
Enfim, para além de me rir, ainda fico um bocadinho contente de saber que, pelo menos, o miúdo sabe que a Europa é um continente...
Saturday, March 6, 2010
Dormindo com os tubarões
A noite passada, a R. e eu dormimos no Oceanário. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível, proporcionada pela festa de anos da I., em que todos se portaram muito bem. Os monitores eram excelentes e foi, a todos os níveis, uma noite mágica. Que me lembre, só hoje e outra vez, no Atlas, dormi de óculos para poder ver a paisagem mesmo, mesmo até adormecer :-).
Wednesday, March 3, 2010
Músicas de todo o mundo - B
Friday, February 26, 2010
Músicas de todo o mundo - B
Hoje é o dia do Bangladesh. A música é gira, mas o vídeo é um espectáculo. Quantos destes é que já vimos, por alturas dos mundiais de futebol?
Temos, ainda, um reggae muito fixe, dos Barbados.
Da Bielorússia, não foi nada fácil escolher. Tudo o que encontrava on-line achei de fugir. Até que encontrei esta e quem me conhece sabe que eu nunca resisto a um acordeão...
Temos, ainda, um reggae muito fixe, dos Barbados.
Da Bielorússia, não foi nada fácil escolher. Tudo o que encontrava on-line achei de fugir. Até que encontrei esta e quem me conhece sabe que eu nunca resisto a um acordeão...
Tuesday, February 23, 2010
Lisboa viva urgente
É o que diz nas placas da estação da Alameda, ligação com São Sebastião. Só me lembrei daqueles textos em que se experimentam diferentes pontuações:
Lisboa? Viva urgente!
Lisboa viva: urgente!
Lisboa? Viva urgente!
Lisboa viva: urgente!
Friday, February 19, 2010
Musicas de todo o mundo - começa o B
Saturday, February 13, 2010
Remember me - Adeus, João Martins
Foi a mensagem de despedida deixada pelo João, antes de dar os passos terríveis que iriam acabar com a sua vida, de 21 anos. Deixou em todos nós uma sensação de irrealidade e de impotência, deixou uma família estável, deixou colegas e professores que gostavam dele, deixou uma vida toda pela frente. É certo que nunca o vamos esquecer, mas gostava tanto que não fosse por esta razão! É tarde para perguntar porquê e para pensar o que poderia ter sido feito, só nos resta esperar que ele esteja em paz agora e começar a aceitar a sua partida. E esperar que, a todos os que estão a viver este momento, possa servir de sinal para que peçam ajuda, quando precisarem. Na nossa escola, onde todos se conhecem pelo nome, vai ser um segundo semestre de luto, isso é certo.
Tuesday, February 9, 2010
Músicas de todo o mundo - para terminar o A
Esta noite de folclore tirolês é uma pérola da Áustria! E, para algo completamente diferente, terminamos o A com o Azerbaijão. Vamos ver o que nos espera no B (eu nem posso esperar!)...
Friday, February 5, 2010
Músicas de todo o mundo - A
Thursday, February 4, 2010
A que é que uma mãe pode aspirar mais?
Um destes dias, disse ao A.: "És muito querido, sabias?"
Ao que ele respondeu: "Tu também não és muito chata!"
Enfim, é a verdade de quem tem 3 anos e ainda não sabe dizê-la com floreados...
Ao que ele respondeu: "Tu também não és muito chata!"
Enfim, é a verdade de quem tem 3 anos e ainda não sabe dizê-la com floreados...
Tuesday, February 2, 2010
Músicas de todo o mundo - A
Ora aqui está um momento hilariante da Arábia Saudita, cujo humor nos escapa mas contagia...
E também, um belo som da Argélia e, dedicado à B., o meu músico preferido da Argentina, que tive o enorme prazer de ver ao vivo, há uns vinte anos, em Lisboa.
E também, um belo som da Argélia e, dedicado à B., o meu músico preferido da Argentina, que tive o enorme prazer de ver ao vivo, há uns vinte anos, em Lisboa.
Monday, February 1, 2010
Musicas de todo o mundo - A
Hoje é o dia da Alemanha (com direito a serrote como instrumento) e de Andorra. Esta última é a primeira participação do país na Eurovisão (em 2004), que foi um marco, por ter sido cantada em catalão. Quem diria que a Eurovisão ainda despertava paixões?
E fica, também, uma experiência bem gira em Angola.
E fica, também, uma experiência bem gira em Angola.
Janeiras e Fevereiras
Um destes dias, estava a explicar à R. o que eram as Janeiras e a cantar algumas músicas da época. É então que ela diz:
- Eu sei uma música das Janeiras: "Venha ao Pingo Doce, de Janeiro a Janeiro"...
- Eu sei uma música das Janeiras: "Venha ao Pingo Doce, de Janeiro a Janeiro"...
Thursday, January 28, 2010
Subtilezas
Na piscina onde vamos, há um cartaz à entrada do estacionamento onde se diz que se "declina qualquer responsabilidade na ocorrência de danos ou roubos". Gosto particularmento da delicadeza que está subjacente à palavra "declina". Como que fosse algo que gostariam muito, muito de aceitar, mas não pudessem, por razões alheias à sua vontade. É muito mais simpático do que as folhas afixadas no balneário onde a expressão usada é "não se responsabiliza"...
Wednesday, January 27, 2010
Musicas de todo o mundo - A
Hoje é a vez da África do Sul e do Acrotiri e Decelia.
A primeira vez que ouvi músicas sul-africanas ao vivo foi na Expo 92, em Sevilha, e recordo-me que só passado um bom bocado é que percebemos que a música era toda cantada e não havia instrumentos!
Quanto ao Acrotiri e Decelia (dados wikipedia), a primeira vez que ouvi falar delas foi ontem... não é um estado soberano, são bases britânicas soberanas no Chipre, administradas pelo Ministério da Defesa Britânico.
A primeira vez que ouvi músicas sul-africanas ao vivo foi na Expo 92, em Sevilha, e recordo-me que só passado um bom bocado é que percebemos que a música era toda cantada e não havia instrumentos!
Quanto ao Acrotiri e Decelia (dados wikipedia), a primeira vez que ouvi falar delas foi ontem... não é um estado soberano, são bases britânicas soberanas no Chipre, administradas pelo Ministério da Defesa Britânico.
Tuesday, January 26, 2010
Músicas de todo o mundo - Inauguração oficial
Vai começar hoje, aqui mesmo no blogue, um novo projecto pessoal. Procurar uma música de cada país do mundo e colocá-la (ou ao link) aqui. A ordem vai ser alfabética e sem nenhuma preocupação, a não ser a de escolher uma música que me agrade. Estou ansiosa pela pela descoberta e espero que os meus visitantes a apreciem tanto quanto eu.
Começo pelo Afeganistão.
Começo pelo Afeganistão.
Tributo ao Haiti
Passados já tantos dias, começa a ser tempo de enterrar os mortos e cuidar dos vivos, como já se disse em Lisboa, em 1755. Se virmos as imagens do GoogleEarth do Haiti percebemos que já era um país, de certa forma, em escombros. Só nos resta esperar que desta tragédia resulte algo de maior. Aqui fica um tributo musical, na voz de Webert Sicot, um músico famoso do país.
Saturday, January 23, 2010
Em Janeiro...
uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar.
Enfim, a Primavera não está quase, mas lá chegaremos...
Enfim, a Primavera não está quase, mas lá chegaremos...
Sunday, January 17, 2010
Santo Amaro
Este fim-de-semana, foi a festa de Santo Amaro, em Alfeizerão. Encontrei aqui algumas informações sobre a vida de Santo Amaro, que também é festejado não muito longe dali, em Pombal.
Não sei qual a origem da comemoração deste santo ali, mas a festa religiosa - com a respectiva procissão - é acompanhada de vários outros usos e costumes, que estive hoje a aprender. Há sempre uma feira, onde os produtos tradicionais são os colares de pinhões e de maçãs, a fogaça da festa (vendida na capela), em forma de ferradura, as cavacas. Outros pontos altos altos da festa são a fogueira no largo, que arde vários dias e noites, o grupo de homens que vai cantando pela vila, até não poder mais (o que quer dizer até o álcool os vencer) e ainda a votação de quem será o juiz da festa do ano seguinte.
Numa época em que as tradições são transformadas em momentos turísticos e se inventam festas e festivais por todo o lado, é sempre bom ver que ainda existem momentos em que a tradição se reinventa a si própria, numa renovação constante daquilo que era.
Não sei qual a origem da comemoração deste santo ali, mas a festa religiosa - com a respectiva procissão - é acompanhada de vários outros usos e costumes, que estive hoje a aprender. Há sempre uma feira, onde os produtos tradicionais são os colares de pinhões e de maçãs, a fogaça da festa (vendida na capela), em forma de ferradura, as cavacas. Outros pontos altos altos da festa são a fogueira no largo, que arde vários dias e noites, o grupo de homens que vai cantando pela vila, até não poder mais (o que quer dizer até o álcool os vencer) e ainda a votação de quem será o juiz da festa do ano seguinte.
Numa época em que as tradições são transformadas em momentos turísticos e se inventam festas e festivais por todo o lado, é sempre bom ver que ainda existem momentos em que a tradição se reinventa a si própria, numa renovação constante daquilo que era.
Wednesday, January 13, 2010
Back to the 80's...
Pois é, a moda retro está na mesmo na moda. Em tudo. Até nas redes sociais virtuais, onde fervilham grupos de reencontro dos amigos de infância e adolescência. Graças aos e-mails e ao Facebook, no próximo Sábado tenho um almoço com os amigos do liceu. Ou seja, aquelas pessoas à volta de quem (se exceptuarmos a família e um ou outro amigo) a minha vida gravitou entre 1984 e 1989 e com os quais não mantive muito contacto depois disso, porque a vida é mesmo assim... Prevejo momentos divertidos. Apesar de não achar, como na música, que foram "the best days of my life", foram bastante bons, há que reconhecê-lo.
O meu primeiro pensamento quando soube do almoço foi, também ele, um regresso à adolescência: O que é que eu hei-de vestir? Suponho que uma permanente com popa, uns ténis Sanjo, uma camisola preta com duas riscas horizontais e um casaco com grande chumaços estão fora de questão...
O meu primeiro pensamento quando soube do almoço foi, também ele, um regresso à adolescência: O que é que eu hei-de vestir? Suponho que uma permanente com popa, uns ténis Sanjo, uma camisola preta com duas riscas horizontais e um casaco com grande chumaços estão fora de questão...
Monday, January 11, 2010
Balanços
O ano de 2009 foi, aqui em casa, um grande ano. Bem sei que temos a crise e blá, blá, e que o rendimento é sempre curto, mas agora compreendo como é que é possível algumas pessoas de mais idade acharem que os seus anos de juventude foram sempre maravilhosos - mesmo quando passavam fome, havia muito mais doenças sem cura e viviam em ditadura.
No fundo, sabemos bem que o que realmente nos afecta é o que diz respeito à nossa família e amigos chegados. Se eles estiverem bem, tudo o resto passa para segundo plano. E se pensar que, em 2009, não fui a nenhum funeral nem hospital, que as maleitas foram menores ou maiores, mas ultrapassadas, e que terminámos o ano com toda a família junta, acho que se pode dizer que foi um ano muito feliz.
E já se sabe que a felicidade não tem grande história e que gozá-la gasta tempo e energia. Ainda assim , há momentos deliciosamente partilháveis, como o A. a rezar "Beijinho da guarda, minha companhia..."
No fundo, sabemos bem que o que realmente nos afecta é o que diz respeito à nossa família e amigos chegados. Se eles estiverem bem, tudo o resto passa para segundo plano. E se pensar que, em 2009, não fui a nenhum funeral nem hospital, que as maleitas foram menores ou maiores, mas ultrapassadas, e que terminámos o ano com toda a família junta, acho que se pode dizer que foi um ano muito feliz.
E já se sabe que a felicidade não tem grande história e que gozá-la gasta tempo e energia. Ainda assim , há momentos deliciosamente partilháveis, como o A. a rezar "Beijinho da guarda, minha companhia..."
Tuesday, December 15, 2009
Ser ou estar
Há quem diga que são sinónimos, que é o mesmo verbo. Um diz destes estava a pensar na diferença entre ser feliz e estar feliz. Ora, ser feliz é um estado mais consciente, é algo que sabemos que somos. Estar feliz é um estado que não se prolonga na consciência, é uma sensação temporária. Posto isto, desejo a todos que sejam e estejam felizes no próximo Natal!
Monday, November 16, 2009
É consoante(s)...
Enquanto a R. galopa pelo mundo fascinante das consoantes, o A. canta, canta, canta pela casa, extasiado com a possibilidade de cantar sozinho melodias inteiras.
Há uma música da "Dora, a exploradora" que eles têm ouvido. Há bocado, andava ele por aí "lá, lá, lá, lálá, vou tocar baratas...". Baratas? Ah, pois, é maracas...
Há uma música da "Dora, a exploradora" que eles têm ouvido. Há bocado, andava ele por aí "lá, lá, lá, lálá, vou tocar baratas...". Baratas? Ah, pois, é maracas...
Friday, November 6, 2009
Momento Farmville
Que culturas é que tenho de plantar para poder ir de fim-de-semana descansada? Ai, ai, para o que uma pessoa está guardada...
Friday, October 30, 2009
Doçaria às escondidas
Hoje, estava a fazer uma mousse para a festa de anos do A. Já tinha o chocolate derretido e comecei a partir os ovos, deitando as gemas no chocolate. Quando estava com a batedeira a começar a misturar as gemas, o A. veio pedir para me ajudar e perguntou o que é que eu estava a fazer. Quando lhe disse que estava a fazer mousse, ele perguntou: "E estás a esconder os ovos?"
Friday, October 23, 2009
Boas ideias
O projecto my charity: water mostra como, muitas vezes, basta uma boa ideia para mudar a vida de muita gente. Bem, basta uma boa ideia, a genica e os conhecimentos técnicos e pessoais para a por em prática e a boa vontade das muitas pessoas que contribuem. Mas não deixa de ser uma boa ideia. E não deixa de mudar a vida de muita gente. E não deixo de pensar que a maior parte das coisas boas que se fazem no mundo começaram assim e que muitas vezes gastamos demasiada energia humana onde não devemos, com tanta gente por aí capaz de ter boas ideias.
Sunday, October 18, 2009
Parabéns Pai!
Passámos um óptimo fim-de-semana em São Martinho e o ponto alto foi a festa de anos do avô. Agora que temos a nossa casinha linda e arranjada, é o melhor sítio para nos lembrarmos de como somos felizes. E os 64 anos do nosso pai são uma parte fundamental desta felicidade!
Tuesday, October 13, 2009
Diz o Saramago...
...na sua A Viagem do Elefante que "Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas" (p. 223) e que "Se toda a gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor" (p. 255).
Ora, hoje a R. disse-me, enquanto o A. lhe moía a paciência, que agora é que via como devia ser bom ser filha única...
Mas, porque tenho a certezinha absoluta de que os irmãos nos fazem muito felizes e para fazer o que posso para não perder de todo esta ocasião: PARABÉNS ATRASADOS MANA!
Friday, October 2, 2009
Iniciação musical
O A. teve hoje a sua primeira aula de música na escola. Entrou no carro para ir para casa e o rádio estava ligado. Disse logo, muito contente, "Isto é um som musical?"
Monday, September 28, 2009
Suspiro de mãe!
A R. anda muito, muito contente nesta sua viagem pelo 1º ano. Um destes dias, perguntei-lhe se a professora iria ver, no dia seguinte, se os meninos tinham feito os trabalhos de casa. Ao que ela responde:
- Nããão. Se ela mandou toda a gente fez!
- Nããão. Se ela mandou toda a gente fez!
Wednesday, September 23, 2009
Por essas e por outras é que eu gosto tanto das dobragens portuguesas
O filme preferido do A., que agora vemos vezes sem conta, é o Cars. Há no filme duas personagens deliciosas, o Fillmore, uma carrinha pão-de-forma hippie e o Sarge, um Hummer todo dado à tropa, que têm uma relação de amizade assente nos mais absolutos opostos.
O meu momento preferido do filme é protagonizado por estes dois amigos. O Sarge acorda ao som de uma alvorada militar; ouve-se, em seguida, a música muito alta do Fillmore e o seguinte diálogo:
Sarge: - Desliga essa porcaria e vai ver se chove!
Fillmore: - Respeita os clássicos, man, é o Hendrix...
Está claro que estas duas frases agora servem para tudo cá em casa...
O meu momento preferido do filme é protagonizado por estes dois amigos. O Sarge acorda ao som de uma alvorada militar; ouve-se, em seguida, a música muito alta do Fillmore e o seguinte diálogo:
Sarge: - Desliga essa porcaria e vai ver se chove!
Fillmore: - Respeita os clássicos, man, é o Hendrix...
Está claro que estas duas frases agora servem para tudo cá em casa...
Monday, September 21, 2009
O factor de união
Quem anda de metro em Lisboa, conhece bem aquelas pessoas que são uma espécie de pedintes profissionais, que há muitos anos pedem diariamente no metro, na Baixa, nas estações. E há também os cauteleiros, que dizem a sua ladainha ("olha o 13, anda à roda, olha o 56), que por vezes se junta à de quem pede ("tenha a bondade de auxiliar...").
Pois hoje, estava eu no metro a ouvir o cauteleiro que, de pé atrás de mim, ia anunciando números, quando chega um cego a pedir, com as suas frases habituais. O engraçado é que, quando se cruzaram, se cumprimentaram, fizeram uma pausa e começaram a falar do jogo de hoje à noite. E está visto que ambos torcem pelo Sporting.
Pois hoje, estava eu no metro a ouvir o cauteleiro que, de pé atrás de mim, ia anunciando números, quando chega um cego a pedir, com as suas frases habituais. O engraçado é que, quando se cruzaram, se cumprimentaram, fizeram uma pausa e começaram a falar do jogo de hoje à noite. E está visto que ambos torcem pelo Sporting.
Thursday, September 17, 2009
More than words
Um dia destes, no jardim ao pé da escola (que, por sinal, é um espaço onde se passam as mais estranhas e variadas coisas) ia a passar e ouvi as seguintes palavras, vindas de uma de três mulheres sentadas num banco:
"- Ela disse que não tinha nenhuma obrigação. Eu disse-lhe, não tens a obrigação mas tens o dever."
Este esmiuçar - como se diz agora - das palavras é uma coisa que me seduz sempre. Esta frase deu-me que pensar na viagem de metro para casa. Lembrei-me que, antigamente, se chamava "deveres" àquilo a que hoje se chama "trabalhos", como se fazê-los não fosse obrigatório, como se valorizássemos mais a execução de uma tarefa do que o imperativo moral de a fazer. Afinal, que satisfação podemos tirar de um trabalho? Não é melhor ter um dever cumprido?
E esta diferença entre obrigação e dever é interessante. Podem parecer sinónimos mas não são. Porque eu posso mesmo não ser obrigada a fazer uma coisa, ter a opção de me borrifar e virar costas, mas ainda assim ter o dever (moral, social) de a fazer. E, pelo menos segundo esta senhora (e eu inclino-me a concordar com ela), é muito mais grave fugir a um dever do que a uma obrigação.
"- Ela disse que não tinha nenhuma obrigação. Eu disse-lhe, não tens a obrigação mas tens o dever."
Este esmiuçar - como se diz agora - das palavras é uma coisa que me seduz sempre. Esta frase deu-me que pensar na viagem de metro para casa. Lembrei-me que, antigamente, se chamava "deveres" àquilo a que hoje se chama "trabalhos", como se fazê-los não fosse obrigatório, como se valorizássemos mais a execução de uma tarefa do que o imperativo moral de a fazer. Afinal, que satisfação podemos tirar de um trabalho? Não é melhor ter um dever cumprido?
E esta diferença entre obrigação e dever é interessante. Podem parecer sinónimos mas não são. Porque eu posso mesmo não ser obrigada a fazer uma coisa, ter a opção de me borrifar e virar costas, mas ainda assim ter o dever (moral, social) de a fazer. E, pelo menos segundo esta senhora (e eu inclino-me a concordar com ela), é muito mais grave fugir a um dever do que a uma obrigação.
Tuesday, June 30, 2009
Esmeros...
Estava a tomar café numa pastelaria aqui do bairro, quando reparo na frase impressa no papel com que embrulham os bolos: "Esmerado serviço de pastelaria".
Fiquei cá comigo a pensar que esta é uma palavra que está em desuso e que nos faz imensa falta. Queremos ser competitivos, competentes, produtivos, modernizados, motivados e sei lá mais o quê, mas o que é feito do esmero? Daquele esmero que está associado ao esforço de fazermos o melhor que sabemos, mesmo sem estarmos a ser competitivos (e eu acredito que, quando se faz o melhor que se sabe, isso acaba por acontecer)?
E deixo bem claro que não estou a falar do esmero de ter uma caligrafia perfeita, a custo de reguada, mas de uma coisa meio obscura chamada brio pessoal...
Fiquei cá comigo a pensar que esta é uma palavra que está em desuso e que nos faz imensa falta. Queremos ser competitivos, competentes, produtivos, modernizados, motivados e sei lá mais o quê, mas o que é feito do esmero? Daquele esmero que está associado ao esforço de fazermos o melhor que sabemos, mesmo sem estarmos a ser competitivos (e eu acredito que, quando se faz o melhor que se sabe, isso acaba por acontecer)?
E deixo bem claro que não estou a falar do esmero de ter uma caligrafia perfeita, a custo de reguada, mas de uma coisa meio obscura chamada brio pessoal...
Wednesday, June 24, 2009
Surfistas e havaianas
É sempre com alguma alegria, misturada de incredulidade, que vejo chegar a silly season. Este ano, vimo-la chegar via festa de fim de ano da escola da R. Não é que o programa inclui a eleição do Surfista 2009 e da Miss Havaiana, a par com uma Beach Dance e com um dress code de "Roupa de verão gira e havaianas"?
Thursday, June 18, 2009
Chicken a la carte
Segundo diz neste pequeno filme, trata-se de uma história real. Ainda que seja encenada, dá muito que pensar, porque há por aí muitas histórias reais bem mais cruéis que a ficção.
É muito impressionante e muiot bem feito.
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte
É muito impressionante e muiot bem feito.
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte
Sunday, June 7, 2009
Flor de Jacarandá
Quando chega o mês de Maio, entrando depois por Junho, estas árvores que parecem invisíveis durante o resto do ano surpreendem-nos em cantos e recantos de Lisboa, dando pinceladas de roxo à nossa vida. E eu não consigo ver uma que não me lembre da música do Vitorino. Isso quer dizer que passo o mês a cantarolar
"Flor do jacarandá
Cai, leve no passeio
Céu d´outro mar sonhado
Chão de anilado estio.
A florir, lá no mês de sonho tapete de voar
Nas luas de zefiro Estrada de santiago
Manda a... chuva de estrelinha, azul pavão
Brilha na noite V
ou de namorada, mão na mão
Perdi a escada para o céu Dos pardalinhos
Na ilusão da boa fada Toco na varinha de condão
Durmo na rua onde a..."
"Flor do jacarandá
Cai, leve no passeio
Céu d´outro mar sonhado
Chão de anilado estio.
A florir, lá no mês de sonho tapete de voar
Nas luas de zefiro Estrada de santiago
Manda a... chuva de estrelinha, azul pavão
Brilha na noite V
ou de namorada, mão na mão
Perdi a escada para o céu Dos pardalinhos
Na ilusão da boa fada Toco na varinha de condão
Durmo na rua onde a..."
Wednesday, May 13, 2009
Enriqueça o seu vocabulário
Ontem, vinha com a R. da escola e ela vinha a contar-me a aula de ginástica:
- No jogo com as bolas, batíamos a bola com a mão dominante...
- O que é a mão dominante?
- É aquela que dá mais jeito. Tu não sabes palavras nenhumas...
Monday, May 11, 2009
Para que é que eu perguntei?
Descobri recentemente uma maneira de tomar café sem tirar os miúdos do carro, que é passar no McDrive e pedir a minha meiinha de leite na janelita. Já sei que é americanice e tal, mas não me interessa, eu nem sequer ando de carro, por isso de vez em quando, quando estou com pressa, dá imenso jeito.
Foi o que fizemos um dia destes e lá pedimos um café e uma meia de leite na janela. Quando chegámos à frente para recolher as bebidas, ouvi uma McRapariga dizer qualquer coisa para outra e perguntei ao J. o que é que ela tinha dito. Responde ele:
"Ó estúpida, não é assim que se faz uma meia de leite"
Foi o que fizemos um dia destes e lá pedimos um café e uma meia de leite na janela. Quando chegámos à frente para recolher as bebidas, ouvi uma McRapariga dizer qualquer coisa para outra e perguntei ao J. o que é que ela tinha dito. Responde ele:
"Ó estúpida, não é assim que se faz uma meia de leite"
Thursday, May 7, 2009
Se podemos comunicar com o corpo
...para que é que precisamos de falar?
Foi o que a R. me perguntou hoje, quando vínhamos da Feira do Livro. E o que é que eu respondi? Sei lá, lá me desembrulhei com uma história sobre a evolução do homem e tal, ao que ela me respondeu "Ah, o G. (o primo) já rasteja, por isso é como o macaco a evoluir para o homem". Grande gargalhada que eu dei no metro!
Foi o que a R. me perguntou hoje, quando vínhamos da Feira do Livro. E o que é que eu respondi? Sei lá, lá me desembrulhei com uma história sobre a evolução do homem e tal, ao que ela me respondeu "Ah, o G. (o primo) já rasteja, por isso é como o macaco a evoluir para o homem". Grande gargalhada que eu dei no metro!
Wednesday, May 6, 2009
Fame!
Hoje, para promover o NósPedalamos, estive com a madrinha da iniciativa (a Mafalda Arnauth) na Antena 3, a gravar uma parte do programa Nuno e Nando, com o Nuno Markl e o Fernando Alvim. Claro que a entrevistada era ela, eu só fornecia alguns pormenores técnicos, mas foi uma experiência muito gira. Já tenho representado o GEOTA na rádio e na televisão a falar de várias coisas, mas nunca num programa deste género, apresentado por pessoas da minha geração, cujo trabalho e carreira eu conheço bastante bem. E de quem gosto bastante, aliás.
O que foi mais estranho foi pensar que estavam ali duas pessoas que nunca me tinham visto, possivelmente nunca mais me vão ver, mas das quais eu sei imensas coisas. Suponho que é um bocado isso que define o que é ser famoso. Fiquei a achar que deve ser difícil lidar com o facto de se andar na rua e haver muita gente que conhece a nossa vida quotidiana. E daí, não sei, talvez seja reconfortante, como estar sempre numa rua de bairro...
O que foi mais estranho foi pensar que estavam ali duas pessoas que nunca me tinham visto, possivelmente nunca mais me vão ver, mas das quais eu sei imensas coisas. Suponho que é um bocado isso que define o que é ser famoso. Fiquei a achar que deve ser difícil lidar com o facto de se andar na rua e haver muita gente que conhece a nossa vida quotidiana. E daí, não sei, talvez seja reconfortante, como estar sempre numa rua de bairro...
Tuesday, May 5, 2009
Deve ser uma nova geração que anda aí...
Hoje fiz uns dez minutos de caminho a pé, mais ou menos lado a lado com dois rapazes (sendo que, tal como acontece com a minha idade, aquilo a que chamamos rapazes atinge uma faixa etária que vai esticando...) que iam para o emprego, algures no Parque das Nações.
E sobre que era a conversa? Sobre a hora de chegar ao trabalho, fulano chega a esta hora, beltrano chega à outra e sobre a roupa que se leva para ir trabalhar. Hoje está calor, trago camisa, ontem não estava, trazia não sei o quê... como parecia que eram colegas que até se conheciam bem e a conversa era tão de deitar fora, fiquei a pensar cá para mim: já não se fala de gajas nem de futebol?
E sobre que era a conversa? Sobre a hora de chegar ao trabalho, fulano chega a esta hora, beltrano chega à outra e sobre a roupa que se leva para ir trabalhar. Hoje está calor, trago camisa, ontem não estava, trazia não sei o quê... como parecia que eram colegas que até se conheciam bem e a conversa era tão de deitar fora, fiquei a pensar cá para mim: já não se fala de gajas nem de futebol?
Friday, April 24, 2009
25 de Abril, sempre!
Hoje estava a pensar no 25 de Abril e lembrei-me deste poema, que digo muitas vezes ao A. e à R. E pensei na liberdade de podermos ser cada um de nós e dizer sempre o que pensamos sem pressões de patrões, sem religiões, sem partidos - independentemente de podermos ser funcionários, religiosos ou filiados, se quisermos e pudermos. Pensei na liberdade de podermos ser verdadeiramente independentes. E acho que ainda não chegámos lá.
______________
Impressão Digital, António Gedeão
Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
______________
Impressão Digital, António Gedeão
Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
Friday, April 17, 2009
Provas destas é que a PJ precisava
Nem de propósito, tinha eu acabado de escrever o último post e já o A. me tinha pintado a porta da cozinha com o marcador verde. Vai daí, pu-lo de castigo na cama. Fui para a cozinha lavar a porta e aparece a R.:
- Mamã, o A. saiu da cama!
- Saiu? Como é que ele saiu?
- Não sei, mas está aqui ele para provar!
- Mamã, o A. saiu da cama!
- Saiu? Como é que ele saiu?
- Não sei, mas está aqui ele para provar!
Tenho um anjinho da guarda e dou-lhe muito trabalho
Frase dedicada ao A. e à R., depois de a ter ouvido numa música hoje.
Friday, March 27, 2009
Para a Tânia, que nos deixou hoje
CÃO
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...Sai depressa, ó cão, deste poema!
Alexandre O'NeillPoesias Completas. 1951-1986Lisboa, INCM, 1990 (3ª ed.)
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...Sai depressa, ó cão, deste poema!
Alexandre O'NeillPoesias Completas. 1951-1986Lisboa, INCM, 1990 (3ª ed.)
Sunday, March 15, 2009
Coisas difíceis...
Hoje o jantar foi lombo de porco assado. Diz a R.: "Ah, esta é daquela carne que se mastiga, mastiga e nunca mais se dissolve..."
Wednesday, March 11, 2009
Mentirinhas - o vencedor é...
Venho então apresentar os resultados:
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
Mentira! Parti uma taça de sobremesa, que andava por lá há anos, já toda esbeirada e não desaparecia... cães de louça nunca por lá houve.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
Verdade! Tinha aí uns dez anos. Apesar de os meus primos me dizerem para fugir, eu apresentei-me ao dono e disse que tinha sido eu e que pagava o arranjo. Mas depois ele disse que tinham sido 2000 escudos e eu pedi-lhe a factura como prova. Como ele não apresentou, nao paguei...
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
Mentira! Não tenho óptimo ouvido, nem nunca quis tocar harpa. Mas queria um piano e a minha mãe dizia, realmente, que se entrasse um piano, eu tinha de sair porque já nã tínhamos espaço.
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
Verdade! Foi uma actuação e tanto.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
Verdade! Adoro andar de teleférico, acho fabuloso subir e descer montanhas.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
Verdade! Um castanho e um verde. Só dei por isso a meio da manhã.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
Mentira! Cada vez gosto menos de falar ao telefone.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
Verdade! Mas acho que o que me fascinava era a ideia de andar no campo, de um lado para o outro e não os animais, dos quais nem sequer gosto muito.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
Mentira! Na verdade, quando era miúda, gostava do nome, mas a R., se fosse rapaz, teria sido Gil.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
Verdade! Foi tão lindo!
A verncedora é a Billy. E agora, o que faço com o livro? Mando para Buenos Aires?
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
Mentira! Parti uma taça de sobremesa, que andava por lá há anos, já toda esbeirada e não desaparecia... cães de louça nunca por lá houve.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
Verdade! Tinha aí uns dez anos. Apesar de os meus primos me dizerem para fugir, eu apresentei-me ao dono e disse que tinha sido eu e que pagava o arranjo. Mas depois ele disse que tinham sido 2000 escudos e eu pedi-lhe a factura como prova. Como ele não apresentou, nao paguei...
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
Mentira! Não tenho óptimo ouvido, nem nunca quis tocar harpa. Mas queria um piano e a minha mãe dizia, realmente, que se entrasse um piano, eu tinha de sair porque já nã tínhamos espaço.
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
Verdade! Foi uma actuação e tanto.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
Verdade! Adoro andar de teleférico, acho fabuloso subir e descer montanhas.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
Verdade! Um castanho e um verde. Só dei por isso a meio da manhã.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
Mentira! Cada vez gosto menos de falar ao telefone.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
Verdade! Mas acho que o que me fascinava era a ideia de andar no campo, de um lado para o outro e não os animais, dos quais nem sequer gosto muito.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
Mentira! Na verdade, quando era miúda, gostava do nome, mas a R., se fosse rapaz, teria sido Gil.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
Verdade! Foi tão lindo!
A verncedora é a Billy. E agora, o que faço com o livro? Mando para Buenos Aires?
Tuesday, March 10, 2009
O condoninho da Renata
É um espectáculo este link, onde podemos acompanhar, em directo, a vida de um casal de cegonhas no ninho. Eu sei que é um pouco voyeurismo e que pode parecer enfadonho, mas experimentem e vejam como vale a pena.
Friday, March 6, 2009
Verdade ou consequência?
Bem, respondendo então ao desafio que veio de Buenos Aires, cá ficam 10 afirmações sobre a minha pessoa, 4 falsas e 6 verdadeiras. Quais são quais? Vá, opiniem!!! O prémio para o vencedor será... um livro registado no BookCrossing, que o vencedor terá de ler e partilhar.
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
1 - Tenho fama de desastrada e de partir coisas. Por isso, aproveitei a fama, parti, uma vez, um dálmata de loiça em tamanho natural que a minha avó tinha em casa.
2 - Ainda no registo desastrado, choquei uma vez com a bicicleta contra o retrovisor de um carro estacionado. Apresentei-me ao domo como culpada e disse que só lhe pagava se ele me apresentasse a factura do espelho.
3 - Tenho óptimo ouvido e o meu sonho era ter aprendido a tocar harpa, mas a minha mãe dizia sempre que não cabia uma harpa cá em casa - só se eu saísse para ela entrar...
4 - Não cheguei a tocar harpa, mas aprendi a tocar viola e a primeira vez que tive de tocar em palco, tropecei e espalhei-me ao comprido, ainda antes da actuação.
5 - O meu meio de transporte preferido é o teleférico.
6 - Já fui trabalhar com um sapato de cada cor.
7 - Adoro longas conversas ao telefone com os amigos.
8 - O meu sonho de criança era ser veterinária.
9 - Se a R. fosse um rapaz tinha-se chamado Evnor, nome de que gostava desde miúda, pela sonoridade medieval.
10 - Quando trabalhava no Bairro Alto, um dia recebi um ramo de flores em pleno Largo da Misericórdia, enquanto todos os operários de uma obra batiam palmas.
Thursday, March 5, 2009
O mundo aqui ao lado
Ao morrer, na semana passada, com 66 anos, José Mégre conhecia todos os países do mundo, à excepção do Iraque, no qual não lhe deram visto para entrar.
Este é o meu mapa-mundi, bem mais modesto, claro está:

visited 21 states (9.33%)
Create your own visited map of The World or website vertaling duits?
Este é o meu mapa-mundi, bem mais modesto, claro está:
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Monday, March 2, 2009
Uauaua, obrigada J. e R.!
Onde é eu estive no Sábado passado, adivinhem lá? Estive a gozar a prenda de Natal dos meus queridos irmã e cunhado, no Opium day spa. Comecei por um Duche Vichy, que ADOREI. Haverá alguma coisa melhor do que estar deitada, com jactos de aguinha quente a percorrer o corpo (e os pés!), enquanto nos massajam? Se houver, só se for a massagem Hot stones, para onde me encaminhei logo de seguida, que se pode descrever como uma hora de conforto e prazer e relaxamento e... na realidade, acho que não se consegue muito bem descrever, só mesmo sentindo.
O spa era longe, no fim do IC19, mas valia muito a pena, porque as instalações são novas e impecáveis e o atendimento de grande simpatia e qualidade. Foram duas horinhas muito bem passadas, lá isso foram. Muito obrigada, meus queridos, Deus vos pague e abençoe.
O spa era longe, no fim do IC19, mas valia muito a pena, porque as instalações são novas e impecáveis e o atendimento de grande simpatia e qualidade. Foram duas horinhas muito bem passadas, lá isso foram. Muito obrigada, meus queridos, Deus vos pague e abençoe.
Monday, January 26, 2009
Ele há coisas...
Hoje, na escola da R. levantou-se um enorme mistério, tão grande que ela e as colegas tiveram de chamar a educadora para o resolver: como é que a fada dos dentinhos descobriu que tinha caído um dente à R. e lhe pôs o livro da Bruxa Esbrenhuxa debaixo da almofada se ela engoliu o dente e não tinha nada para lá pôr?
O que vale é que a São tem muuuitos anos de experiência e arranjou logo ali uma solução mágica, que até metia radiografias e tudo! Viva a fada dos dentinhos (e a São)!
O que vale é que a São tem muuuitos anos de experiência e arranjou logo ali uma solução mágica, que até metia radiografias e tudo! Viva a fada dos dentinhos (e a São)!
Wednesday, January 21, 2009
Portugal continua nos melhores do mundo
No que diz respeito à taxa de mortalidade infantil, Portugal está hoje entre os melhores países do mundo, com 4 mortes por mil nascimentos, que é o segundo melhor número, a seguir a um grupo de seis países que têm 3 em mil. Se pensarmos que, em 1960, esse número era de 77,5 mortes em mil, acho que temos muito de que nos orgulhar. Agora, tal como diz neste artigo, há ainda que humanizar um pouco mais os hospitais. Não podia concordar mais com o que é dito quanto aos partos em casa, não acho que seja por aí o caminho. Como ja ouvi dizer, há países "civilizados", como o Reino Unido, que os incentivam, porque o Estado poupa com isso (e que têm mortalidades infantis superiores à nossa). Eu prefiro que, pelo menos nisto, não se poupe.
O relatório da UNICEF de 2009 está aqui. Claro que é impossível lê-lo sem ver os números terríveis dos países africanos ou de sítios como o Afeganistão. Eu acho especialmente triste ver os dados dos países de expressão portuguesa, porque mostram muito bem que a herança que deixámos não foi das melhores e que, enquanto nós por aqui melhoramos a olhos vistos, eles nem por isso. Dirão que a responsabilidade já não é nossa. Não? Não sei...
De qualquer forma, os números da UNICEF, a nível mundial, são encorajadores. Ainda bem, mas há tanto por fazer ainda...
Wednesday, January 14, 2009
A última flor, de James Thurber
Ao ouvir a notícias de Gaza, nas últimas semanas, mais uma vez lembrei-me deste livro, que os meus pais tinham (e que eu surripiei quando vim para minha casa - juntamente com a Obra Poética do David Mourão Ferreira, e o Pavarotti a cantar o Ave Maria de Schubert; há coisas que devem andar sempre connosco). Finalmente, alguém o pôs no youtube. Está aqui.
Wednesday, January 7, 2009
Se todos desejarmos um bocadinho, quem sabe...
Umas das poucas pessoas que conheço pessoalmente do Bookcrossing é a Tânia, a Snowshoee. A Tânia sofre de uma insuficiência cardíaca, que se tem vindo a agravar, e está neste momento à espera de um transplante de coração, com muita, muita urgência.
Porque tem 26 anos, porque a vida nem sempre é justa, porque tem sido muito corajosa, porque é uma situação que nenhum de nós pode imaginar, a onda de solidariedade que se gerou, quer em Portugal, quer nos bookcrossers do mundo inteiro é enorme.
Há, neste momento, velas reais e virtuais, preces e desejos em todo o mundo, como podemos ver neste blogue. A sensação de impotência perante tamanha tragédia pessoal é enorme, neste mundo onde parece que tudo pode ter solução, desde que haja vontade. Mas, neste caso, parece realmente não haver nada a fazer, a não ser esperar um milagre. Assim fazemos.
Porque tem 26 anos, porque a vida nem sempre é justa, porque tem sido muito corajosa, porque é uma situação que nenhum de nós pode imaginar, a onda de solidariedade que se gerou, quer em Portugal, quer nos bookcrossers do mundo inteiro é enorme.
Há, neste momento, velas reais e virtuais, preces e desejos em todo o mundo, como podemos ver neste blogue. A sensação de impotência perante tamanha tragédia pessoal é enorme, neste mundo onde parece que tudo pode ter solução, desde que haja vontade. Mas, neste caso, parece realmente não haver nada a fazer, a não ser esperar um milagre. Assim fazemos.
Monday, January 5, 2009
Sunday, January 4, 2009
Planisfério pessoal, de Gonçalo Cadilhe
Tal como os livros anteriores do Gonçalo Cadilhe que tinha lido (A lua pode esperar e, sobretudo, África acima) este livro causou-me uma impressão muito forte e vários tipos de sentimentos.
Tal como os anteriores, li-o de uma assentada, perdendo horas de sono, o que quer dizer que dei a volta ao mundo numa noite (o que talvez não agradasse muito ao autor, assim como facto de o ter lido através do bookcrossing, que ele - que não consegue cortar o cordão umbilical com os seus livros - considera "uma promiscuidade irresponsável").
Comecei a gostar do livro ainda antes de o ler, porque acho o título muito bonito. A palavra pessoal (como no programa da TSF Pessoal e Transmissível e não como em "Vou beber um copo ao Bairro Alto, com o pessoal") lembra-me que todos somos únicos, mas não necessariamente individualistas. Depois, entrei na vertigem de uma volta ao mundo que o autor traçou pelos caminhos menos convencionais, atravessando alguns dos países mais pobres e mais miseráveis do mundo (porque ser pobre e ser miserável não é bem a mesma coisa, e o fundo da escada é quando as duas coisas se fundem) não procurando necessariamente os pontos turísticos, mas sem fugir deliberadamente deles.
E aqui dividem-se a minhas emoções. Se a aventura me seduz (consigo mesmo, por vezes, encontrar alguns paralelismos com o meu próprio planisfério pessoal, que, não tendo qualquer comparação com o do Gonçalo Cadilhe, tem alguns momentos interessantes, como uma viagem nocturna de comboio entre Moscovo e São Petesburgo), deprime-me sempre imaginar aldeias em que as crianças fabricam armas e cultivam ópio depois da escola.
Roubar dignidade à infância e à velhice são infâmias que não devíamos permitir (penso nisto enquanto a R. se pendura no meu pescoço durante um momento mais assustador d'"A Bela e o Mostro", que longe que está o mundo daqui de casa).
Mas por isso, também, gosto dos livros de Gonçalo Cadilhe e gostava que ele escrevesse mesmo livros, e não apenas publicações das crónicas semanais, que deixam tanto por dizer; gosto porque ele vai ao encontro de pessoas que semeiam projectos de esperança, como a escola informal na Nicarágua ou o hotel que alimenta crianças, no Peru.
E tudo isto está tão longe e , ao mesmo tempo, tão perto das multidões de turistas que coleccionam carimbos de passaporte, experiências pré-fabricada, a ver por ver, sem ver.
Recordei-me do choque que senti ao chegar ao Mont Saint-Michel ou ao Sacré Coeur, onde hordas de turistas de acotovelavam e do prazer que era estar na Fraguinha, ou na pousada de juventude no ponto onde a Noruega, a Finlândia e a Suécia se encontram e, realmente, a escolha é fácil (embora todas sejam experiências ricas).
E, já agora, Gonçalo Cadilhe, eu acho que o tal trekking, ou wanderung, se pode muito bem dizer em português "caminhar", que é um verbo que por cá anda há bastante tempo. A forma de o fazer é diferente, realmente, porque - entre nós - só há pouco tempo caminhar é associado ao lazer e à saúde. Até há uns anos atrás, a maior parte dos portugueses não fazia outra coisa: caminhava para o trabalho (a muitos quilómetros, por vezes), para a escola, para casa. E caminhar era sinónimo de pobreza, de não ter outro meio de transporte, que poucos tinham (e esses não caminhavam, passeavam, no jardim, ao Domingo). Agora, que - para o bem e para o mal - o transporte individual se democratizou, já podemos voltar a caminhar tranquilos.
Ena, onde eu cheguei neste planisfério...
Tal como os anteriores, li-o de uma assentada, perdendo horas de sono, o que quer dizer que dei a volta ao mundo numa noite (o que talvez não agradasse muito ao autor, assim como facto de o ter lido através do bookcrossing, que ele - que não consegue cortar o cordão umbilical com os seus livros - considera "uma promiscuidade irresponsável").
Comecei a gostar do livro ainda antes de o ler, porque acho o título muito bonito. A palavra pessoal (como no programa da TSF Pessoal e Transmissível e não como em "Vou beber um copo ao Bairro Alto, com o pessoal") lembra-me que todos somos únicos, mas não necessariamente individualistas. Depois, entrei na vertigem de uma volta ao mundo que o autor traçou pelos caminhos menos convencionais, atravessando alguns dos países mais pobres e mais miseráveis do mundo (porque ser pobre e ser miserável não é bem a mesma coisa, e o fundo da escada é quando as duas coisas se fundem) não procurando necessariamente os pontos turísticos, mas sem fugir deliberadamente deles.
E aqui dividem-se a minhas emoções. Se a aventura me seduz (consigo mesmo, por vezes, encontrar alguns paralelismos com o meu próprio planisfério pessoal, que, não tendo qualquer comparação com o do Gonçalo Cadilhe, tem alguns momentos interessantes, como uma viagem nocturna de comboio entre Moscovo e São Petesburgo), deprime-me sempre imaginar aldeias em que as crianças fabricam armas e cultivam ópio depois da escola.
Roubar dignidade à infância e à velhice são infâmias que não devíamos permitir (penso nisto enquanto a R. se pendura no meu pescoço durante um momento mais assustador d'"A Bela e o Mostro", que longe que está o mundo daqui de casa).
Mas por isso, também, gosto dos livros de Gonçalo Cadilhe e gostava que ele escrevesse mesmo livros, e não apenas publicações das crónicas semanais, que deixam tanto por dizer; gosto porque ele vai ao encontro de pessoas que semeiam projectos de esperança, como a escola informal na Nicarágua ou o hotel que alimenta crianças, no Peru.
E tudo isto está tão longe e , ao mesmo tempo, tão perto das multidões de turistas que coleccionam carimbos de passaporte, experiências pré-fabricada, a ver por ver, sem ver.
Recordei-me do choque que senti ao chegar ao Mont Saint-Michel ou ao Sacré Coeur, onde hordas de turistas de acotovelavam e do prazer que era estar na Fraguinha, ou na pousada de juventude no ponto onde a Noruega, a Finlândia e a Suécia se encontram e, realmente, a escolha é fácil (embora todas sejam experiências ricas).
E, já agora, Gonçalo Cadilhe, eu acho que o tal trekking, ou wanderung, se pode muito bem dizer em português "caminhar", que é um verbo que por cá anda há bastante tempo. A forma de o fazer é diferente, realmente, porque - entre nós - só há pouco tempo caminhar é associado ao lazer e à saúde. Até há uns anos atrás, a maior parte dos portugueses não fazia outra coisa: caminhava para o trabalho (a muitos quilómetros, por vezes), para a escola, para casa. E caminhar era sinónimo de pobreza, de não ter outro meio de transporte, que poucos tinham (e esses não caminhavam, passeavam, no jardim, ao Domingo). Agora, que - para o bem e para o mal - o transporte individual se democratizou, já podemos voltar a caminhar tranquilos.
Ena, onde eu cheguei neste planisfério...
Tuesday, December 30, 2008
Pessoal dos 70's, tudo a ligar o som
Toca a clicar e a pôr na música "Os amigos". Quem é amiga, quem é? Vi esta pérola no blogue do Nuno Markl e não resisti a pôr aqui.
Monday, December 29, 2008
Estamos mesmo em época de remakes e adaptações
Eis a nova versão do "Anjo da guarda", que a R. rezava um destes dias:
Fadinha da guarda
minha companhia
dá-me magia
de noite e de dia.
Fadinha da guarda
minha companhia
dá-me magia
de noite e de dia.
Tuesday, December 16, 2008
O povo unido
Pois, é verdade. Os trabalhadores a recibos verdes vão ter oportunidade de regularizar as declarações anuais que tinham em falta (as tais que nem os funcionários das finanças sabiam que tinham de ser preenchidas) sem estar sujeitos a multa. Era realmente irónico que se anunciassem tantas medidas de combate ao desemprego, programas disto e daquilo e, em simultâneo, se fizesse uma caça à multa tão vergonhosa.
E a suspensão da multa consegui-se porque houve um enorme movimento que chamou a atenção para a situação. Foi espantosa a capacidade de mobilização de uma "classe" que é invisível, que não tem quaisquer regalias e que não tem quem a represente junto do Estado. O papel do FERVE foi importante, mas também o papel individual de todos aqueles que - sobretudo via net - fizeram passar a mensagem e conseguiram que se corrigisse uma injustiça.
E a suspensão da multa consegui-se porque houve um enorme movimento que chamou a atenção para a situação. Foi espantosa a capacidade de mobilização de uma "classe" que é invisível, que não tem quaisquer regalias e que não tem quem a represente junto do Estado. O papel do FERVE foi importante, mas também o papel individual de todos aqueles que - sobretudo via net - fizeram passar a mensagem e conseguiram que se corrigisse uma injustiça.
Sunday, December 14, 2008
Salvem os ricos
Depois da partida de Carnaval na época errada que as Finanças me estão a pregar, este sktech do'Os Contemporâneos vem mesmo, mesmo a calhar.
Tuesday, December 2, 2008
Fim de semana em cheio
Foi mesmo bom passar este fim-de-semana grande com um grande grupo (nove crianças, todas com menos de 8 anos, e 11 adultos), em Castro Marim. Ao contrário do resto do país, estava um tempo fantástico, fizemos passeios a pé, fomos à praia, lançámos papagaios, estivemos na piscina (quentinha...), descansámos imenso e todos - grandes e pequenos - nos portámos muito bem.
Para mim, vai ficar também na memória o momento em que o A. disse, pela primeira vez na sua vida, "Mamã, eu gosto de tu."
Para mim, vai ficar também na memória o momento em que o A. disse, pela primeira vez na sua vida, "Mamã, eu gosto de tu."
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